Cabeçalho Liga Espanhola

Vivem-se tempos excitantes para quem gosta de futebol. Na próxima época, teremos Guardiola no Manchester City, Mourinho no Manchester United, Conte no Chelsea e Klopp no Liverpool (começando a época de início). Mas também na Liga Espanhola há motivos de interesse: Sampaoli chegou, finalmente, a uma grande liga europeia! Para já, vamos tendo alguns vislumbres do novo Sevilha, a horas tardias, algures nos Estados Unidos, onde a equipa vai preparando a época, mas já há a certeza de que este será o “Sevilha de Sampaoli”. É que o argentino é um desses treinadores cuja passagem deixa marca e cujo dedo se nota nas equipas que treina.

Admirador confesso de Marcelo Bielsa e de Pep Guardiola, Sampaoli é um dos treinadores que mais expectativas gera para a próxima temporada na Liga Espanhola. Não é que tenha um grande currículo como treinador, já que, aos 56 anos (mais três que Mourinho, por exemplo), a sua experiência a nível de clubes foi conseguida apenas nos modestos campeonatos de Perú, Chile e Equador. O sucesso que teve no Universidad de Chile levou-o ao cargo de selecionador do país, onde ganhou fama internacional. Primeiro, impressionou no Mundial do Brasil, em que eliminou Espanha na fase de grupos, só perdendo para a equipa da casa no desempate por grandes penalidades; depois, na Copa América 2015, conseguiu o primeiro título da história do país. Mas, mais do que devido aos seus resultados, a expectativa em torno da sua ida para Sevilha deve-se às suas ideias e à forma como coloca a jogar as suas equipas.

Na época de Sampaoli, houve quem chegasse a apelidar o Universidad do Chile de “Barcelona da América” e, durante os quatro anos em que foi selecionador, viu-se sempre a seleção chilena com muita posse de bola, pressão alta e futebol de ataque. Há alguns pormenores ilustrativos da forma diferente de Sampaoli pensar o futebol. Por exemplo, no Mundial do Brasil, o seu onze-tipo tinha três centrais… todos com menos de 1,80 m. Francisco Silva e Gonzalo Jara com 1,78 m e Gary Medel com apenas 1,71 m. De resto, uma das curiosidades sobre o Sevilha desta época está na tática que será utilizada: três defesas como se viu na maior parte dos jogos do Chile (mas não sempre) ou uma defesa a quatro, como é habitual na maior parte da Europa?

Ganso é uma das grandes atrações do novo Sevilha Fonte: Facebook de Ganso
Ganso é uma das grandes atrações do novo Sevilha
Fonte: Facebook de Ganso

Outra curiosidade que ilustra bem a forma de Sampaoli ver o jogo está nas contratações já feitas pelo Sevilha para esta temporada. Dos seis jogadores já contratados, quatro usavam a camisola número 10 no seu anterior clube. São eles Paulo Henrique Ganso (São Paulo), Hiroshi Kiyotake (Hannover), Pablo Sarabia (Getafe) e Joaquín Correa (Sampdoria), o que demonstra a importância que Sampaoli atribui aos médios criativos e ao futebol de ataque. Ganso suscita particular curiosidade, já que foi um pedido expresso do novo treinador e é um nome de que se ouve falar desde os tempos do Santos, em que estabeleceu uma proveitosa parceria com Neymar. A sua visão de jogo e qualidade de passe são reconhecidas por todos, mas não é garantido que Ganso se consiga adaptar ao ritmo do futebol europeu. Sampaoli provavelmente verá nele o seu novo Valdivia, para servir a dupla de avançados que será composta por Gameiro e outro jogador igualmente móvel na frente de ataque, como acontecia com a dupla Vargas-Alexis. (Llorente parece ter os dias contados no clube andaluz). De qualquer forma, é certo que vai haver espetáculo no Sánchez Pizjuán esta temporada.

Anúncio Publicitário

Dito tudo isto, a tarefa não será fácil. Emery deixou a fasquia bastante alta ao vencer a Liga Europa por três vezes consecutivas e é importante lembrar que Krychowiak e Banega abandonaram o clube e não serão nada fáceis de substitutir (ainda que essa seja uma realidade que Monchi, o diretor desportivo, já esteja habituado a enfrentar época após época). Ainda assim, o Sevilha vai bater o Real Madrid e levar a Supertaça Europeia dia 9 de agosto. Pode tomar nota. (Ah! E vai ter mais posse de bola).

Foto de Capa: Sevilha FC