cab la liga espanha

Quarta-feira, em Espanha, jogaram-se as partidas relativas às meias-finais da Copa del Rey, que, tal como em Portugal, são realizadas em duas mãos.

Quis o sorteio (ou quiseram as maiores entidades do futebol espanhol) que o Real Madrid e o Barcelona se encontrassem única e exclusivamente na final. No entanto, para que esse cenário seja uma realidade é necessário ultrapassar os adversários das meias-finais. O Real Madrid recebeu no Santiago Barnabéu o poderoso Atlético de Madrid, enquanto que o Barcelona defrontou, no Camp Nou, a surpreendente Real Sociedad.

Ora, depois dos resultados da primeira mão, já todo universo futebolístico se prepara para mais uma épica final entre os dois maiores clubes espanhóis. Real Madrid e Barcelona deram um passo de gigante rumo a essa tão aguardada partida.

 

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Real Madrid 3 – 0 Atlético Madrid

Casillas; Arbeloa; Pepe; Ramos; Coentrão; Modric; Alonso; Di Maria; Jése; Benzema; Ronaldo.

Courtois; Juanfran; Miranda; Godín; Insúa; Gabi; Koke; Garcia; Diego; Turan; Diego Costa.

 

O canterano Jesé Rodriguez foi uma das figuras do Real Madrid Fonte: pictures.zimbio.com
O canterano Jesé Rodriguez foi uma das figuras do Real Madrid
Fonte: pictures.zimbio.com

Os merengues entraram em campo com sede de vingança – perderam a final do ano passado, precisamente para o Altético de Madrid – e uma intensidade de jogo surpreendente. Foi tão surpreendente que nem os jogadores do Atlético de Madrid estavam à espera. Na verdade, o Real Madrid ganhou o jogo desde o primeiro minuto face à tremenda pressão que fizeram sobre o conjunto colchonero. Os pupilos de Diego Simeone nunca mostraram capacidade para superar o sufoco causado pelo rival e apenas a espaços conseguiram criar algum perigo. O Atlético de Madrid foi batalhador, é certo, mas não foi, de todo, suficiente para bater o Real Madrid. Ancelotti apresentou uma equipa que aparenta crescer de jogo para jogo, tanto a nível exibicional como a nível tático.

Com Di Maria (MVP do jogo) e o canterano Jesé Rodriguez a causarem desequilíbrios nos duelos individuais, foi com naturalidade que ao minuto 17 o internacional português Pepe, através de um remate desviado por Insúa, abriu o marcador para os homens da casa. Já na segunda parte, aos 57 minutos, Di Maria pôs à vista todas as fragilidades defensivas do Atlético Madrid e, através de um passe magistral, desmarcou Jesé Rodriguez, que ampliou o marcador para 2-0. Os merengues não mostravam grande vontade de tirar o pé do acelerador, criando várias ocasiões de golo. O Atlético, por seu turno, revelava uma apatia nada habitual esta época e viu aos 73 minutos, com algum azar à mistura, Di Maria dilatar novamente o marcador num remate à entrada da grande área que, ao ser desviado por Miranda, acabaria por trair Courtois.

No final da partida, Diego Simeone lamentou a derrota e afirmou que o Atlético Madrid “nunca encontrou o caminho”. A verdade é que apesar de viverem a poucos metros do Santiago Barnabéu, foram poucos os jogadores colchoneros que realmente “viajaram” até ao estádio do rival.

O Real Madrid parte para a segunda mão, no Vicente Calderón, praticamente com o bilhete para a final.

 

Barcelona 2 – 0 Real Sociedad

Pinto; D. Alves; Piqué; Mascherano; J. Alba; Xavi; Busquets; Fabregas; Alexis; Messi; Pedro.

Zubikarai; Zaldúa; M. González; Ansotegi; I. Martínez; J.Ángel; Zurutuza; Gaztañaga; Elustondo; Vela; Griezmann.

Busquets abriu o marcado no Camp Nou Fonte: imguol.com
Busquets abriu o marcado no Camp Nou
Fonte: imguol.com

Tal como o Real Madrid, o Barcelona fez questão de mostrar que está com vontade de jogar a final da Copa del Rey. Os blagurana atravessam uma crise de resultados e sobretudo, têm efetuado exibições muito abaixo do nível habitual.

Porém, o futebol dominante do Barcelona voltou a ser visto em Camp Nou. Com base no lendário 4-3-3 à la Barcelona, Tata Martino lançou Messi, Alexis e Pedro no tridente ofensivo e os resultados foram muito positivos. A mobilidade e rapidez dos três homens da frente não deram qualquer chance ao quinteto defensivo apresentado por Arrasate. O treinador da Real Sociedad – que está a fazer um campeonato excecional – organizou a equipa basca num 5-3-2, com três setores indissociáveis. Quando partiam para o ataque, o 5-3-2 da Real Sociedad transformava-se num 4-4-2, tentando ao máximo aproveitar as fragilidades defensivas do Barcelona.

Nos minutos iniciais o plano demonstrou ser perspicaz já que, por diversas ocasiões, os avançados da equipa basca podiam ter aberto o marcador. A ineficácia paga-se caro e esta vez não foi exceção. Perante um enorme caudal ofensivo, foi já perto do intervalo (44 minutos) que Sergio Busquets marcou, na sequência de um canto, o primeiro golo da partida. No mesmo lance, Iñigo Martinez viu o segundo amarelo por protestos e foi expulso da partida. A segunda parte começou praticamente com novo golo do Barcelona, com um lance, no mínimo, caricato: ao minuto 50, Elustondo, numa tentativa de evitar que a bola saísse pela linha de fundo, rematou contra Zubikarai, que inadvertidamente acabou por fazer auto-golo.

O resto do encontro foi um misto de defesas miraculosas de Zubikarai – melhor em campo – e oportunidades desperdiçadas pelos homens do Barcelona. Os jogadores da Real Sociedad, no decorrer do segundo tempo, procuraram não sofrer golos e salvaguardar uma réstia de esperança para a segunda mão.

O Barcelona leva assim uma importantíssima vantagem de dois golos para San Sebastian. É já no próximo dia 12 que a Real Sociedad vai tentar virar o resultado negativo, tarefa que se adivinha muito difícil – ou até impossível.

 

É fácil prever que a edição da Copa del Rey deste ano terá como finalistas os dois “reis espanhóis”. Na verdade, não tenho qualquer dúvida de que o Real Madrid e Barcelona terão, respetivamente, a oportunidade conquistar a 19ª ou 27ª Copa del Rey. Neste momento, só um milagre pode mudar o destino da final mais desejada.

 

P.s. Nota final para os 38.505 adeptos presentes no Camp Nou. Num estádio com capacidade para 105.000 pessoas, ter 38.505 numa meia-final da Copa del Rey é, de facto, péssimo. A crise e o horário do jogo pode servir de desculpa, mas os adeptos parecem estar de costas voltadas com as exibições mais recentes da equipa e inclusive com os polémicos atos de gestão por parte da direção blaugrana.