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Os alemães do Borussia Dortmund não atravessam o melhor momento da temporada, deixando-se alcançar na liderança da liga alemã pelo rival de Munique e encaixando uma derrota pesada na primeira mão dos oitavos de final em Wembley. Para reverter esta situação contaram com o suplemento da moldura humana do Signal Iduna Park, que mais uma vez provou ser uma das mais fantásticas da Europa. Do outro lado, os spurs procuravam salvar a temporada através da caminhada europeia e sabiam que se marcassem teriam o carimbo dos “quartos” quase garantido.

A tarefa não se previa fácil para die Borussen e Lucien Favre operou uma revolução no onze inicial em relação àquele que saiu derrotado de Londres. Entraram para a defesa Wolf, Akanji e Weigl, que renderam Zagadou, Diallo e Toprak. Reus, Guerreiro e Paco Alcácer substituiram Thomas Delaney, Christian Pulisic e Mahmoud Dahoud. Por outras palavras, apenas o guarda-redes Burki, Diallo, Witsel, Sancho e Gotze resistiram às alterações. Do lado britânico, Ben Davies substituiu Foyth e Harry Kane regressou naturalmente ao onze inicial, relegando Lucas Moura para o banco.

Cabia aos alemães procurar o golo visto que estavam em clara desvantagem na eliminatória e não se esperava mais do que uma clara supremacia na posse de bola e nas oportunidades de golo. À parte de um remate desenquadrado de Son, onde ficam algumas dúvidas relativamente à legalidade da intervenção do defesa germânico, os spurs não apareceram no jogo senão no seu meio campo defensivo. O Borussia Dortmund pressionava alto, uma constante durante toda a primeira metade, e recuperava inúmeras bolas, mas falhava sucessivamente o último passe.

Lloris foi chamado a intervir um punhado de vezes e em todas elas revelou segurança e provou estar à altura do estatuto de campeão do Mundo. Se Reus e Sancho não deram direção ao remate e facilitaram o trabalho do guardião gaulês, o mesmo não se pode dizer de Gotze ou Weigl. Aos 33 minutos, na sequência de três cantos consecutivos, Weigl cabeceou para defesa espetacular e, mais tarde, Gotze recebeu no coração da área e rematou em arco para nova parada vistosa.

Quase todas as ações dos visitantes se resumiam a procurar Kane e Son à distância e eram eles contra a Yellow Wall, que empurrava os alemães para o ataque e esmagava com assobios qualquer intervenção dos britânicos. O nulo ao intervalo repetia-se na segunda mão.

A Yellow Wall voltou a dar um espetáculo à parte. “Até carregarmos o caneco sobre a relva como em ‘97!”
Fonte: BVB Dortmund

Como na primeira mão, a palestra de Pochettino ao intervalo surtiu efeitos logo no reatar da partida. Os ingleses entraram mais esclarecidos do que em toda a primeira parte e chegaram ao golo logo aos 48 minutos. Aproveitando uma distração alemã, Sissoko deu o melhor seguimento a uma bola perdida e, de primeira, isolou Kane, que frente a Burki não vacilou e tornou-se o melhor marcador dos spurs em provas europeias. Se dúvidas havia, o matador inglês colocou uma pedra sobre a eliminatória e apartir de então o Dortmund perdeu o amarelo vibrante e parecia jogar de cinzento.

Sentado numa vantagem de quatro golos, o Tottenham HFC passou a controlar o jogo, ainda que sem bola. Entregou novamente a iniciativa aos alemães, mas Sissoko e Winks, e mais tarde Dier, vigiaram de perto Reus e Gotze, que raramente se mostraram, e a criação de oportunidades ficava entrege a Witsel. O belga tinha dificuldades em encontrar colegas para progredir no terreno e nem Jadon Sancho esteve ao seu nível habitual. Aos poucos, os ingleses conseguiam ter mais bola e então trocá-la a seu bel-prazer, jogando com o relógio e prolongando a agonia germânica.

Aos 76 minutos, os recém-entrados Delaney e Pulisic podiam ter alterado o marcador, mas o norte-americano não deu o melhor seguimento ao cruzamento do dinamarquês, Lloris controlou sem esforço. O bloco inglês, coeso e recuado, oscilava com tranquilidade perante uma desinspiração total dos alemães e prova disso foi a quase inexistência de Paco Alcácer em toda a partida. Aos 84 minutos, Brunn Larsen, que entrou muito bem na partida, substituindo Raphael Guerreiro, rematou de longe, sem perigo, e cinco minutos depois isolou Alcácer. Na melhor oportunidade dos da casa, o espanhol rematou contra Lloris que já estava a seus pés. Uma perdida incrível.

Ainda antes do final da aprtida, no primeiro minuto de compensação, Aurier subiu pela direita e cruzou com veneno para o segundo poste onde apareceu Pulisic a negar o segundo golo que seria de Lamela. Se alguma esperança houvesse na recuperação do BVB Dortmund, a exímia exibição defensiva dos ingleses e o golo de Kane no arranque da segunda parte demoveram qualquer crente. A caminhada dos alemães de Dortmund termina pelos oitavos de final ao som de “auf wiedersehen” entoado pelos adeptos ingleses. Os spurs, esses, continuam a perseguir o sonho europeu nos ombros de Kane e Lloris.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

BVB Dortmund: Roman Burki; Marius Wolf (Brunn Larsen, 62’), Akanji, Julian Weigl e Diallo; Axel Witsel, Raphael Guerreiro (Christian Pulisic, 62’), Marco Reus (Thomas Delaney, 74’), Mario Gotze e Jadon Sancho; Paco Alcácer.

Tottenham HFC: Hugo Lloris; Sèrge Aurier, Toby Alderweireld, Davinson Sánchez, Jan Vertonghen e Ben Davies; Harry Winks (Eric Dier, 55’), Sissoko e Christian Eriksen (Danny Rose, 83’); Son Heung-min (Érik Lamela, 70’) e Harry Kane.

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