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O jogo entre PSG e Bayern Munique tinha tudo para ser o grande evento da segunda jornada da Liga dos Campeões. Afinal, frente a frente, iam estar duas das melhores equipas do mundo.

Dum lado, um colosso histórico. Do outro, um clube que, com todo o mediatismo que o rodeia, se tornou provavelmente no maior fenómeno futebolístico do século XXI.

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O PSG, a jogar em casa, apresentou-se com o seu 11 habitual. Na frente, o trio que tanto tem dado que falar, dentro e fora de campo: Neymar, Cavani e Mbappé.

O Bayern apresentou-se algo desfalcado no setor defensivo, com o guarda-redes Ulreich a substituir Neuer, lesionado, e com os centrais Boateng e Hummels de fora e no banco, respetivamente. No entanto, do meio-campo para a frente, a equipa alemã apresentava-se na máxima força, com Tolisso, Vidal e Thiago Alcântara no centro do terreno, e o trio Muller, James Rodríguez e Lewandowski na frente.

Esperava-se um encontro equilibrado, mas o PSG foi rápido a demonstrar que não estava para brincar: após o pontapé de saída do Bayern, e uma troca de passes dos alemães no seu meio- campo defensivo, a equipa francesa, a pressionar muito alto, recuperou a bola, por intermédio de Rabiot. E é este o momento chave do jogo: depois de alguns passes, a bola chega até Neymar, no corredor esquerdo. O brasileiro fez a diagonal até ao meio, fintando vários adversários, e entregou rasteiro na direita, onde já vinha Dani Alves. O lateral, solto de marcação, rematou forte, e fez o 1-0. Ao primeiro minuto de jogo.

O Bayern pareceu acusar o golo. Apesar de continuar com a mesma estratégia, e não ter partido desesperadamente à procura do empate, a equipa alemã pareceu um pouco desconcertada com a intensidade e qualidade de jogo do Paris Saint-Germain.

Só aos 11 minutos houve algum sinal de perigo da equipa de Ancelotti. Após um canto de Kimmich, Javi Martinez e Lewandoski tentaram o desvio de cabeça, mas a bola acabou por sair pela linha de fundo.

No minuto a seguir, mais um canto perigoso para os alemães. Kimmich bateu rasteiro, e Muller apareceu sozinho, na cara do guarda-redes, mas rematou para fora.

 

Depois do primeiro quarto de hora, o Bayern ganhou alguma confiança, e começou a fazer o PSG recuar. Aos 18 minutos, Javi Martínez rematou com muito perigo de fora da área, para uma boa defesa de Aréola. Aos 21, foi Lewandoswki, com um cabeceamento, após o centro de Alaba.

A equipa da casa reagiu com um contra-ataque. Depois de uma recuperação de bola e de uma corrida impressionante, Rabiot soltou em Cavani, que passou para Neymar, mas o número 10 adiantou em demasia a bola, e a jogada perdeu-se.

O jogo estava a entrar na sua melhor fase, com oportunidades de parte a parte, e depois do Bayern quase empatar, através de Alaba, o PSG contra-atacou de novo: grande jogada de Mbappé, que entregou a Cavani, mas o uruguaio rematou ao lado.

À passagem da meia-hora, o momento do encontro: numa jogada de vários passes entre a defesa e meio-campo da equipa de Unai Emery, a bola chega até Dani Alves, que solta na direita, para a desmarcação de Mbappé. O francês roda sobre dois adversários, e passa para trás, onde surge Cavani. O uruguaio, ainda de fora da área, remata em arco, e faz um golo fantástico. 2-0. Mais um golpe nas aspirações do Bayern na partida.

Cavani celebra o 2-0: mais um grande golo do avançado uruguaio Fonte: UEFA
Cavani celebra o 2-0: mais um grande golo do avançado uruguaio
Fonte: UEFA

Aos 37 minutos, outra jogada excelente do trio parisiense: cruzamento de Mbappé, toque de calcanhar de Neymar para trás, e remate de Cavani. No entanto, o ponta de lança rematou fraco, de pé esquerdo, para defesa de Ulreich.

Na segunda parte, o jogo continuou animado. Ancelotti fez entrar Kingsley Coman e Rudy, e o Bayern parecia querer dar a volta ao resultado.

Aos 49, após canto de Rudy, Javi Martínez cabeceou para golo, mas Thiago Silva cortou em cima da linha. Na resposta, mais uma saída rápida do PSG, com Mbappé e Neymar. O francês deixa o brasileiro na cara do guarda-redes, só que este desperdiçou.

Aos 53, outra oportunidade de golo para os franceses, num excelente remate em arco de Neymar, que saíu ao lado.

Nesta fase do encontro, ainda houve alguma disputa pelo resultado. Coman e Rudy, mais frescos, ainda criaram algum perigo, com uma boa incursão pela esquerda do francês, e um remate defora de área do alemão, que quase deu golo. Mas por mais organizado e metódico que o Bayern fosse, não estava a conseguir encontrar forma de parar os ataques rápidos parisienses.

É num destes ataques, aos 62 minutos, que surge o 3-0, por Neymar. Subida rápida de Dani Alves, pelo corredor direito, que depois entrega a bola a Mbappé. O jovem, com um toque incrível, tira Alaba do caminho, e remata. A bola ressalta em Javi Martinez, e sobra para Neymar, que empurra para golo.

A partir daqui, o resultado ficou sentenciado. Ancelotti ainda colocou Robben em campo, aos 69 minutos, mas não adiantou muito. O Bayern, tirando um remate cruzado de Coman, e um livre direto de Lewandowski, mesmo a fechar o encontro, não voltou a testar a atenção de Aréola.

O PSG, no entanto, podia ter feito mais golos. Primeiro, aos 70 minutos, com uma grande jogada coletiva, que Dani Alves finalizou com um remate rasteiro ao lado. Depois, aos 80 minutos, com um livre de Cavani, que passou ligeiramente por cima da baliza.

Após quatro minutos de compensação, o jogo terminou. O resultado aceita-se. A diferença de desempenho das equipas, durante o encontro, não justifica uma diferença de três golos, mas a eficácia coletiva dos franceses, mais a inspiração de Mbappé, Cavani e Neymar, foram decisivas para o desnível no marcador. Por outro lado, foi evidente a total inabilidade do Bayern para adotar uma estratégia de jogo alternativa, e tentar travar os contra-ataques da equipa francesa.

No final, foram as individualidades da equipa francesa que mais impressionaram. Verratti fez um grande jogo, Mbappé mostrou o quão prodigioso é. Os outros dois egos da frente, com um golo cada, provaram que basta um entendimento razoável entre ambos para provocar estragos a qualquer defesa.

Os alemães são mais equipa, mas estão tão presos a ideias e esquemas táticos, que não conseguem encontrar alternativas quando o plano de jogo não funciona. Foi assim a época passada com o Real Madrid também.

O PSG é mais um exemplo. Com a diferença que não parecem interessados em ser uma equipa, mas sim um conjunto de individualidades de grande nível. Unai Emery não parece preocupar-se com discussões no balneário. Talvez o resto do mundo do futebol devesse ignorar isso também: esta é uma nova geração, uma nova maneira de ver o jogo. E enquanto as coisas correrem bem, como correram no Parque dos Príncipes, não há razão para mudar.

Foto de capa: UEFA