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irreverência e juventude de Dele Alli, Harry Kane e Heung-Min Son contra a experiência de Chiellini, Barzagli e Buffon . Era uma equipa que procurava a sua primeira grande campanha na Liga dos Campeões contra um emblema que, desde 2015, já perdera por duas vezes na final da competição.

Mas quando o apito toca, o passado não interessa. E os jogadores do Tottenham procuraram, desde cedo, deixar bem claro que não iriam  mostrar qualquer respeito pelos “peixes graúdos” da Juventus: apesar de serem os italianos a precisar de marcar (após o 2-2 em Turim, na primeira mão), os 45 minutos iniciais passaram-se, na sua maioria, no meio campo dos nerobianchi, e foi lá que ocorreu a primeira grande hipótese do jogo, com Gianluigi Buffon a negar o golo ao coreano Heung-Min Son (uma das figuras do Tottenham), logo aos três minutos.

Aos 17 minutos, surge o caso da primeira parte e a sua segunda jogada mais importante: após entrar na área dos Spurs, Douglas Costa parece ser travado em falta por Jan Verthongen. Há contacto; é inegável. O 5º árbitro, que estava precisamente à frente do lance, não deu qualquer indicação e o jogo prosseguiu.

E prosseguiu da maneira que o Tottenham quis: mantinha a bola no meio campo da Juventus, à procura de uma brecha na defesa. Matuidi parecia absolutamente sobrecarregado, a ter de dividir a sua atenção entre Son e Moussa Dembélé (outro dos destaques da partida: um “dínamo” no centro do relvado).

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Aos 39 minutos, a “Velha Senhora” acabou por ceder: após o passe de Harry Kane rasgar a defesa, Chiellini ainda consegue o corte, mas Trippier ganha o ressalto e põe no segundo poste, onde Son estava para finalizar.

1-0 era o resultado quando os jogadores se encaminharam para o balneário. A Juventus precisava de uma atitude mais agressiva e de dois golos. Precisava da inspiração de um dos “mágicos” lá da frente – Dybala, Higuaín ou Douglas Costa.

Na 2ª parte, nada parecia ter mudado: não houve substituições e o Tottenham continou a gerir a partida, aproximando-se da baliza de Buffon quando pôde, sem grande urgência. Os jogadores da Juventus apenas pareciam mais frustrados: aos 53 minutos, Benatia e Chiellini já tinham levado um amarelo cada.

Aos 60 minutos, surge a primeira alteração de Massimiliano Allegri: sai Matuidi, entra Kwadwo Asamoah. E o resultado foi quase imediato. A Juventus assumiu uma atitude mais atacante, Asamoah fez um cruzamento que levou a uma oportunidade para Dybala e, aos 64, Lichsteiner faz o centro a partir do flanco direito, Khedira cabeceia e isola Higuaín, que remata sem deixar a bola cair e faz o 1-1. O jogo estava relançado.

A formação italiana “cheirou sangue” e mostrou porque é que é considerada um dos “tubarões” da competição: aos 67 minutos, Higuain volta a prestar serviço, desta vez com um passe em profundidade que isolou Dybala (falha de Davinson Sánchez e Kevin Trippier) e o argentino deu o melhor seguimento à ação do seu compatriota: 2-1. Em quatro minutos, o Tottenham perdera o controlo da eliminatória.

E o clube inglês acusou este “choque”. Claramente os jogadores dos Spurs não esperavam, tendo em conta o que se passara na primeira metade do jogo, encontrar-se numa situação daquelas.

Novamente, tínhamos o Tottenham a atacar e a Juventus a defender. Mas agora eram os de Turim que pareciam mais confiantes. A experiência dos seus jogadores defensivos veio ao de cima, perante uma equipa jovem que agora se via desesperada à procura de um golo do qual nunca pensou precisar.

Já em cima dos 90 minutos, cabeceamento de Harry Kane após cruzamento de Ben Davies, Buffon não chega, a bola pate no poste, bate em cima da linha e fica a centímetros de entrar antes do corte.

Mas o Tottenham não ficou a centímetros de se apurar; ficou a minutos. Quatro minutos, para ser mais preciso. Os quatro minutos dentro dos quais a Juventus marcou os seus dois golos. Os italianos passam, assim, aos quartos de final da Liga dos Campeões e mantêm vivo o sonho de dar a Buffon o troféu que lhe escapa há anos. Os ingleses são eliminados com o consolo dado pelos elogios que o seu futebol merece receber e com uma quase certeza de que terão outra oportunidade, dado o potencial dos jogadores ao serviço de Pochettino.

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