O Real Madrid carimbou o passaporte para Kiev, onde vai disputar a sua terceira final da Champions consecutiva, num jogo- e numa eliminatória- em que não foi superior. O Bayern esteve quase sempre melhor, mas pagou caro os erros que cometeu.

A equipa alemã sabia que tinha de correr atrás do prejuízo e veio decidida a fazer isso mesmo, com um início de jogo fulgurante. A pressão alta ia intranquilizando os merengues que, à semelhança da eliminatória anterior, sofreram um golo muito cedo. Estavam decorridos apenas três minutos quando Kimmich fez o primeiro da partida, depois de um corte defeituoso de Sérgio Ramos a um cruzamento de Müller.

Satisfeito pelo golo madrugador, o Bayern esfriou o ímpeto inicial (também por mérito do Real) e pagou caro, já que sofreu o golo do empate aos 11 minutos: depois um grande cruzamento de Marcelo, Benzema apareceu solto ao segundo poste para cabecear para o um igual. Início de jogo frenético no Bernabéu!

O jogo personalizado do Bayern regressou, com muita facilidade em ultrapassar o meio-campo light do Real e a aproximar-se com perigo da baliza adversária, pecando apenas no momento da decisão. O lado direito da defensiva do Real, nomeadamente o lateral-direito improvisado Lucas Vázquez, sofria muito com a presença de Ribéry e Alaba, o que levou Zidane a equacionar a entrada de Nacho.

Pouco depois da meia hora, surgiu a melhor ocasião do primeiro tempo: Lewandwoski, na cara de Keylor Navas, permite a defesa do costa-riquenho; a bola sobe muito e, depois de uma dividida, sobra para James rematar por cima, quando estava perto da linha de golo. Que perdida do colombiano!

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Antes do intervalo, Cristiano Ronaldo apareceu e rematou para uma defesa apertada de Ulreich, depois de uma boa jogada individual. Já nos descontos do primeiro tempo, ficaram pedidos de penalti dos alemães por mão de Marcelo na área.

A segunda parte não podia começar melhor para a equipa madrilena. Com apenas vinte segundos jogados, Ulreich comete uma fífia de todo o tamanho ao abordar um atraso de Tolisso: não foi lá com as mãos nem com os pés, deixou a bola passar e, inerente a isso tudo, Benzema limitou-se a encostar para o bis.

Benzema fez de Ronaldo e foi decisivo
Fonte: Uefa

A montanha que os bávaros tinham para escalar estava cada vez mais íngreme e Alaba tentou o empate, mas Navas fez uma grande estirada. No outro lado e em apenas dois minutos, Cristiano Ronaldo desperdiçou duas enormes ocasiões para faturar: primeiro, ao chegar atrasado a um cruzamento rasteiro de Asensio e, no minuto seguinte, rematou por cima quando estava isolado, após novo grande cruzamento de Marcelo.

O jogo estava mais partido, com maior domínio dos hexacampeões alemães, mas sem o Real tirar os olhos da baliza adversária. Foi nesta fase que o Bayern relançou a eliminatória, com um golo de James, à segunda tentativa, depois de um remate contra um defesa.

Sempre que o Bayern chegava ao último terço era um “ai Jesus” na defensiva merengue, que só era tranquilizada pela segurança de Keylor Navas. Aos 73 minutos, o guardião fez novamente uma enorme defesa, desta feita a um remate picado de Tolisso.

Até final e já com mais coração do que com cabeça, a equipa de Munique tentou o golo que lhe valeria a final, mas esbarrou sempre na parede costa-riquenha.

O que fica para a história é o apuramento do Real Madrid, mas a verdade é que o Bayern foi quase sempre superior em toda a eliminatória. A exibição personalizada num dos campos mais difíceis do mundo merecia mais, mas os erros individuais cometidos voltaram a ser fatais. O Real volta a uma final, mas com dois apuramentos muito tremidos que lançam a imprevisibilidade quanto ao vencedor final.