A CRÓNICA: O “UNDERDOG” TEM SEMPRE UMA PALAVRA A DIZER

Na 1.ª mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões, o Olympique Lyonnais recebeu e bateu a Juventus FC por uma bola a zero. No primeiro tempo a Juventus começou melhor, encostando o Lyon atrás, porém, sem verdadeiras ocasiões de golo.

Após o quarto de hora inicial, os franceses equilibraram, acertaram marcações e, com bola, era como se fossem os favoritos nesta eliminatória. Ekambi (bola à trave) avisou, Tousart marcou (31’). Aquilo que era apontado como um “passeio” da equipa transalpina, começou a tornar-se um caso complicado.

Não fosse a falta de pontaria dos les gones, a Juve podia ter ido para os balneários em maior desvantagem. Na segunda parte, os comandados de Sarri voltaram com “outra cara”, ainda que, com a mesma (entenda-se, nenhuma) clarividência no último terço. Escassas foram as chances de perigo perto da baliza de Anthony Lopes.

No campo da estratégia, Rudi García deu uma lição de futebol a Sarri. Um futebol em que o coletivo é maior que qualquer individualidade. Soube criar perigo, chegar à vantagem, jogar sem bola e tê-la em posse.

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Fez um desenho onde mostrou aos seus jogadores o caminho para a vitória e escolheu os homens certos para interpretar o esquema tático. Se perfeição existisse, estes seriam os 90 minutos mais próximos de tal.

 

A FIGURA
Fonte: Olympique Lyonnais

Olympique Lyonnais – Onze guerreiros escolhidos por um estratega, que soube explorar os pontos fracos do adversário e utilizar os fortes da sua equipa. Entrou em campo para ganhar, sem autocarros à frente da baliza, nem perdas de tempo que costumam (infelizmente) caraterizar conjuntos “menos fortes” ou não favoritos. Conseguiu tirar partido do fator casa para levar vantagem para Turim. Coragem, ambição, devoção. Tudo menos receio do melhor do mundo e companhia.

O FORA DE JOGO
Fonte: UEFA

Maurizio SarriOs tempos que antecederam este jogo deixavam antever tal desfecho. Se a nível de resultados, a temporada da Juventus até não tem sido longe do expectável, no campo das exibições não se pode dizer o mesmo. A caminhar para a fase decisiva de todas as competições, o treinador italiano ainda não encontrou a fórmula, o onze, ou a estratégia ideal para tornar a Juve naquela equipa dominante que nos habituou e chegava longe nas provas europeias.

 

ANÁLISE TÁTICA – OLYMPIQUE LYONNAIS

Perante a inconstante prestação na Ligue 1, Rudi García tenta fazer da presença na Champions dos super-plantéis como que um brilharete ou salvação da época. Ousado ou demasiado defensivo, na opinião dos “entendidos”. Um 3-5-3 no processo ofensivo, desdobrável em 5-3-2 sem bola. Um esquema que não é fácil de apresentar, nem de defrontar. Três centrais, dois laterais/extremos (Dubois mais de contenção, Cornet de rotinas mais ofensivas). No centro do terreno, Tousart e Bruno Guimarães – dois organizadores – a guardar as costas a Aouar, o virtuoso criativo da equipa. Com a lesão de longo prazo de Memphis Depay, o emblema francês contratou o camaronês Ekambi para colmatar a sua ausência e apoiar Dembelé, o homem-golo desta temporada. 

11 INICIAL E SUBSTITUIÇÕES

Anthony Lopes (7)

Marçal (6)

Marcelo (6)

Jason Denayer (6)

Leo Dubois (6)

Maxwel Cornet (6)

Lucas Tousart (8)

Bruno Guimarães (7)

Houssem Aouar (8)

Toko Ekambi (6)

Moussa Dembelé (6)

SUBS UTILIZADOS

Martin Terrier (6)

Kenny Tete (6)

Joachim Andersen (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – JUVENTUS

A vecchia signora apresentou-se nesta primeira mão dos oitavos da Liga dos Campeões num 4-3-3, distinto do 4-3-1-2 habitualmente escalado por Maurizio Sarri na maioria das partidas esta temporada. Cuadrado (o jogador “híbrido” da Juventus) a dar largura no lado direito do ataque, com Ronaldo na esquerda e Dybala no centro. Uma frente ofensiva bastante móvel para “trocar as voltas aos três centrais do Lyon. Mais atrás, Pjanic – um dos intocáveis no onze – posicional e sempre de cabeça levantada a marcar o ritmo de jogo, ladeado por Bentancur e Rabiot, ambos com maior liberdade para a chegada à área. No setor mais recuado atuam os homens que melhor têm dado conta do recado, a guardar o titularíssimo Szczesny. 

11 INICIAL E SUBSTITUIÇÕES

Szczesny (6)

Danilo (5)

De Ligt (5)

Leonardo Bonucci (6)

Alex Sandro (6)

Miralem Pjanic (6)

Rodrigo Bentancur (6)

Adrien Rabiot (5)

Juan Cuadrado (5)

Paulo Dybala (6)

Cristiano Ronaldo (5)

 SUBS UTILIZADOS

Aaron Ramsey (5)

Gonzalo Higuaín (5)

Federico Bernardeschi (5)

Foto de Capa: UEFA

Artigo revisto por Diogo Teixeira

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