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Em Portugal inventou-se uma das maravilhas do século XXI: a Via Verde. Sem querer fazer publicidade gratuita – até porque não é essa a função do jornalista, que deve abrir o leque de opções e não restringi-las – o moderno sistema permite que o carro não pare numa zona de portagem e prossiga, veloz e errante, o caminho até ao seu destino. Houve outros países que obviamente introduziram a ideia. O Brasil foi um deles – lá, o sistema chama-se “Sem Parar”. O nome diz tudo.

Apesar disso, não foi apenas no asfalto que o “Sem Parar” se fez sentir. Também no futebol o desejo da velocidade se exprimiu. Assim, mesmo em tempos de grandes competições internacionais, como é o caso do Mundial ou da Copa América, o Brasileirão continua. Incrível, não é? Só neste ano de 2014, com o “escrete” a jogar em casa, é que o campeonato principal de futebol daquele país finalmente parará. E isto só porque é jogado precisamente em casa. Ora, se o calendário de todas as competições é apertadíssimo, o que dizer depois de quase dois meses de interregno? Até me apetece dizer que os times brasileiros saíram da Libertadores de propósito. Libertadores estranha, a deste ano…

Serie A só vai parar porque a Copa é em casa… Fonte: elefanteverde.com.br
Serie A só vai parar porque a Copa é em casa…
Fonte: elefanteverde.com.br

Esta é a prova de que as grandes competições, com seus respetivos calendários e horários, são escolhidos ao sabor das vontades dos europeus. Muitos falam do calor que se fará sentir no Brasil. Mas muitos se esquecem, também, de que lá é inverno. Abaixo de Minas Gerais será frio a tempo inteiro. São Paulo que o diga. Ainda esta semana caiu neve na maior cidade das Américas. Por isso, antes de falar mal do futebol brasileiro – para os céticos, claro está – pensem nas vicissitudes de um país periférico em termos de poder internacional. Sim, porque em termos de vitórias de seleção, elas estão aí para esclarecer qualquer descrente.

Observação: O Fla-Flu é o jogo mais charmoso do Rio de Janeiro. Disso ninguém duvida. Na Séria A deste ano deu Flu. 2-0. Placard final. Os tricolores estão bem melhores do que os congéneres cariocas. Só que o clássico deste ano teve um aperitivo especial: pela primeira vez, ambos os técnicos de cada equipe eram negros. Num clássico centenário, ainda não tinha havido oportunidade para que tal acontecesse. O Flamengo sempre teve mais ligação aos negros da cidade. Fundado que foi por bases populares. Mas o Fluminense, apesar de ser mais elitista, contou igualmente com muitos mulatos durante o século de existência da instituição. É sempre bonito ver que no Brasil o futebol não se move através da cor das pessoas. Só existe uma: a humanidade.

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O Daniel Melo é por vezes leitor, por vezes crítico. Armado em intelectual cinéfilo com laivos artísticos. Jornalista quando quer. O desporto é mais uma das muitas escapatórias para o submundo. A sua lápide terá escrita a seguinte frase: "Aqui jaz um rapaz que tinha jeito para tudo, mas que nunca fez nada".                                                                                                                                                 O Daniel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.