O estado de espírito pode determinar as nossas atitudes. Num dia bom, num dia em que tenhamos recebido uma notícia agradável ou terem-nos dito algo muito simbólico e importante, até nos podem atingir com uma pedra na cara que não há “filme”; mas num menos bom… o oposto.

É difícil comentar sobre a situação do Real Madrid. Mas também é fácil. Difícil porque não temos acesso a muita informação relevante, pertinente, e claro, indispensável para analisar o caso. Fácil porque estamos do lado de fora…

Sergio Ramos cometeu um erro. É isso que penso. Ter reagido como reagiu após um lance menos agradável, em que fora atingido na face, durante o treino, por um colega de equipa. Curioso o facto de ter sido com um jovem da formação (Sergio Reguilón). Dá alarido, mas e se fosse com Bale, Isco, Benzema, Modric, Kroos,…? Bem, antes de mais, acho que nem acontecia, o respeito que nutre por tais colegas é demasiado grande, e acho muito bem que assim seja.

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Mas não acho bem, embora quando a cabeça ferve, seja difícil controlar os ânimos, medir o temperamento. Mas é capitão de equipa. Pode não ser “santinho”, mas deveria fazer jus à braçadeira… Deveria ser o símbolo máximo do plantel, o representante de todos os jogadores.

Num clima de tanta tensão, claro que Lopetegui não tem pulso firme o suficiente para intervir. Também, sinceramente, acho que a poeira assentará. Se é que já não assentou, e que afinal o caso não seja assim tão grave. É natural acontecerem situações assim, desde que haja logo reconhecimento de culpa por parte de quem esteve menos bem. Que fique tudo esclarecido, e volte à normalidade. Foi o que se sucedeu, aparentemente.

Mas duvido que seja assim tão fácil para um miúdo, que no meio de autênticos pesos pesados do futebol atual, se sentir cómodo daqui para a frente. Será que ficará alguma inibição patente, ou apenas se tratou de um mero incidente, sem grande importância futura?

O jovem Sergio Reguilón entrou à “Ramos”, e Sergio Ramos não gostou
Fonte: Real Madrid CF

Aliando a este caso a crise de resultados, a que é apontado Julen Lopetegui como responsável, visto ser o técnico da formação merengue. Comparo esta situação à vivida por Rafa Benítez: quando passou por Madrid, desde o primeiro instante que se sentiu que não era bem-vindo pelo plantel. Os adeptos ficaram meio apreensivos também.

E isto logo no dia da apresentação!! E, naturalmente, acabou mesmo por ser despachado, substituído por Zidane, e depois… História. Três Ligas dos Campeões consecutivas, feito inédito!

A transição, que é do ser treinado por uma figura, absolutamente, incontornável do universo futebolístico, à do ser treinado por outro sem provas de realce dadas, que não contenha uma aura que incuta respeito a qualquer pessoa relacionada com futebol.

A perda de CR7, a adaptação de Courtois, enfim, e mais importante, provar que conseguem ser o Real Madrid, mesmo sem Zidane e Ronaldo! São estas “coisitas” psicológicas que influenciam, que mexem nas pessoas. São atletas de alto rendimento e recebem mesmo muito! É por isso que os demais, mais concretamente os aficionados, exijam sempre o máximo e nada menos do que isso. Hoje, para as pessoas, não há desculpas que sirvam a alguém abastado financeiramente…

A crise que o histórico Real Madrid enfrenta, embora se estranhe, por ser um clube fortíssimo, com posses para comprar tudo e todos, é natural. Fechou-se um ciclo, esta temporada iniciou-se um diferente. Ao que tudo indica, será um ciclo curto, como o de Benítez, resta saber se virá um “Deus”, como se sucedera em 2014, e que tenha o carisma suficiente para fazer transitar um conjunto de jogadores de classe mundial, tricampeões europeus, que nele “só” falta, segundo Florentino, “o digno sucessor de Di Stéfano.”

 

Foto de Capa: Real Madrid CF

Artigo revisto por: Jorge Neves

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