A CRÓNICA: RAMOS MATREIRO DESATA CLÁSSICO COM MAIS OLHOS DO QUE BARRIGA

O FC Barcelona recebia os rivais de Madrid num momento de forma anormal: uma vitória confortável na Liga dos Campeões, depois de uma derrota e um empate para a Liga. Por sua vez, os madridistas, apesar da boa forma no campeonato, vinham de duas derrotas caseiras consecutivas, o que poderia representar o início de uma crise.

O Clássico, disputado num estádio monumental, mas vazio, começou eletrizante e com fome e vontade de ambas as partes em reverter os momentos atuais. Depois das primeiras abordagens, os visitantes foram os primeiros a balançar as redes. Aos cinco minutos, Nacho entregou a Benzema, que desceu no terreno para se oferecer ao jogo. O francês conduziu por instantes, antes de lançar Valverde na cara de Neto. O uruguaio aproveitou o espaço deixado por Benzema, rematou em força, cruzado para o ângulo, e inaugurou o marcador.

A resposta não podia ser melhor. Depois de pegar no jogo e de se adaptar a uma entrada desfavorável, Messi – quem mais? – tirou um passe milimétrico da cartola. Jordi Alba recebeu, disparou pela ala esquerda e serviu o jovem Fati, que se antecipou a Ramos e devolveu a igualdade à partida.

Um golo para cada lado e o ritmo sempre no máximo. Depois de algumas abordagens às áreas, sem grande perigo, aos 24 minutos, tivemos oportunidade dupla, uma para cada lado. Primeiro, foi Messi a rematar para grande defesa de Courtois, depois de receber no peito e “sentar” Sérgio Ramos.

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Na resposta, dentro do mesmo minuto, Kroos foi solicitado nas costas de Pique. O alemão venceu o espanhol no sprint, cruzou rasteiro e Benzema falhou na cara de Neto, com o brasileiro a aplicar-se numa excelente defesa. Desde então, o ritmo baixou e, até ao intervalo, não se registaram lances de golo, com as equipas mais encaixadas e mais capazes de se anularem uma à outra.

A segunda parte trouxe um FC Barcelona mais rápido, mais criativo e, ao que parecia, com mais vontade de alcançar a vitória. Os visitantes, por sua vez mais expectantes, estariam já satisfeitos com o empate. Foi sem surpresa que as primeiras oportunidades surgiram para os catalães. Aos 52 minutos, Messi entregou a Fati, que entrou na área, encarou Sérgio Ramos e rematou forte, por entre as pernas do central espanhol. Mas a bola saiu a rasar o poste.

Dois minutos depois, Fati esteve novamente na jogada. Do lado direito, cruzou largo para o segundo poste, onde apareceu Coutinho a cabecear à rede lateral, para fora. No entanto, foram os blancos a chegar novamente à vantagem. Aos 63 minutos, Sérgio Ramos foi protagonista do lance mais polémico da tarde. Por entre puxões e empurrões, o árbitro foi chamado pelo VAR e castigou a falta de Lenglet. Chamado a converter, Ramos atirou para o 1-2.

A partir do golo madridista, os catalães foram forçados a procurar novamente o empate e abandonaram a coesão defensiva, que já não era muita. O jogo partiu-se. Até aos 80 minutos, tivemos constantes aproximações, ora cá, ora lá, mas sem grande perigo. O jogo blaugrana pedia velocidade, técnica e capacidade de execução, mas só Koeman não percebia isso. Lançou Trincão, Dembélé e Griezmann apenas para os 10 minutos finais.

Aos 86 e 87 minutos, o Real Madrid CF podia ter chegado ao terceiro golo, mas valeu Neto por três vezes (!) a negar as intenções dos seus rivais. Ramos, Kroos e Rodrygo permitiram que o guardião brasileiro brilhasse. Contudo, o terceiro golo chegaria três minutos depois. Em cima do minuto 90, Neto saiu dos postes, mas a mancha ficou incompleta. Rodrygo recolheu a bola e entregou em Modric, que contornou o guardião brasileiro e colocou uma pedra sobre o resultado e que afunda os rivais do FC Barcelona.

 

A FIGURA

Luka ModrićO camisola 10 dos blancos é um jogador diferenciado e voltou a prová-lo hoje. Entrou aos 70 minutos e, em apenas 20, mostrou ser a figura de um Clássico cinzento, com raros momentos de brilho. Marca golos lindos pelo segundo jogo consecutivo. Foi na sua substituição que Zidane resgatou três pontos importantes para afastar uma crise que se adivinhava.

