José Mourinho é reconhecido pela capacidade de rentabilizar ao máximo os jogadores que orienta. No entanto, no que diz respeito a Luka Modric parece claro que o treinador português não explorou da melhor maneira a qualidade do croata. A cumprir a segunda época ao serviço dos merengues, o médio, contratado ao Tottenham por 35 milhões de euros, está finalmente a ter o protagonismo que merece. Com Ancelotti no comando técnico, o jogador de 28 anos beneficiou de um conjunto de factores para deixar o estatuto de suplente e para se assumir como o grande motor da equipa do Real Madrid.

Na última temporada, Modric não passou de um suplente de luxo. O médio era frequentemente utilizado por José Mourinho, tanto no duplo pivot como um pouco mais adiantado, mas a verdade é que nunca conquistou o estatuto de titular indiscutível nos merengues. Para esta época, a concorrência no meio campo era ainda mais apertada. Aos habituais titulares – Khedira, Xabi Alonso e Özil – juntaram-se Isco, o “Golden Boy” de 2012, e Asier Illarramendi, uma das grandes revelações do último campeonato, já para não falar de Casemiro, que esteve em bom plano na pré-temporada e ameaçou vir a ser uma opção regular de Ancelotti. Contudo, a venda de Özil ao Arsenal e, principalmente, a lesão de Khedira abriram espaço para a afirmação definitiva do croata no Bernabéu.

Luka Modric está a ser um dos melhores médios do futebol europeu, juntamente com Arturo Vidal e Yaya Touré. Apesar de não apresentar os números do chileno e do costa-marfinense, o croata está no auge da carreira e tem tido uma influência tremenda na equipa do Real. Está a exibir-se a um nível extraordinário e é, neste momento, um jogador indispensável para Ancelotti (é o sexto mais utilizado do plantel). É compreensível que José Mourinho não tenha abdicado dos titulares do meio campo, mas de facto é um crime ter um elemento como Modric sentado no banco. Dono de uma visão de jogo notável e de uma qualidade técnica muito acima da média, é a forma como sai de pressão – capítulo em que é claramente um dos melhores do Mundo – que o distingue dos demais.

Num plantel em que vários jogadores têm tido um rendimento muito intermitente – Isco começou em grande mas perdeu gás e Ronaldo está numa das piores fases da carreira -, Modric tem sido um dos elementos mais regulares. Para além da consistência do croata, há que destacar Jesé Rodríguez, que está a aparecer mais cedo do que o que se esperava e que tem mostrado um enorme potencial. Já marcou ao Barcelona, Atlético, Athletic e Valência, e tem dado nas vistas pela sua técnica e explosividade, para além do excelente sentido de baliza. Em termos colectivos, o Real Madrid tem vindo a evoluir com o decorrer da época e, na minha opinião, será o vencedor da liga espanhola. Os bons resultados obtidos nos últimos tempos são apenas uma consequência da melhoria do registo defensivo (oito jogos sem sofrer golos) e do aumento da qualidade exibicional. Numa época em que o Barça de Tata Martino está com mais dificuldades do que é habitual, os merengues – que, como se viu no encontro para a Taça do Rei, são claramente superiores ao Atlético – podem aproveitar para voltar a sagrar-se campeões. Se isso vier a acontecer, um dos principais responsáveis é Luka Modric, um dos jogadores com mais classe da actualidade.

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