A CRÓNICA: SEGUNDA MÃO SEM BRILHO GARANTE “MEIAS” TRÊS ANOS DEPOIS

A segunda mão dos quartos de final levou o Real Madrid CF em vantagem (3-1) até Anfield. A “remontada” exigia a perfeição a Klopp e à sua equipa: marcar dois golos e não sofrer nenhum. A Zidane e aos seus jogadores “bastava” uma infinidade de resultados, todos os que não significassem a derrota por dois ou mais golos. A tarefa afigurava-se bem mais simples para os visitantes, mas qualquer que fosse o desfecho já significaria um melhor desempenho em relação à época transata; ambas as formações foram eliminadas nos oitavos de final em 2019/20.

O minuto de silêncio em memória do Príncipe Philip, onde não se ouviu ruído algum, escondeu uma equipa sedenta de revolta e de golo. Ainda corria o segundo minuto de golo e já Mané servia Salah no coração da área. Valeu o desacerto do egípcio e a perna esticada do guardião belga a evitar a entrada perfeita dos reds na partida.

O impedimento de Mané e a sapatada de Courtois a negar a tentativa de Milner foram as consequências seguintes ao domínio do Liverpool FC, nos primeiros 20 minutos da partida. Remetidos ao seu meio-campo e com poucas tentativas de construção apoiada, os blancos saíam na velocidade e baseados em processos rápidos e simples.

Por volta do minuto 20, Benzema trabalhou curto em frente aos jovens centrais adversários e rematou ao poste direito de Alisson. Pouco depois, Vinícius tentou a sorte de longe, mas Alisson voou para agarrar a intenção do brasileiro, a estrela da primeira mão.

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Rapidamente, os reds assumiram de novo os destinos da primeira parte e remeteu os de Madrid para os últimos 30 metros de terreno. Aos 38 minutos, Arnold tentou assistir Mané ao segundo poste, mas o senegalês chegou atrasado para a emenda. Minutos depois houve jogada de entendimento entre os dois africanos do ataque inglês. Mané deixou para Salah, que rematou muito por cima.

O mesmo destino teve o remate de Wijnaldum no minuto seguinte, após passe atrasado de Arnold para o coração da área. Foram quatro as jogadas de maior assédio à baliza dos merengues antes do apito para o intervalo e que já faziam por merecer a vantagem caseira. O Real Madrid CF tinha tudo a correr a seu favor: o cronómetro, o desacerto dos reds e a atenção de Courtois.

O problema de escassez de defesas centrais não era hoje o problema do Liverpool FC, que deram bem conta do recado. Era, isso sim, o desacerto na hora de visar a baliza adversária. O jogo, o resultado e a eliminatória pediam Diogo Jota na segunda parte.

A segunda parte reatou como terminou a primeira: os mesmos 22 em campo e os reds mais perto do golo. A trivela de Alexander-Arnold encontrou Firmino já dentro de área e o brasileiro superiorizou-se ao compatriota Militão e rematou para defesa apertada de Courtois.

Aos 66 minutos, um alívio de Valverde isolou Vinícius e só a oposição rápida de Alisson evitou maior fosso no resultado da eliminatória. Na recarga, novamente o guardião brasileiro atirou-se aos pés de Benzema e impediu o remate do francês.

No lance seguinte, ao minuto 70, apareceu Jota, dez minutos depois de entrar em campo. Tirou Valverde do caminhou, aguentou a pressão dos centrais e rematou ligeiramente ao lado. Mas foi “sol de pouca dura”, já que a partir de então o Liverpool FC revelou enorme frustração e a capacidade de chegar a zonas de finalização foi descendo gradualmente e esbarrando numa exibição muito capaz da muralha merengue.

As substituições de Zidane visaram apenas refrescar o ataque, para tentar nova ferida nos reds já cambaleantes e garantir mais força no centro do terreno. Do lado dos de Liverpool, o sangue fresco trouxe pouca objetividade e sede de golo aos que já se arrastavam em campo, em desespero pelo golo que relançasse a eliminatória.

Surgiu novamente Courtois nos descontos a negar o golo a Salah, depois da tentativa de assistência de Thiago Alcântara. O nulo que se verificou quando Bjorn Kuipers apitou pela última vez garantiu a eliminação do Liverpool FC da Liga dos Campeões, depois de uma partida de domínio consentido e muita desinspiração na frente de ataque.

