Tal como em todo o Universo, não há nenhuma estrela no futebol que um dia não se apague. Ok, talvez seja uma frase cliché. Ou, como diria um dos melhores professores que já tive, muito kitsch – forma sublime de dizer parolo. Mas, kitsch ou não, esta é uma verdade inquestionável.

Outra verdade, também ela inquestionável, é que Francisco Suárez, mais conhecido como Isco, há já algum tempo que deixou de brilhar. Ainda é uma estrela, claro está. Mas esse é um estatuto que se alcança simplesmente por jogar no Real Madrid. E se jogar no maior clube do mundo (maior não é sinónimo de melhor) tem os seus benefícios e vantagens, tem também alguns inconvenientes e problemas.

Voltando a ser kitsch, uma das maiores vantagens em jogar no Real Madrid é ter a oportunidade de brilhar como em nenhum outro lado. Digam o que disserem, jogar no Santiago Barnabéu ainda é o topo do futebol mundial. Há outros clubes que talvez se possam comparar mas nenhum ultrapassa o prestígio do colosso espanhol. As nove Ligas dos Campeões conquistadas pelos merengues pesam demasiado na história do futebol, e dificilmente encontrámos um jogador que não tenha, pelo menos, um certo guilty pleasure sobre o Real Madrid.

Mas, voltando ao cerne da questão, do outro lado da barricada, o das desvantagens, encontrámos um problema que já todos conhecemos: o excesso de estrelas.

Isco foi uma das contratações para a nova temporada. Fonte: lancenet.com.br
Isco foi uma das contratações para a nova temporada.
Fonte: lancenet.com.br

Cristiano Ronaldo, Gareth Bale, Benzema, Di Maria, Sérgio Ramos, Modric, Pepe… a lista continua, como vocês sabem. No entanto, e mesmo tendo Cristiano Ronaldo como colega, todos os jogadores têm espaço e azo para brilhar. O dilema principal é que algumas das “estrelas” vão brilhar mais do que outras. O talento, o profissionalismo, os golos marcados, o futebol jogado, enfim, são vários os fatores que condicionam a intensidade e a duração com que brilham.

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Então, por que razão deixou Isco de brilhar? É difícil responder quando todos lhe reconhecem um talento bem acima da média. O médio espanhol é dono de uma técnica apuradíssima, capaz de fazer magia em qualquer relvado. O pé direito do jogador, nascido em Benalmádena, é, tenho a certeza, um dos melhores da Europa. É difícil, de facto, entender porque não joga.

Recorrendo aos números, o virtuoso médio espanhol até teve um excelente início de época: foi titular nas primeiras nove jornadas da Liga Espanhola e faturou cinco golos.

Porém, a partir de dezembro, a produção do jogador caiu a pique. Em poucos meses passou de titular a jogador que entra nos minutos finais para refrescar a equipa. Lamentável, mas é a lei do futebol.

Curioso é que, desde que Ancelotti escolheu Di Maria em detrimento de Isco, a equipa melhorou muito a sua performance e qualidade futebolística. Não acredito que a culpa do futebol menos encantador do início da temporada, comparativamente ao atual, fosse culpa de Isco. Mas, no entanto, é incontestável que a equipa subiu de rendimento com o ex-benfiquista em campo.

No passado dia 15, frente ao Málaga, Isco foi novamente titular na equipa merengue. Algo que para a Liga não acontecia desde o dia 6 de janeiro, aquando da receção ao Celta de Vigo.

No jogo do La Rosaleda, que marcou o regresso de Isco ao clube que o tornou famoso, o médio do Real Madrid apresentou-se a um nível muito fraco. Longe do jogo, raramente teve a bola e, quando a teve, as decisões nem sempre foram as melhores. O jogo frente ao Málaga foi, tal como se esperava, de dificuldade elevada. Mas, mesmo assim, Isco deveria ter feito muito mais e muito melhor. Tenho a impressão de que Ancelotti deu a titularidade ao médio espanhol com esperança de que um confronto com a ex-equipa surtisse nele um efeito motivador e que originasse um boost extra de qualidade. Tal não aconteceu e a substituição, aos 63 minutos, pelo canterano Jesé Rodriguez não estranhou.

Faltam poucos meses para o final da temporada 2013/2014 e, com o Mundial do Brasil mesmo à porta, as perspetivas de Isco ser um dos 23 eleitos de Vicent del Bosque para representar a Espanha são, no mínimo, escassas. Contudo, até que a lista definitiva seja publicada, a porta mantem-se aberta. Será que Isco ainda vai a tempo de brilhar?