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Justiça Setiéna: o futebol tem sempre razão

Miguel Ferreira de Araújo · 2 min

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A um lugar da zona de descida, e em igualdade pontual com o antepenúltimo e com Eibar, as prestações contradizem um clube que tem no nome laivos de realeza e tinge de verde uma cidade de cores quentes e apaixonada por futebol: falamos do Real Betis Balompié.

Capital da Andaluzia, Sevilha é, por estes dias, uma cidade que alberga dois dos maiores clubes espanhóis da contemporaneidade. Protagonistas da maior rivalidade local de Espanha, Real Betis e Sevilla FC vivem momentos distintos no que ao desempenho no principal escalão do futebol espanhol diz respeito.

Pouco dados a pasodoble, as duas formações têm seguido rumos distintos. Se a turma liderada por Lopetegui tem pautado o seu jogo por um futebol apoiado, criando inúmeras ocasiões de golo por partida, estando a apenas três pontos do líder Barcelona, é seguro dizer que o Betis de Rubi tem tido um futebol de “pechisbeque”.

O treinador catalão, ex-Espanyol, recebeu uma pesada herança de Quique Setién: o agora desempregado treinador espanol de 60 anos, mais do que as boas prestações e competitividade que emprestou ao Betis nos dois anos em que se sentou no banco dos verdiblancos, deixou um legado e uma identidade distinta no estilo de jogo dos andaluzes.

Contestado pelo futebol utópico e pouco resultadista, Setién viria a dar lugar a Rubi, cujas credenciais tinham inscritas uma subida de divisão ao serviço do Huesca, um sétimo lugar ao leme do Espanyol – que lhe valeu o apuramento para a Liga Europa -, bem como o atingir dos quartos-de-final da Taça do Rei pela turma catalã.

Ao pragmatismo catalão trocado pelo romantismo da Cantábria juntou-se um investimento pouco visto até então pela equipa presidida por Juan Carlos Ollero: no último mercado de transferências, foram gastos quase cem milhões de euros em jogadores de créditos firmados, casos de Nabil Fekir, Giovani Lo Celso ou Borja Iglesias.

Ainda que também tenha visto partir o defesa-esquerdo dominicano Junior Firpo para o Barcelona ou o guardião espanhol Pau López para a Roma de Paulo Fonseca, as expetativas eram altas em torno de um plantel que aparentava dar garantias não só de uma época tranquila como, também, de dar um passo em frente no que toca a resultados.

Não foi assim.

Fonte: Real Betis

O Estádio Benito Villamarín – cujo nome advém do mais querido presidente deste clube com mais de um século de existência – tem assistido a sucessivas performances desinspiradas por parte dos heliopolitanos. Com apenas duas vitórias em nove jogos, a instabilidade em torno do onze titular tem contribuído para as fracas prestações da equipa de William Carvalho, Joaquín e companhia.

A contestação em torno de Rubi tem crescido e o calendário que se avizinha não se afigura favorável a um dos poucos emblemas que já conquistou a liga do país vizinho: nas próximas cinco jornadas, o Betis defronta, por esta ordem, a surpresa Granada, Celta de Vigo, Real Madrid, Sevilla e Valencia.

Se em equipa que ganha, não se mexe, em treinador que não abdica de uma ideia positiva em detrimento uma conservadora, muito menos.

Foto de Capa: Real Betis

Artigo revisto por: Manuela Baptista Coelho

Miguel Ferreira de Araújo

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