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De niño a leyenda

João Fernandes · 3 min

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Chegou como um menino, sai como uma lenda. No passado dia 20 de maio, o futebol voltou a ser cruel, e fez-nos assistir ao adeus ao Wanda Metropolitano de uma das figuras mais acarinhadas da história do Atlético de Madrid: Fernando Torres.

El Niño, como ficou conhecido desde bem cedo, realizou 404 jogos com a camisola do Atleti, um número que retrata bem a marca que o espanhol deixou no seu clube de coração. Mas o caminho de Torres pelo futebol não passou só pela capital espanhola, pelo que nos resta lançar um olhar atento sobre o seu percurso.

No dia 27 de maio de 2001, um jovem chamado Fernando José Torres Sanz fazia a sua estreia na equipa principal do Atlético de Madrid, em pleno Vicente Calderón, com apenas 17 anos, dois meses e sete dias. Num jogo frente ao Leganés, a contar para a 39ª jornada da segunda divisão espanhola, o avançado nascido em Fuenlabrada substituiu Luque (autor do único golo da partida) ao minuto 64. Uma semana depois, Torres marcava o seu primeiro golo com a camisola dos colchoneros, frente ao Albacete.

De 2001 a 2007, efetuou 244 jogos e 91 golos ao serviço do Atlético. Com apenas 19 anos de idade envergou pela primeira vez a braçadeira de capitão. A melhor época de Torres a nível individual aconteceu em 2003-2004, quando marcou 21 golos em 40 jogos. Foi convocado pela primeira vez para a seleção espanhola para um amigável com Portugal, que ocorreu a 6 de setembro de 2003, em Guimarães. Mais tarde viria a fazer parte do lote de jogadores que esteve presente em território luso para o Euro 2004.

Em julho de 2007, o Liverpool anunciou a contratação de El Niño por 36 milhões de euros; nunca os reds tinham pago tanto por um jogador. Foi ao serviço da equipa inglesa que Fernando Torres se transformou num dos números “9” mais temíveis do mundo. Aliando velocidade, poder físico, drible e um posicionamento letal dentro da área, apontou 81 golos num total de 142 jogos pelo Liverpool. Contudo, não venceu qualquer troféu pelo clube.

Após várias investidas em janelas de transferências anteriores, o Chelsea garantiu a contratação do espanhol no último dia do mercado de janeiro de 2011. Os 58 milhões de euros desembolsados por Roman Abramovich fizeram com que Torres se tornasse na altura no jogador mais caro da história da Premier League.

Fernando Torres foi decisivo na conquista do Campeonato da Europa de 2008, ao marcar o golo na final contra a Alemanha
Fonte: UEFA

No entanto, Fernando Torres não viveu os seus melhores dias com a camisola dos blues: em 172 jogos, marcou apenas 45 golos.

Apesar destes números escassos, foi no Chelsea que arrecadou um maior número de troféus coletivos, ao conquistar a FA Cup e a Liga dos Campeões em 2011/2012 e a Liga Europa em 2012/2013. Nessa edição da Liga dos Campeões foi mesmo o responsável pela chegada do Chelsea à final, após um golo fantástico nas meias-finais contra o Barcelona, em Camp Nou, aos 92 minutos.

El Niño é conhecido por ser determinante nos jogos a “matar”: na final do Euro 2008, frente à Alemanha, foi o autor do golo que deu a vitória à Espanha e a conquista do Europeu. Com a La Roja venceu ainda o Mundial de 2010 e o Europeu de 2012.

No verão de 2014, o Chelsea anunciou o empréstimo de Torres ao Milan. O avançado também não foi propriamente feliz nos quatros meses que esteve em Itália, saindo de Milão com apenas 10 jogos disputados e um golo marcado.

Mas a 29 de dezembro de 2014 o espanhol ganhou uma nova vida. E que vida essa: Fernando Torres estava de regresso ao clube de infância, por quem sempre demonstrou um amor incondicional. A sua segunda estreia pelo Atlético teve lugar no dia 7 de janeiro de 2015, ainda no Vicente Calderón, frente ao Real Madrid. A partida acabou 2-1 para os colchoneros, com um dos golos a ser apontados por Torres.

Fernando Torres no seu último jogo com a camisola do Atlético, em que apontou dois golos.
Fonte: Atlético de Madrid

No dia 16 de maio deste ano, com a vitória do Atleti frente ao Marselha na final da Liga Europa, o jogador de 34 anos finalmente alcançou o seu sonho de menino: ganhar algo pelo clube madrileno. Um sonho tornado realidade que peca pela demora, e que coincide com o fim desta viagem tão bonita que foi a carreira de Fernando Torres.

Agora, a pergunta a fazer é: por onde passa o futuro de El Niño? Uma coisa é certa: o menino já não é menino. É uma lenda.

Foto de Capa: Atlético de Madrid

Artigo revisto por: Jorge Neves

João Fernandes

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