 

O FORA DE JOGO

VAR – É certo que o resultado não se pode resumir a um lance, mas é por demais evidente que o influenciou fortemente. Numa altura em que o resultado estava empatado e o FC Barcelona atacava mais, Martínez Munuera foi chamado a avaliar o lance entre Ramos e Lenglet. O francês puxa o espanhol, é claro, mas o espanhol também o empurra momentos antes. No máximo, é um lance duvidoso e no qual o VAR não pode intervir, visto que não é claro nem óbvio.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC BARCELONA

Em relação à partida da Liga dos Campeões, Sergiño Dest trocou para a lateral direita e Jordi Alba entrou no onze para a lateral esquerda, atirando Sergi Roberto para o banco. Busquets e Pedri entraram no onze para os lugares de Pjanic e Trincão. O espanhol jogou sozinho na frente da defesa, entregando as tarefas mais ofensivas a de Jong e Coutinho, que passaram ao lado do jogo.

Fati, claramente na esquerda, e Pedri, mais descaído para a direita, apoiaram Messi na frente de ataque, apesar do argentino povoar qualquer palmo do terreno, como bem sabe fazer. O jogo terminou pior do que começou para os catalães e o treinador holandês não soube reagir. Na altura em que estavam por cima, Fati estava entregue sozinho à ala diretia e Pedri já tinha desaparecido. Trincão, Dembélé e Griezmann entraram com 10 ou 15 minutos de atraso e pouco alteraram na partida. Fica a ideia de que as suas entradas ocorreram por mero desespero e não por estratégia. Pior do que a fraca produção ofensiva foi a prestação defensiva, que há vários jogos vem sendo o ponto fraco dos visitados, não oferencendo qualquer segurança ao seu guarda redes. Muito fraco e muito curto para o FC Barcelona que nos habituámos a ver.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Neto (7)

Sergiño Dest (7)

Gerard Piqué (6)

Clément Lenglet (6)

Jordi Alba (6)

Sergio Busquets (6)

Philippe Coutinho (5)

Frenkie de Jong (5)

Lionel Messi (7)

Pedri González (6)

Ansu Fati (7)

SUBS UTILIZADOS

Francisco Trincão (5)

Ousmane Dembélé (5)

Antoine Griezmann (5)

Martin Braithwaite (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – REAL MADRID CF

Vindos de duas derrotas consecutivas em casa, os blancos entraram com Ramos no eixo da defesa, na vez de Militão, e Mendy passou para a lateral esquerda, remetendo Marcelo para o banco. A lateral direita ficou entregue a Nacho. No meio campo, Casemiro atuou na frente dos centrais e foi compensado por Valverde. A surpresa esteve na troca de Modric por Kroos, deixando o alemão com o papel de conduzir os ataques madridistas. Na frente de ataque, Zidane trocou os brasileiros e tirou Jovic, deixando apenas Asensio em relação ao último jogo. Vinícius entrou por Rodrygo e Benzema assumiu a tirularidade.

O resultado foi melhor do que a exibição e contou muito com o desacerto defensivo adversário. No entanto, e apesar de uma forte oposição de Sergiño Dest, Vinícius foi o sinal mais dos campeões espanhóis. Aliás, esteve na ala esquerda o melhor jogo dos de Madrid. O envolvimento ofensivo de Mendy, bastante superior ao de Nacho e Lucas Vázquez, surtiu efeitos, sobretudo quando Benzema descia para receber a bola e apoiar-se no médio mais próximo, geralmente Toni Kroos.

Varane errou no lance do golo, permitindo a posição legal de Alba. Porém, no geral, a defesa esteve à altura de um ataque temível, mas algo inofensivo, na partida de hoje. Courtois teve poucas oportunidades para se aplicar e, com alguma tranquilidade, a equipa de Zidane reverteu uma situação desfavorável e que já indicava uma crise de resultados.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Courtois (6)

Nacho Fernández (5)

Sergio Ramos (7)

Raphael Varane (6)

Ferland Mendy (7)

Toni Kroos (6)

Casemiro (6)

Fede Valverde (7)

Marco Asensio (6)

Karim Benzema (7)

Vinícius Júnior (7)

SUBS UTILIZADOS

Luka Modric (7)

Lucas Vázquez (6)

Rodrygo (7)

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