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Força da Tática: Prometi nunca te trair Pep mas amo-te Julian

João Mateus · 5 min

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Na segunda jornada do Grupo F, o último classificado Manchester City deslocou-se até à Alemanha para defrontar o TSG Hoffenheim. Maior novidade que os citizens ocuparem a última posição do grupo, só mesmo o próprio adversário que iam enfrentar, já que era a primeira vez que o Rhein-Neckar-Arena ia receber um jogo da Liga dos Campeões (fase de grupos).

Ao comando do Hoffenheim está Julian Nagelsmann, que continua a adicionar capítulos aquela que já é uma das melhores histórias do futebol europeu nos últimos anos. Agora, qualquer história sobre futebol que não tenha a participação de Guardiola fica, no mínimo, incompleta.

Ontem, essa história, ficou mais completa, mas (muito) longe de estar finalizada.

A equipa inicial do TSG Hoffenheim em Portugal era o “choradinho”

Vogt, Kasim Adams, Hübner, Nordtveit, Bicakcic, Schulz e Steven Zuber. Sete jogadores, que têm em comum o facto de, para além de serem peças importantes, estarem fora deste jogo. Os primeiros cinco, que enumerei, são defesas centrais.

Enfim, uns ligeiros problemas para aquele que era o maior jogo, até à data, da história do clube.

Julian Nagelsmann, em resposta a esses pequeníssimos problemas, foi pela segunda vez (depois do último jogo para a Bundesliga) à equipa B resgatar Hoogma para o papel de Vogt. Alternado entre a posição de defesa central (no meio de Akpoguma e Posch) e de médio defensivo.

Com alguma surpresa, Kramaric e Bittencourt ficaram fora das opções iniciais, com Joelinton e Demirbay a ocuparem as suas posições.

Equipa inicial do TSG Hoffenheim: Baumann, Akpoguma, Hoogma, Posch, Kaderabek, Grillitsch, Brenet, Szalai, Demirbay, Belfodil e Joelinton.

Já o Manchester City FC, com um olho em Anfield, fez alinhar Ederson, Walker, Kompany, Laporte, Otamendi, Gundogan, Fernandinho, Silva, Sane, Aguero e Sterling. Bernardo começou o jogo no banco.

Golo Hoffenheim

Melhor início era difícil. Os comandados de Nagelsmann, desde um lançamento lateral, sobrecarregaram o corredor direito com quatro homens. O Ponta de lança (Szalai, que baixa para devolver o arremesso), Joelinton (avançado pela direita, que fixa o lateral esquerdo), e o médio centro do lado da bola (que fixa o jogador do City, e abre a linha de passe interior para o outro médio). Já Belfodil (avançado pela esquerda), movimenta-se para ocupar a posição central, que é originalmente de Szalai, e por sua vez Kaderabek (ala lateral esquerdo) ocupa a dele, bem projetado no campo.

Fonte: BT Sport

Quando recebe a bola, Demirbay, avança com ela em direção à linha defensiva adversária, isolando Belfodil no movimento vertical deste, entre os dois centrais. Ficam algumas dúvidas se Fernandinho não se podia ter posicionado melhor, a nível corporal, para cortar a linha de passe.

O golo demonstra bem a forma como o Hoffenheim usa os corredores para agredir o adversário. Ao contrário de Guardiola, que procura dar máxima largura para esticar a linha defensiva do adversário e assim aproveitar os espaços entre os jogadores adversários, Nagelsmann têm uma abordagem mais direta. As combinações e os envolvimentos que vemos nos corredores, têm como objetivo a abertura de linhas de passe para o corredor central.

Demirbay, que é o jogador chave para o TSG Hoffenheim no que diz respeito à penetração no bloco defensivo adversário. Como vemos em baixo, nesta comparação referente à última época, o alemão é fortíssimo na forma como usa o passe para criar oportunidades, mas também têm no drible uma arma importante.

Fonte: Squawka Stats

Empate City

Quando falamos de criação de oportunidades e penetração no bloco adversário, é injusto comparar David Silva seja com quem for.

