Quando surgiu no futebol, Paulo Henrique “Ganso” encantou todos com o seu talento. O médio iniciou a sua carreira no Futebol de Salão da Tuna Luso Brasileira, mas, ainda jovem, foi para as camadas jovens do Santos FC. No peixe praiano, Ganso subiu aos profissionais aos 19 anos, assumiu logo a titularidade da equipa e ainda herdou a maior camisola de sempre do futebol mundial, a “10” santista. Camisola essa que Pelé eternizou.

O seu começo de carreira foi extraordinário. O médio tinha um talento fora do comum, não era um simples jogador. A visão de jogo, aliada à qualidade do passe e aos lançamentos, eram as suas principais qualidades. Com apenas um toque na bola, o atleta tinha a capacidade de fazer um lançamento de 30, 40 metros. Apesar da tenra idade na época, Ganso demonstrava ser um jogador maduro.

Na final do Campeonato Paulista de 2010, o Santos teve dois jogadores expulsos. O treinador Dorival Júnior ia fazer uma substituição para fechar a equipa e garantir o título. O substituído seria Paulo Henrique Ganso, mas recusou-se a sair de campo. Não por birra, mas sim por ter a consciência de que se saísse, a equipa ficaria mais frágil, pois não teria ninguém para segurar a bola e gerir o jogo. O seu futebol era tão vistoso, que o jogador ficou na lista dos 30 convocados para o Mundial de 2010, e o seu futuro na Seleção Brasileira parecia certo.

Ganso foi companheiro do Neymar no Santos e na Seleção Brasileira
Fonte: cbf.com.br

Em 2012, o médio ofensivo saiu do Santos e foi de maneira conturbada para o rival São Paulo FC. No Tricolor, ainda colecionou boas partidas, mas algumas lesões atrapalharam-no e o seu rendimento já não era o mesmo. Contudo, ainda conseguiu o seu objetivo – transferir-se para o futebol europeu. O seu destino foi o Sevilha FC. Em Espanha, ficou por duas temporadas, jogou pouco e os espanhóis consideraram que desperdiçaram o dinheiro investido na contratação do atleta. O futebol do jogador não se encaixou no clube.

Ganso precisa que a equipa jogue para ele, e não teve isso no Sevilha. Quando Sampaoli era o treinador, jogavam com alta intensidade e faziam a transição ofensiva com muita velocidade. Quando a bola chegava ao jogador, essa transição parava. O treinador deixou de o usar, nem como suplente. Algumas propostas vieram, mas o médio recusou sair para um clube menor. Porém, no início desta temporada, percebeu que não teria mais espaço no Sevilha e foi para o modesto Amiens SCF da França.

No clube francês, o seu futebol também não evoluiu e, em apenas seis meses, foi dispensado. Atualmente, o jogador não tem mercado em nenhum clube grande ou médio da Europa. Um retorno para o Brasil deve ser o seu próximo passo. Fluminense FC e Club Athletico Paranaense manifestaram interesse na contratação do atleta, porém, o seu alto salário, cerca de 800 mil reais/mês (cerca de 186 mil euros), assustou os dois clubes brasileiros. Interessante que, até no Brasil, nenhum clube que lutará por grandes títulos esta temporada demonstrou interesse no jogador.

O destino de Ganso deverá ser definido até à próxima semana. Resta sabermos se o jogador recuperará pelo menos metade do futebol que já apresentou outrora. Infelizmente, a promessa de se tornar um jogador importante para a seleção brasileira nunca se concretizou. A desconfiança no seu futebol é grande e o seu estilo de jogo limita as suas opções de mercado. Seria bom vê-lo brilhar novamente. Agora, resta-nos aguardar como será a sua nova temporada.

Foto de capa: CBF

Artigo revisto por: Jorge Neves

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