Uma equipa italiana defrontava um colosso do futebol espanhol e tentava, na segunda mão da eliminatória, recuperar um défice de três golos. Será que a Juventus se iria inspirar no feito da Roma e, em pleno Santiago Bernabéu, deixar o Real Madrid de fora da Liga dos Campeões?

A “Velha Senhora”, que hoje não contava com Paulo Dybala (expulso na primeira mão), entrou no jogo determinada a dar um desgosto aos blancos: ainda o relógio não marcava um minuto e meio de jogo e Mario Mandzukic já tinha colocado a Juventus em vantagem. Marcelo, a dormir no flanco esquerdo, é ultrapassado por Douglas Costa, que descobre Khedira; o alemão cruza e o croata aparece no segundo poste para dar uso aos seus 190 cm de altura e cabecear para o fundo das redes.

Os jogadores do Real Madrid, claramente, não estavam à espera de um início destes. A Juventus não mostrou qualquer respeito e procurou o golo agressivamente desde cedo. Aos três minutos, nova oportunidade de golo, mas o remate de Higuaín é bloqueado.

Após uns dez minutos iniciais francamente maus da parte da equipa de Zidane, os espanhóis pareceram recuperar alguma da sua confiança. Procuravam abrandar o ritmo do jogo, para atenuar o ímpeto inicial da Juve. Aos 14 minutos, Isco vê o seu golo anulado por fora de jogo – como mostram as repetições, o médio está no limiar da posição irregular.

Logo aos 17 minutos, Massimiliano Allegri é obrigado a substituir Mattia De Sciglio, que sai lesionado e dá lugar a Lichsteiner. Os bianchoneri haviam perdido a agressividade inicial, porém o Real Madrid estava longe de estar tão confortável como esperava.

Os blancos continuaram a tentar baixar o ritmo de jogo, face a alguma resistência dos italianos. Os madrilenos vão crescendo na partida e, aos 34 minutos, Isco tem uma grande oportunidade de golo após um contra-ataque rápido (à boa maneira do Real Madrid). Gianluigi Buffon volta a fazer-nos esquecer a sua idade e faz uma excelente defesa.

Quando o jogo parecia ter adormecido até ao intervalo, Lichsteiner cruza do flanco direito (onde Marcelo volta a conceder demasiado espaço) e Mandzukic está novamente no segundo poste, supera Daniel Carvajal e cabeceia para o fundo das redes de Keylor Navas: aos 37 minutos, está feito o 2-0.

Ainda antes do fim da primeira metade, Varane cabeceia à barra, após cruzamento num livre de Toni Kroos. Apesar disto, foi patente o impacto que o segundo golo teve na equipa da casa.

No regresso aos balneários, a Juventus encontrava-se a um golo de igualar a eliminatória e com 45 minutos para o fazer. O Real Madrid simplesmente não se encontrava.

Ao intervalo, Zidane tirou Casemiro e Bale para pôr em jogo Lucas Vázquez e Marco Asensio.

Os espanhóis entraram na segunda parte mais seguros. Pareciam ter ganho confiança e uma ideia de jogo, levando Buffon a mostrar serviço várias vezes.

Mas, aos 60 minutos, o impensável acontece pela segunda vez esta semana: Douglas Costa, que passara a noite a causar problemas à defensiva madrilena, faz um cruzamento que Navas parecia capaz de agarrar facilmente; porém, o guardião costa-riquenho deixa o esférico cair e Matuidi estava no sítio certo à hora certa para encostar e fazer o 3-0, empatando a eliminatória.

Novamente, o Real Madrid acusou o golo da Juventus, perdendo a confiança que ganhara nos 15 minutos que antecederam o tento de Matuidi. Quando já só tinha mais uma substituição por fazer, Zidane decide tirar Luka Modric e lançar Mateo Kovacic. Benzema, que começara a partida no banco, não iria a jogo.

Os minutos foram avançando e o discernimento dos jogadores foi baixando: as bolas eram disputadas até à última mas o rigor tático era pouco.

A partir dos 80 minutos, o Real Madrid toma as rédeas da partida, relegando a “Velha Senhora” para uma posição defensiva. Nada de novo para os italianos, que souberam absorver a pressão dos madrilenos com uma eficácia que poucos conseguem ter. Já se adivinhava o prolongamento.

Porém, aos 90+2 mins, a 30 segundos do final, o impensável volta a acontecer: Cristiano Ronaldo aparece no segundo poste após um cruzamento, cabeceia para a pequena área, onde aparecia Lucas Vázquez. O extremo espanhol parece ser empurrado por Benatia e o árbitro não hesita: assinala penálti e expulsa Buffon por protestos.

O caos estava instalado e só aos 98 minutos é que CR7 foi autorizado a bater a bola, colocada a onze metros da baliza. Como tantas outras vezes, esteve lá quando foi preciso e bate Szczesny. Está feito o 3-1 e consumada a derrota mais saborosa da história do Real Madrid, que segue para as meias finais da Liga dos Campeões.

Uma noite que começou por ser de sonho para os adeptos da Juventus acabou por se tornar num pesadelo para “Gigi”. Eles nunca teriam pensado sair desiludidos do Bernabéu após um resultado como o de hoje; Buffon nunca teria pensado despedir-se da competição que tanto ambicionava ganhar desta forma.

Foto de capa: UEFA

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