Quando o Real Madrid CF anunciou a contratação de um jovem prodígio norueguês de 16 anos, houve algum eco na comunicação social, mas, na verdade, não passava de uma contratação como qualquer outra de um jovem talento desconhecido, que alinhava na equipa principal do Stromsgodset da liga da Noruega.

Martin Odegaard custou 2.8 milhões de euros em janeiro de 2015. Ir para o Real Madrid CF é sempre um risco, sobretudo, sendo um jovem talento sem estatuto. Numa primeira fase, integrou a equipa Castilla, onde esteve entre Janeiro de 2015 e Janeiro de 2017. Foram 61 jogos e cinco golos pela equipa “B” merengue, tendo conseguido ser utilizado por duas ocasiões na equipa principal do Real Madrid CF. Claramente era um valor acima da média para a equipa secundária madridista, mas sem capacidade ainda para se impor na turma galática.

A solução encontrada passou por um empréstimo de época e meia ao SC Heerenveen. Provou todo o seu valor na equipa holandesa, mas continuava a não explodir. É a partir da época 18-19, com novo empréstimo, desta feita ao SBV Vitesse, que Odegaard começou a subir para um patamar de excelência.

Tornou-se cada vez mais decisivo, mais goleador e com um requinte e toque de bola impressionantes, que tornaram a liga holandesa pequena demais para o seu talento. Esta temporada, Odegaard tomou o passo que traçou provavelmente o seu futuro imediato: empréstimo à Real Sociedad Fútbol.

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No clube basco, a sua preponderância e qualidade são intocáveis. Finalmente, Espanha pôde ver o mega talento em ação. Tem somado 90 atrás de 90 minutos, somando já quatro golos e cinco assistências para golo, numa equipa recheada de potencial, com capacidade para entrar na luta pelos primeiros quatro lugares da La Liga.

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Fonte: RSF

Alinhando quase exclusivamente como médio ofensivo, Odegaard também tem sido utilizado, ainda que raramente, a partir de uma faixa. O canhoto tem sido uma das melhores unidades da primeira metade da Liga Espanhola e muitos têm sido os comentadores a apontarem o seu regresso ao Bernabéu como garantido, tal como um lugar no onze inicial de Zinédine Zidane.

Aos 16 anos, assinar pelo Real Madrid CF foi realmente uma jogada arriscada, porque, como sabemos, são raros os meninos da formação que conseguem impor-se num clube que é gerido de uma forma totalmente diferente dos outros, sobretudo com Florentino Pérez no comando. O nome é importantíssimo, o marketing é estratégico e o modelo de gestão dos ativos é feito com base na popularidade e no momento. Basta haver uma quebra no rendimento ou na popularidade para um jogador ter a sua continuidade em Madrid em risco, por mais influência que possam ter, que o digam Di Maria, James, Cristiano, Keylor, Iker, Morata, entre muitos outros.

A verdade é que Odegaard não se perdeu e, acima de tudo, cresceu imenso nas três épocas de liga holandesa. Um craque tremendo que deverá ser integrado na equipa principal do Real Madrid CF o quanto antes. Com Bale, Isco, Marcelo, Lucas, Mariano ou Modric na porta de saída, o norueguês será uma das futuras figuras do Real Madrid CF.

Foto de Capa: Real Sociedad

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

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O Rúben é um verdadeiro apaixonado pelo futebol, sem preferência clubística. Adepto do futebol, admira qualquer estratégia ou modelo de jogo. Seja o tiki taka ou o catenaccio, importante é desfrutar e descodificar os momentos do jogo e as ideias dos técnicos. Para ele, futebol é paixão, trabalho, competência, luta, talento, eficácia, etc. Tudo é possível, não existem justos vencedores ou injustos perdedores, e é isto que torna o futebol um desporto tão bonito.                                                                                                                                                 O Rúben escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.