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Quando páras de chorar, Valência?

Rafael Simões · 3 min

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Cabeçalho Liga Espanhola

Quando Peter Lim se tornou dono do Valência, poucos imaginariam que volvidos cerca de dois anos e meio, o Valência atravessasse uma crise profunda. O magnata da Singapura entrou no clube com a promessa de um grande investimento que iria permitir ao clube Che ombrear com os principais emblemas espanhóis – tal como acontecia no início do século – mas a verdade é que o plano tem saído completamente furado e hoje em dia ir ao Mestalla – um dos estádios mais emblemáticos da Europa – é ir a um estádio que outrora fora vulcânico e agora suplica por uma réstia de esperança e efervescência.

Com o português Nuno Espírito Santo no comando da equipa, o começo da era Peter Lim até foi auspicioso e o clube alcançou um espetacular quarto lugar, lutando até ao fim pelo terceiro lugar com o Atleti de Diego Simeone . A época seguinte até começou bem com a qualificação para a fase de grupos da Champions League, mas depois veio o calvário. A prestação na prova milionária ficou muito áquem e a equipa foi logo eliminada na fase de grupos e no campeonato as coisas também não eram famosas e Nuno, numa decisão um pouco precipitada, acabou despedido. O inglês Gary Neville foi o escolhido para suceder ao português mas não conseguiu reerguer a equipa e saiu apenas ao fim de quatro meses, acumulando várias derrotas, entre as quais um humilhante 7-0 no Camp Nou.

Cancelo tem tentado sacudir o marasmo em que se encontra o clube Fonte: Valência C.F.
Cancelo tem procurado afugentar a depressão do seu clube
Fonte: Valência C.F.

Já esta época, com Cesare Prandelli no comando da equipa – sucedeu a Pako Ayestarán que tinha entrado no cargo no final da época passada – o mau momento do Valência teima em continuar. O italiano é o treinador mais creditado dos muitos que Peter Lim contratou mas até agora os resultados têm-se mantido maus. A equipa perdeu André Gomes e Paco Alcácer, dois dos principais jogadores, mas o investimento que foi feito – entraram Nani, Garay e Mangala, por exemplo – exige resultados muito mais positivos. Ocupando um miserável décimo sexto lugar, apenas dois pontos acima da linha de água, o clube Che parece ter perdido, mais uma vez, o comboio das competições europeias. Com um futebol aos trambolhões, muito apoiado nas ações individuais de João Cancelo – o português tem sido o principal destaque da equipa -, a bola parece que queima e assim é difícil os resultados aparecerem.

No entanto, Cesare Prandelli adotou no último jogo da liga um 3-5-2 e esse parece ser o caminho a seguir. Em primeiro lugar, é uma tática tipicamente italiana e nada melhor que um treinador italiano da velha guarda para a explorar. Em segundo, o tipo de jogadores que o plantel possui. Três centrais de enorme qualidade – Garay, Mangala e Abdennour podem formar uma linha recuada de altíssimo nível -, e três laterais que são muito ofensivos e que podem perfeitamente fazer o corredor todo com excelente qualidade, como é o caso de João Cancelo à direita e Gayá e Siqueira à esquerda, sem que a sua retaguarda fique desprotegida.

No meio há dois jogadores de alta rotação – Enzo e Mario Suarez – e Parejo, o jogador mais criativo destes três. Por último, na frente de ataque os intérpretes também parecem corresponder às necessidades de um 3-5-2. Nani que realizou um excelente europeu no último verão a jogar precisamente a avançado móvel e Rodrigo, o ex benfiquista também reúne as características necessárias para desempenhar bem a função. Há ainda Munir, jovem avançado emprestado pelo Barcelona e que tem mostrado serviço sempre que é chamado.

Os dados estão lançados e resta agora esperar para ver se Prandelli e a restante armada valenciana conseguem reerguer um clube histórico de Espanha que já foi campeão duas vezes neste século e que tarda em voltar ao seu registo normal, devolvendo a alma ao Mestalla, um estádio que tão bom ambiente costuma ter.

 

Foto de capa: Valência C.F.

Rafael Simões

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