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Real e Atlético chegavam ao Santiago Bernabéu para decidir qual dos dois passaria ao lote dos melhores quatros da competição sem terem conseguido ainda marcar qualquer golo. Era um prenúncio do que a segunda parte desta eliminatória tinha reservado para nós.

Os visitantes pareceram quase sempre mais confortáveis quer com o desenrolar do jogo quer com o resultado. O Real Madrid, por seu lado, sentia-se obrigado a pegar no jogo, como lhe competia para fazer jus à sua condição de vencedor em título da competição e anfitrião. Ia-o conseguindo e foram suas as melhores – ou deveria dizer únicas? – oportunidades, sem contudo lograr obter um domínio avassalador.

A estratégia de Simeone parecia resumir-se a especular o maior tempo possível com o jogo, não se parecendo muito impressionado com a ideia de deixar o jogo descair para o prolongamento. A equipa de Ancelotti, por seu lado, revelava aqui e ali os efeitos nefastos que a ausência de vários jogadores importantes produzia, procurando ainda assim fazer um jogo atento e competente, no sentido de se salvaguardar de qualquer surpresa que pudesse vir dos homens das camisolas às riscas.

Pareciam as equipas em vias de se conformarem com o nulo e incapazes de desatarem os nós a que mutuamente se submetiam, o que nem a expulsão de Arda Turan alterou. Os colchoneros recuavam e os homens mais adiantados do Real, com missão de construir jogo ou capazes de criar desequilíbrios, iam ficando cada vez mais estáticos.

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Talvez por isso pareceu surgir do nada o golo que decidira a eliminatória, mas quando se fala de Ronaldo e James fala-se sempre de muita substância. Foi dos pés deles que nasceu a triangulação que faria ruir a muralha Simeone. Chicharito ficaria incumbido de encaminhar com precisão para dentro da baliza de Oblak a bola que lhe chegava de Ronaldo. O campeão em título vai seguir em frente.

O português assistiu, o mexicano marcou - os dois protagonistas do único golo da eliminatória  Fonte: UEFA
O português assistiu, o mexicano marcou – os dois protagonistas do único golo da eliminatória
Fonte: UEFA

A Figura

Chicharito – Só ele saberá o quanto custa passar quase um ano no desconforto das melhores cadeiras do banco de suplentes do Santiago Bernabéu. Talvez por isso mesmo foi aí mesmo que chorou quando aí regressou, já depois de ser substituído, depois de gravar o seu nome na decisão da eliminatória. Já antes do golo era o que parecia mais habilitado para o fazer.

 

O Fora-de-jogo

Atlético de Madrid – Não apenas fora-de-jogo mas também a partir de hoje fora da competição fica o Atlético de Madrid. Muito porque deveria ter  feito um pouco mais para merecer seguir em frente. Nem sempre defender e esperar pelo que o jogo dá tem o bilhete da lotaria premiado. Mesmo sabendo as diferenças de recursos, Simeone já derrotou várias vezes o Real Madrid, até com este aparentemente mais forte. Mas, para tal acontecer, teve que rematar mais vezes do que hoje pareceu ter vontade de fazer.