O Atlético de Madrid está a realizar uma das piores campanhas dos últimos anos, e a contestação sobre o plantel e sobre o treinador, Diego Simeone, tem aumentado significativamente. Os “colchoneros” ocupam a sexta posição do campeonato espanhol, e estão a 13 pontos do líder Real Madrid, quando ainda faltam disputar 16 jornadas.

Os comandados pelo irreverente Diego Simeone não vencem há cinco jogos consecutivos, dois deles frente ao seu principal rival, o Real Madrid. Após uma série de cinco vitórias consecutivas, a última delas eliminando o Barcelona na Supertaça de Espanha, iniciou um ciclo negativo ao perder na final da competição para os “merengues”. Seguiu-se uma surpreendente eliminação na Taça do Rei, frente a um adversário do terceiro escalão do futebol espanhol. A contar para o campeonato, um empate frente ao Leganés e duas derrotas nos encontros com Eibar e, novamente, Real Madrid.

É certo que o Atlético de Madrid se reforçou bastante no início desta temporada, mas também perdeu alguns dos seus “pilares”. No eixo da defesa, saíram a custo zero três jogadores de extrema importância dentro e fora das quatro linhas, e que fazem parte da história recente do clube.

Estamos a falar de Diego Godín, Filipe Luís e Juanfran. Lucas Hernandez, que realizou uma boa campanha na época transata, também saiu da capital espanhola e rumou ao Bayern de Munique por 80 milhões de euros. Para colmatar estas saídas, reforçaram-se com Felipe, vindo do FC Porto, Mario Hermoso, Kieran Trippier, Renan Lodi e Sime Vrsaljko, este último regressado de empréstimo.

Fonte: Club Atlético Madrid

Relativamente ao centro do terreno, Rodri, que na época passada assumiu um papel importante na estratégia de Diego Simeone, saiu para o Manchester City. Para o substituir chegaram Hectór Herrera, também proveniente do FC Porto, e Marcos Llorente, contratado ao Real Madrid.

O maior destaque vai para a perda de “estrela da companhia”, Antoine Griezmann. João Félix, contratado para “fazer esquecer” o atual avançado do FC Barcelona, está a realizar uma temporada muito abaixo das expetativas. O internacional português apenas tem quatro golos marcados e duas assistências em 24 jogos oficiais. Na minha opinião, a qualidade do avançado luso é inegável, apenas está a ser orientado pelo treinador errado num dos momentos mais frágeis da “era Simeone”. Neste mercado de inverno, Yannick Ferreira Carrasco voltou ao clube para fortalecer o setor ofensivo.

O treinador argentino assumiu o comando técnico dos “colchoneros” na época de 2011/12, regressando ao clube depois de ter representado as cores do emblema da capital espanhola como jogador. Como técnico do emblema de Madrid, quebrou a hegemonia de Real Madrid e Barcelona, vencendo um campeonato espanhol. Conquistou também uma Supertaça de Espanha e uma Taça do Rei. Em termos de competições europeias, venceu duas Ligas Europa e duas Supertaças Europeias, e também foi vice-campeão europeu por duas ocasiões.

Fonte: Club Atlético de Madrid

No meu ponto de vista, a “era Simeone” está a chegar ao fim. A opção de despedir Simeone nesta fase da temporada é algo arrojado, mas igualmente insensato. A temporada está, praticamente, perdida, apenas com a Liga dos Campeões em aberto, mas frente a um poderoso e campeão em título Liverpool. Por toda a sua história no clube, “Cholo”, como é também conhecido, não merece uma saída no decorrer de uma época, mas, sim, sair como um campeão e uma lenda do clube. É provável e, na minha opinião, benéfico para o clube e para o próprio, que o argentino não seja o treinador na próxima temporada.

Agora, resta esperar que o Atlético de Madrid volte a “entrar nos eixos” e que, pelo menos, termine a temporada num lugar da tabela que lhe assegure a presença na fase de grupos da Liga dos Campeões na próxima época.

Foto de Capa: Atlético de Madrid

Artigo revisto por Joana Mendes

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