A CRÓNICA: CONTROLO “COLCHONERO” NÃO FOI SUFICIENTE

Em fim-de-semana de loucos, recheado de dérbis e clássicos, de Espanha chega-nos mais um. O dérbi de Madrid colocava frente a frente Club Atlético de Madrid e Real Madrid CF, que prometia ser escaldante e previsivelmente decisivo nas contas do título espanhol. A jogar em casa, no Estádio Wanda Metropolitano, em caso de vitória, os “colchoneros” podiam dar um passo de gigante e cimentar ainda mais o primeiro lugar.

Diego Simeone decidiu deixar João Félix no banco e apostou em Thomas Lemar para fazer companhia a Luis Suárez na frente de ataque. Destaque ainda para as apostas em Kieran Trippier, regressado depois de longa ausência, e Karim Benzema, avançado e referência do ataque de Zidane.

O Atlético entrou dominante e esteve por cima nos minutos iniciais do encontro. A entrada positiva foi mesmo confirmada com golo. Costuma dizer-se que os grandes jogadores aparecem nos grandes jogos, e é bem verdade. Numa altura em que o Real Madrid CF tentava pressionar alto e condicionar a saída de bola dos “colchoneros”, golo do inevitável, Luis Suárez. Contra-ataque mortífero, brilhantemente guiado por Marcos Llorente, e vantagem para o conjunto da casa ainda antes dos 15 minutos.

O Real Madrid CF teve de tomar as rédeas da partida e o primeiro tempo acabou por ser muito mais do mesmo. Mais posse de bola para os merengues, mas sem resultados à vista. Domínio do Atlético, que mesmo sem bola, controlou. Nada pareciam conseguir fazer para penetrar a sólida defesa “colchonera” e as equipas foram para o intervalo com 1-0 no marcador.

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O regresso dos balneários foi igualmente intenso. A defesa do Real Madrid CF foi constantemente pressionada e errava, uma e outra vez. Llorente, Carrasco e Suárez foram diabos à solta no ataque e faziam o que queriam no meio-campo contrário. Podiam mesmo ter ampliado a vantagem por várias ocasiões. Menos tempo de ataque, mas com investidas muito mais verticais e perigosas.

O jogo parecia caminhar pacificamente para o fim, mas a verdade é que a dez minutos do fim, surgiram as melhores oportunidades na partida para o Real Madrid CF. Karim Benzema esbarrou, por diversas vezes, num “muro” chamado Jan Oblak. Estiradas de outro mundo do guarda-redes esloveno impediram, por momentos, que o resultado fosse outro.

Aos 88 minutos, o impensável aconteceu. Um adormecido Real Madrid CF renasceu das cinzas pelos pés de Karim Benzema. Combinação perfeita do francês com Casemiro, que furaram a defesa contrária com relativa facilidade.

Acabou empatado um duelo que foi na sua generalidade demasiado desequilibrado. O Atlético foi mais equipa e superiorizou-se em praticamente todos os momentos do jogo, mas nunca conseguiu ampliar a vantagem. Sorri o FC Barcelona, que ganha pontos a dois rivais diretos na luta pelo título.

 

A FIGURA

Marcos Llorente – Seria sempre complicado escolher o homem do jogo de hoje. Decidi escolher Marcos Llorente por aquilo que fez durante toda a partida. Encheu o campo. Ocupou um raio de ação bastante alargado, tendo chegado por diversas vezes a zonas de finalização para servir os colegas. Transportou a bola em velocidade e fez a sua equipa subir no terreno com uma aparente facilidade. Luis Suárez fez também uma enorme exibição, assim como os defesas-centrais Stefan Savić e Felipe. Do lado “merengue”, Karim Benzema empatou a partida através de iniciativas individuais ou combinações com alguns colegas.

O FORA DE JOGO

Defesa do Real Madrid CF – A passividade da defesa do Real Madrid CF foi atroz e o empate acaba por ser uma mal menor para a exibição. Só não correu pior porque o Atlético falhou em momentos crucias na cara de Thibaut Courtois. A pressão adversária foi, surpreendentemente, intensa e as debilidades foram mais que muitas. Não conseguiam sair a jogar a partir de trás e os passes errados multiplicavam-se. Precisa de melhorar bastante neste capítulo no futuro.

 

ANÁLISE TÁTICA – CLUB ATLÉTICO DE MADRID

Diego Simeone montou com um sistema bastante híbrido para defrontar o Real Madrid CF. A equipa mostrou-se com várias caras na partida de hoje. Tanto procurou dominar o adversário como preferia apostar num bloco mais recuado para conter o ataque dos “merengues”. As variações entre a linha de três e quatro defesas foi constante. O sistema 4-4-2 era opção, ainda que o 3-5-2 fosse também visível, dependendo sempre muito dos posicionamentos dos laterais e de Thomas Lemar, que deambulava entre o apoio ao avançado e a ajuda aos médios mais recuados.

Mario Hermoso era o lateral esquerdo, mas preocupava-se mais em juntar-se aos centrais Savić e Felipe. Do outro lado, Kieran Trippier não tinha problemas em subir pela ala e oferecer a profundidade de que a equipa necessitava.

Ao contrário de outros jogos o Atlético mostrou-se mais atrevido e pressionante, nunca escondendo a prioridade em defender e fechar espaços ao adversário. Diego Simeone entrou decidido a não jogar para não perder, mas sim ganhar.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Jan Oblak (8)

Felipe (7)

Mario Hermoso (6)

Stefan Savić (7)

Yannick Carrasco (8)

Koke (7)

Marcos Llorente (8)

Kieran Trippier (6)

Thomas Lemar (6)

Ángel Correa (6)

Luis Suárez (9)

SUBS UTILIZADOS

Saúl Ñíguez (6)

João Félix (5)

Geoffrey Kondogbia (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – REAL MADRID CF

Zinédine Zidane não surpreendeu e voltou a apresentar o seu habitual 4-3-3. A pressão alta do Real Madrid teve efeitos contrários e originou o primeiro golo da partida. O Atlético saiu bem e Llorente desmarcou Suárez, que apareceu para finalizar com alguma tranquilidade na cara de Courtois. A passividade da defesa merengue voltou a evidenciar-se e não faltaram oportunidades ao adversário para ampliar o marcador.

No ataque tentava explorar-se as investidas pelo corredor esquerdo. A sobreposição de médios, extremos, e até Benzema nessa zona acabava por dar mais conforto ao Real para tentar explorar momentos de perigo, sem sucesso. Do lado direito, mais apagado e sem grande visibilidade ficou Rodrygo, que passou muito ao lado do jogo.

As dificuldades dos “Blancos” podem em muito dever-se à limitação da ação de Luka Modrić e Toni Kroos. Se os dois médios tivessem tempo para pensar o jogo, sucediam-se oportunidades, caso contrário existia apatia e incapacidade. Benzema acabou por desmontar, sozinho, uma defesa que parecia impenetrável.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Thibaut Courtois (7)

Lucas Vázquez (6)

Raphaël Varane (4)

Nacho Fernández (5)

Ferland Mendy (4)

Casemiro (6)

Toni Kroos (5)

Luka Modrić (5)

Marco Asensio (4)

Rodrygo (3)

Karim Benzema (7)

SUBS UTILIZADOS

Federico Valverde (5)

Vinícius Jr. (-)

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