Fonte imagens: BT Sport

Lance corrido


Fonte: BT Sport

Organização Defensiva Hoffenheim

Neste momento do jogo, a equipa alemã posicionava-se em 4-3-3 e não no habitual 5-3-2, mais uma demonstração da qualidade do treinador. A base da estratégia coletiva são princípios de jogo e não esta ou aquela formação.

O Hoffenheim pressiona de forma passiva o adversário, usando de forma racional os depósitos de energia dos seus jogadores, apenas em determinadas zonas vemos a equipa com um comportamento agressivo contra a bola.

Fonte: BT Sport

A forma como o Manchester City usa e trabalha os espaços entre linhas (como no primeiro logo) é fenomenal, sendo parte importante da manobra ofensiva. Em resposta, Julian Nagelsmann fez Hoogma (no papel o central do meio, na linha de três) avançar ligeiramente para a posição #6, entre Demirbay e Grillitsch (que normalmente é quem ocupa a posição de médio defensivo no 5-3-2).

Normalmente joga com dois homens na frente, contra o City vai meter três? Era meter o autocarro!

Mais uma vez a questão dos princípios. Para Nagelsmann é fundamental ter uma forte presença na primeira linha de pressão. Normalmente, e apesar de no papel o 5-3-2 indiciar a presença de dois homens na frente, o Hoffenheim coloca sempre três jogadores nessa linha.

Essa colocação de três homens, no 5-3-2, é possível com a subida de o médio interior do lado esquerdo quando o adversário começa a circular a bola para o seu lado. Esta subida, abre espaço interior momentaneamente, precisamente na zona entre o corredor lateral e o central, onde o City é demolidor se um jogador receber a bola livre.

Exemplo da criação espaço, no confronto com o Dortmund.

Fonte: Bundesliga TV

Contra o City, a mesma presença na primeira linha de pressão, mas uma melhor ocupação dos espaços interiores. Hoogma avança para médio defensivo e permite que Grillitsch ocupe o espaço a que me refiro.

Fonte: BT Sport

De Zinchenko a Laporte, a vida na lateral esquerda do City

No último jogo, vitória contra o Brighton, Guardiola colocou o ucraniano na lateral esquerda, ontem optou pelo francês. De origem, um é extremo e o outro é central.

Comparando o mapa de ação dos jogadores num e no outro jogo, podemos ver uma clara diferença.

Zinchenko vs Brighton
Fonte: WhoScored.com
Laporte vs Hoffenheim
Fonte: WhoScored.com

Para além de eu ter invertido a segunda imagem, para ser mais fácil perceber, existe outra diferença. Laporte ocupou posições muito mais exteriores. O objetivo era arrastar o médio centro (Demirbay) da zona interior. Guardiola sabia que para ganhar o jogo era necessário destabilizar o domínio que o Hoffenheim tinha sobre o corredor central.

Quantos pessoas que estavam a ver o jogo terão dito qualquer coisa como: “Quer ganhar o jogo e mete o Stones? “

Precisamente, por querer ganhar o jogo, coloca o Stones em campo. A entrada do inglês, e depois de Bernardo, acentuou essa intenção de Guardiola em destabilizar o domínio central do adversário.

Mapa de ação de Stones e Bernardo
Fonte: WhoScored.com

Finalmente, no lance que valeu a vitória, o Manchester City consegue arrastar o médio interior para o corredor, destabilizando a estrutura que permita ao Hoffenheim ter o controlo das zonas interior.

Fonte: BT Sport

City trabalha o lance no corredor direito, esperando o momento certo para rodar a bola para o corredor oposto. Momento certo: Assim que Hoogma (médio defensivo) chega próximo daquela zona.

Reparem, em baixo, como é nesse preciso momento, mal ele se prepara para se posicionar, que o City roda a bola para o lado oposto. Assim, como esse timing perfeito, foi impossível a Hoogma chegar ao corredor oposto a tempo.


Fonte: BT Sport

Pep e Julian, em nome de todos,

Obrigado.

Foto de Capa: TSG Hoffenheim

João Mateus

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