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Apesar de distante da Europa, o Campeonato Brasileiro tem conseguido atrair uma boa percentagem de jogadores estrangeiros, ainda mais com a crise econômica dos países vizinhos. Entre os melhores jogadores em atuação no Brasil, os ditos ‘gringos’ ocupam boa parte desse seleto grupo. Curiosamente, as posições nas quais os forasteiros aqui no Brasil se destacam sofrem de uma safra insuficiente a nível nacional, como pode ser notado na própria seleção canarinha, avaliando os diversos jogadores testados na função de armação e comando do ataque.

Com a decadência técnica e de produção de jogadores, os clubes tupiniquins vão cada vez mais aderindo ao mercado estrangeiro, principalmente latino. Em sua maioria, os jogadores importados são armadores e atacantes, provenientes da Argentina, Uruguai, Colômbia e outros. Apesar desse mercado forte entre Brasil e América do Sul, normalmente os estrangeiros de maior destaque chegam da Europa, mas normalmente passam por outras experiências antes de se consolidarem.

Exemplo disso está no Sport Club Internacional, que trouxe Andrés D’Alessandro do Zaragoza e, mais recentemente, Charles Aranguiz da Udinese. D’Alessandro, que na Argentina foi mais um ‘novo Maradona’, encontrou seu auge no Brasil, mais precisamente em Porto Alegre. Contratado em 2008, até hoje permanece como um dos principais ‘camisas dez’ do futebol brasileiro. D’Alessandro é um armador clássico, com passe refinado, drible apurado e muita entrega, apesar de algumas decaídas ao longo de uma temporada tão longa.

D'Alessandro e Aranguiz são peças-chave no Internacional  Fonte: UOL
D’Alessandro e Aranguiz são peças-chave no Internacional
Fonte: UOL

Esse ano recebeu uma agradável parceria: Charles Aranguiz. O meia chileno é um excelente exemplo do futebol moderno, atuando de área a área, ocupando diversas funções e com bom refino técnico, como mostram as assistências precisas e a boa presença ofensiva. O próprio Aranguiz disse ao site da FIFA que não sabe definir sua função, que não tem capacidade de se posicionar, sendo assim um jogador onipresente e impactante no sistema de jogo do Internacional.

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Seguimos no Rio Grande do Sul, onde o maior destaque do Grêmio FBPA é o atacante argentino Hernán Barcos. Ingressou no futebol brasuca atráves do Palmeiras, vindo da LDU Quito. Negociado a preço de ouro pelo Grêmio, Barcos já faz parte da história do tricolor gaúcho, sendo o maior artilheiro estrangeiro do clube. É um atacante com excelente poder de conclusão, habilidoso no drible curto, com excelente domínio e qualidade de passe, qualidades que compensam sua falta de força e lentidão. Recebia fortes críticas por não ficar na área; porém, isso mudou com a chegada de Luiz Felipe Scolari. Barcos só realiza tarefas fora de seu habitat esporadicamente, e sua participação atualmente se remete muito mais para finalizar e criar jogadas próximos do gol adversário. Tem sido decisivo na magra e econômica campanha gremista, com marcas que lhe garantem a vice-artilharia do Brasileirão, com 10 gols.

Hernán Barcos é capitão do Grêmio e ídolo da torcida  Fonte: Lancenet
Hernán Barcos é capitão do Grêmio e ídolo da torcida do time de Porto Alegre
Fonte: Lancenet

Subindo o Brasil, no pragmático e medroso Corinthians, Paolo Guerrero é um dos grandes responsáveis pelo alvinegro paulista ainda estar na zona de classificação para a Libertadores, mesmo que a equipe venha tendo um desempenho questionável. O peruano foi contratado pelo Corinthians após doze anos na Alemanha para alterar a formatação do time, que logo viria a disputar o Mundial, sendo Guerrero o autor do gol do título. Paolo Guerrero é um atacante com várias qualidades, com bom poder de finalização, móbil, forte e de muita entrega. Originalmente, é centro-avante, mas vem fazendo um importante papel pelo lado esquerdo do ataque, produzindo várias jogadas para o time e para si mesmo, usando suas boas referências físicas. Sem seu atacante principal, que é um selecionável da seleção peruana, o Corinthians tende a cair e perder fôlego em suas metas no Campeonato Brasileiro.

Terminando a lista dos estrangeiros de mais destaque, Darío Conca. Em sua primeira passagem pelo Fluminense teve muito sucesso e foi negociado com o Guangzhou Evergrande, do futebol chinês. De volta, Conca mantém intactas suas principais características, que o notabilizam como um dos principais armadores do futebol brasileiro. Outro argentino, outro ‘camisa dez’ clássico, mas com um perfil diferente. Tem entrega, mas também muita disciplina. Nunca tem contusões e está sempre disponível – a prova disso é que jogou todos os jogos na campanha do título brasileiro em 2010. Conca tem um grande refino técnico, tem habilidade para encarar marcadores fortes e uma grande visão para descobrir espaços nas defesas adversárias. Muito se discute sobre a formação do Fluminense, sobre a utilidade de Fred e suas tarefas, sobre se deve jogar com volantes de marcação ou não, mas Conca não se discute – é sempre certa sua presença.

Dario Conca regressou ao Fluminense depois de uma lucrativa passagem pela China  Fonte: statspes.blogspot.com
Darío Conca regressou ao Fluminense depois de uma lucrativa passagem pela China
Fonte: statspes.blogspot.com

É importante mencionar outros estrangeiros que acrescentam qualidade ao Brasileirão. Um deles é Marcelo Moreno, do líder Cruzeiro, que vive uma grande fase. É o artilheiro do Campeonato e tem um encaixe perfeito ao estilo do clube celeste, que explora muito bolas aéreas. De resto, não dá para não destacar o Velez Sarsfield, grande fornecedor de bons jogadores para o Campeonato Brasileiro, como Héctor Canteros, meio-campista que chegou ao Flamengo com status de salvador e que é um dos pilares do conjunto que esteve na última colocação e que hoje ocupa a metade da tabela. Aliando sua intensidade na marcação ao seu passe refinado e visão de jogo, Canteros tem sido fundamental para o Fla. Apesar de estar na zona de rebaixamento, também o Palmeiras recebeu uma boa herança da equipa de Ricardo Gareca – Augustín Allione, de apenas 19 anos, é um articulador versátil e moderno. Na Série B, destaque para Martín Silva, goleiro vice-campeão da América em 2013 com o Olímpia, que vem sendo uma das poucas referências do Vasco da Gama, gigante brasileiro em decadência.

Reiterando, o Brasil não produz mais jogadores como antigamente, o que aumenta o volume de atletas estrangeiros. Mas a presença de estrangeiros não é algo novo: o mercado sul-americano sempre teve espaço e, com a diferença do poder de aquisição dos clubes brasileiros em relação aos demais latinos, o Brasil é um mercado cada vez mais atrativo e dominante na America do Sul.