Aos máximos vencedores da prova, o Real Madrid CF, a partida correu de feição, com uma exibição segura e paciente que carimbou a passagem à final four, onde já os esperava o Chelsea FC. Ponto final nas aspirações britânicas e nova surpresa na época dos espanhóis, visto que a meio de abril ainda podem ser campeões nacionais e europeus.

 

A FIGURA

Éder Militão (Real Madrid CF) – Não caiu nas graças de Zidane desde a sua chegada a Madrid, mas, beneficiando dos afastamentos de Sergio Ramos e Raphael Varane, vai assumindo a candidatura à titularidade da defesa blanca. As suas recentes exibições também têm ajudado, é certo, e a de hoje será mais uma a juntar à coleção de “partidazos”: sete cortes, três remates intercetados e dois desarmes. Venceu quatro dos cinco duelos que disputou e teve um acerto de passe a rondar os 80%. Numa partida onde o Real esteve encostado à sua área, o brasileiro ex-FC Porto evidenciou-se na proteção à baliza de Courtois.

O FORA DE JOGO

Mohamed Salah (Liverpool FC) – Se de um lado se evidenciou um defesa, do outro destacou-se, negativamente, um avançado. A noite foi cinzenta para toda a equipa do Liverpool FC, mas em particular para o trio ofensivo. Firmino ainda procurou rematar e associar-se com os seus companheiros e Mané teve lances individuais interessantes, mas o egípcio esteve mesmo no centro da negatividade da equipa de Klopp. Revelou uma rara demora na altura de rematar, alguma atrapalhação e indecisão, algo que raramente lhe era visto. Desperdiçou logo no segundo minuto de jogo um lance isolado, só com Courtois pela frente. O lance que podia ter virado a eliminatória ou pelo menos colocar os adversários sob brasas e garantir maior ânimo e motivação aos reds. Uma noite onde tudo lhe correu pelo pior.

 

ANÁLISE TÁTICA – LIVERPOOL FC

Os reds apostaram novamente na dupla de centrais Phillips-Kabak na linha de quatro mais recuada, com a habitual companhia de Roberts e Arnold. O centro do terreno ficou entregue a Fabinho, Wijnaldum e Milner, com o brasileiro a atuar mais recuado e a entregar ao holandês e ao inglês as tarefas de apoio ofensivo e equilíbrios defensivos, respetivamente.

A frente de ataque foi entregue ao trio do costume; Mané e Salah nas linhas serviam o ”falso nove” Roberto Firmino. Com a saída de Kabak e Milner à hora de jogo, Fabinho recuou para o centro da defesa e Thiago Alcântara entrou para ajudar nos processos ofensivos, garantindo, na teoria, maior qualidade de passe e na hora de servir os avançados.

As entradas posteriores de Jota, Chamberlain e Xhaqiri mexeram pouco ou nada com a partida e personificaram o desânimo e apatia que vêm caracterizando a temporada da turma de Klopp.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Alisson Becker (7)

Alexander-Arnold (7)

Nathaniel Phillips (6)

Ozan Kabak (6)

Andrew Robertson (6)

Fabinho (7)

James Milner (6)

Georginio Wijnaldum (6)

Mohamed Salah (6)

Roberto Firmino (7)

Sadio Mané (6)

SUBS UTILIZADOS

Thiago Alcântara (7)

Diogo Jota (6)

Xherdan Shaqiri (5)

Oxlade-Chamberlain (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – REAL MADRID CF

Os blancos apostaram novamente no 4-3-3 e reeditaram a dupla de centrais da primeira mão: Nacho e Militão. A surpresa veio das linhas. Não por Mendy, lateral esquerdo, mas por Valverde na lateral direita.

O trio experiente e de qualidade mundial do meio campo foi, sem surpresa, composto por Casemiro, mais recuado, e Toni Kroos e Modric na sua frente. O trio de ataque foi, uma vez mais, cópia da primeira mão: Karim Benzema atuou como ponta de lança com o apoio de Asensio e Vinícius Júnior nas linhas.

A entrada de Odriozola libertou Valverde para o seu terreno habitual, o meio campo, e o uruguaio trouxe maior capacidade de controlo sobre as investidas adversárias.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Thibaut Courtois (7)

Ferland Mendy (7)

Nacho Fernández (6)

Éder Militão (8)

Federico Valverde (7)

Toni Kroos (6)

Casemiro (6)

Luka Modric (6)

Vinícius Junior (7)

Karim Benzema (6)

Marco Asensio (6)

SUBS UTILIZADOS

Álvaro Odriozola (6)

Rodrygo Goes (6)

Isco Alarcón (-)

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