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A última (e única) vez que Juventus e Mónaco se encontraram numa meia-final da Champions (1997/98), a eliminatória teve 10 golos, um recorde nesta fase da prova. A avaliar por isto, o Monaco-Juve de hoje era um jogo que prometia. O futebol, porém, foi mudando desde há 20 anos para cá e imaginar o mesmo número de golos seria puro exercício de fantasia.

Hoje, o talento é subjugado pelas estratégias e a adaptabilidade aos contratempos. Assim se explica a vantagem da Juve da rumo a Cardiff, materializada nos golos de Higuaín.

O Mónaco teve dificuldades em entrar no jogo. Estava amputado nas alas defensivas (tão importantes… no ataque), jogando com o adptado Dirar na direita e Sidibé (normalmente lateral-direito) na esquerda. A Juve tentava colocar isso a seu favor, usando três centrais que permitiam a projeção ofensiva dos laterais Dani Alves e Alex Sandro, o que tornou a partida muito complicada para os orientados de Leonardo Jardim durante os primeiros minutos da primeira parte.

Com o passar do tempo o Monaco adaptou-se, teve mesmo a melhor situação de perigo da primeira parte, fazendo uso de uma … contra-estratégia. Aproveitando a exposição dos laterais da Juve, Jardim mandou subir os seus; Dirar ouviu as instruções do míster, passou a pisar mais o terreno contrário e quase era feliz – tirou cruzamento à medida do pé de Mbappe, que disparou à queima, para grande defesa de Buffon.

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A Juve recompôs-se do susto, pareceu adormecer o jogo até voltar à estratégia inicial, da qual tiraria dividendos palpáveis – Dani Alves, numa das muitas incursões pelo flanco direito, recebeu um passe mágico saído do calcanhar de Dybala, e, sempre em progressão, assinou combinação perfeita com Higuaín culminada num passe de calcanhar do brasileiro para o tiro certeiro do argentino. 29’, 1-0. A Juve voltou a sossegar o jogo. Colocou amordaças e amarras num Mónaco que não estrabuchou até ao intervalo.

 

"Cardiff à vista" dirá Buffon Fonte: F51
Cardiff à vista para Buffon
Fonte: F51

A segunda parte conheceu um Mónaco mais atrevido, sem receio de apostar alto, distanciando a linha média da defensiva, de forma a compactar o ataque, e conseguiu perturbar o descanso que a Velha Senhora queria para o jogo. Aos 46’, Bernardo Silva furou por entre o meio-campo italiano, deu em Falcao e o colombiano, isolado, rematou à figura de Buffon.

Perante esta declaração de intenções, a Juve adaptou-se e procurou explorar o erro adversário como tão bem gosta. Marchisio, condicionando a saída de bola de Lemar, isolou-se e atirou para defesa de Subasic. Um ensaio para o que aí vinha, outra vez com a dupla Dani Alves&Higuaín – numa saída para o ataque, o ex-Barcelona, sobre a direita visou o segundo poste, onde apareceria o Pipita, a bisar.

Com dois golos de vantagem, a Juve, senhora do seu nariz e experiente nestas andanças, soube ter do jogo aquilo que pretendia. E sossegou qualquer tentativa de reação monegasca. Censurou as vozes (pés) revolucionários de Bernardo Silva ou Mbappe e chegou ao fim do jogo com uma vantagem tão natural quanto merecida rumo a Cardiff, traçando-se, no horizonte, a reedição da final da Champions do tal ano de 1997/98 – Juventus – Real Madrid.

Foto de capa: Getty Images