A CRÓNICA: “JOGÃO” EM FRANÇA E PARIS SAINT-GERMAIN FC ESTÁ NAS “MEIAS”

Segunda mão de um grande jogo. Segundo capítulo de um festival de golos que esperávamos ver pelo menos repetido, entre os franceses do Paris Saint-Germain FC e os alemães do FC Bayern Munchen. A partida que iria decidir quem passava às meias-finais da melhor competição de clubes do mundo.

Ponto prévio: Não é possível resumir esta partida e ao mesmo tempo transmitir o que se passou neste “show de bola”. Leiam, claro, mas se não viram, mais tarde tentem rever estes fantásticos 90 minutos.

Os primeiros minutos decorreram num ritmo alto, mas com a tendência que se verificou durante a primeira-mão a notar-se também no Parque dos Príncipes: PSG mais cauteloso a sair em transição rápida, enquanto o Bayern mais em ataque posicional, instalado no meio-campo dos parisienses. Entre os 25 minutos, duas grandes oportunidades para os bávaros, de meia-distância, e outra para Neymar, que permitiu a Neuer demonstrar porque é que é um dos melhores guarda-redes do mundo.

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Dribles sucessivos, remates ao poste, grandes cortes, defesas estrondosas… Uma primeira parte fantástica condizente com a dimensão dos artistas em campo. O PSG fazia por merecer estar a vencer, mas foi o Bayern que abriu a contagem, depois de uma bola de insistência na área finalizada de cabeça por Maxim Choupo-Moting. Chegava o intervalo e, honestamente, nem dei pelo tempo passar. Resultado injusto, depois do que vimos o PSG criar nas chegadas à baliza dos alemães.

Estava, portanto, à espera de mais 45 minutos deste nível e não me desiludi. Oportunidades nas duas balizas, com os jogadores de ambos os lados inspiradíssimos. Nos primeiros 10 minutos, Neymar subiu ainda mais a fasquia: cada vez que pegava na bola, originava uma jogada de perigo.

O jogo aproximava-se do fim, os craques continuavam a recrear-se e eu confesso: há muito tempo que não via uma partida com esta qualidade. Os intérpretes estavam todos a um nível altíssimo, mas a bola parecia não querer entrar mais na baliza, apesar das oportunidades se sucederem a um ritmo impressionante.

Até ao fim, prevaleceu a vantagem com os golos fora do PSG e terminou um dos melhores jogos de sempre desta competição, com os franceses a passarem com inteira justiça.

A equipa que sai vencedora de um jogo destes, para mim, é a principal candidata a vencer esta competição. Pelo menos, é por essa que eu vou torcer até ao final.

 

A FIGURA

A eliminatória – Tudo certo, esta partida foi possivelmente uma das melhores desta época, pelo menos das que eu tive oportunidade de ver. No entanto, há que valorizar o somatório dos dois jogos. Tanto na primeira mão como na segunda, vimos duas equipas – cada uma à sua maneira – a dar espectáculo. Muitas oportunidades de golo (podia ter terminado 6-6, à vontade), grandes pormenores… É destes jogos que se faz a história do futebol.

 

O FORA DE JOGO

Eficácia ofensiva do Paris Saint-Germain FC – Não poderia ser de outra forma. Acabar esta partida com zero golos depois do que criaram Neymar e Di Maria (principalmente), mas também Mbappé, quase que devia dar uma multa qualquer. A minha ideia era que a multa fosse um terceiro jogo, acho que saíamos todos a ganhar. Fica a proposta.

 

ANÁLISE TÁTICA – PARIS SAINT-GERMAIN FC

Depois da excelente vitória na neve alemã, Pochettino optou por utilizar a mesma tática (4-2-3-1) que, apesar de não ter sido brilhante, causou grandes problemas ao Bayern. A principal alteração teve a ver com a saída do capitão Marquinhos, por lesão, e a entrada de Paredes para o onze titular, recuando Danilo Pereira para central. A receita foi essencialmente a mesma, mas com a tentativa de serem mais sólidos defensivamente. Mais letais ofensivamente era difícil, claro.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Navas (7)

Dagba (6)

Kimpembe (7)

Danilo (7)

Diallo (6)

Paredes (6)

Gueye (7)

Di Maria (9)

Draxler (7)

Neymar (8)

Mbappe (7)

SUBS UTILIZADOS

Bakker (6)

Kean (5)

Herrera (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC BAYERN MUNCHEN

Para tentar uma remontada que entrava directamente para a história, Hansi Flick optou pelo figurino com que terminou a partida em Munique, há quase uma semana atrás, disposto em 4-2-3-1. Porque através das alterações – forçadas ou não – a equipa ficou melhor em campo e porque tem muitos lesionados, apresentando aqui um banco bastante desfalcado.

Kimmich fez dupla desta vez com Alaba, ao passo que Boateng e Hernandez assumiram o centro da defesa. O rapidíssimo Davies ficou na lateral esquerda e o resto da equipa manteve-se inalterada, ainda com a ausência mais sonante (Lewandowski) a ser substituído por Choupo-Moting. Alaba dá muito critério com bola, mas não desguarnece a equipa do ponto de vista defensivo, o que foi uma tremenda vantagem no “miolo”. Nota ainda para Hernandez, que voltou à posição de central, onde – na minha opinião – é um jogador de classe mundial.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Neuer (9)

Davies (6)

Hernandez (7)

Boateng (6)

Pavard (6)

Alaba (6)

Kimmich (7)

Coman (8)

Muller (7)

Sané (6)

Choupo-Moting (7)

SUBS UTILIZADOS

Musiala (6)