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Quase cem golos levam Fernando Torres ao serviço do Atlético de Madrid, ainda que, esta época, estejamos quase sem golos de Torres. Há quatro meses, a 19 de setembro, frente ao Eibar, fez o seu golo número 99, mas o número cem continua sem chegar. Desde aí, Torres já participou em 19 partidas, mas parece ter ficado emperrado ali à beira da centena.

Nos jogos seguintes à deslocação a Eibar, a possibilidade de o avançado espanhol atingir a marca histórica dos três dígitos estava no pensamento de toda a gente, mas, entretanto, a espera já começa a cansar. Imagino que Torres até já tenha esquecido os festejos que ensaiou para o seu centésimo golo, que aquela camisola interior que se tinha preparado para exibir já esteja desbotada de tantas vezes ter sido utilizada sem poder ver a luz do dia, e que aquela placa comemorativa que o clube tinha pensado em entregar ao jogador já esteja cheia de pó.

Aliás, depois de tantas vezes perguntar “Quando será que Torres vai marcar o centésimo golo?”, já há quem pergunte “Será que o vai marcar?”. É que Torres termina contrato no final da época e o clube não parece disposto a propor-lhe a renovação. Pode parecer ingrato por parte do Atlético, mas a verdade é que este não é o El Niño que apareceu na equipa principal há 15 anos. Esse entrou de rompante e fez 91 golos em seis épocas, à média de 15 golos por ano, na capital espanhola. Este Fernando Torres que vemos agora fez seis golos na época passada e apenas dois nesta.

Torres faz o seu 99.º golo pelo Atlético de Madrid  Fonte: Facebook Oficial do Atlético de Madrid
Torres faz o seu 99.º golo pelo Atlético de Madrid
Fonte: Atlético de Madrid

Os adeptos estão divididos quanto à continuidade ou não do jogador. Sabem que o rendimento do avançado está abaixo do que é exigido, mas, por outro lado, é impossível ignorar o facto de Torres ser uma lenda viva do clube. E esse é, a meu ver, o grande problema. As lendas são para estar nos museus e nas histórias que os avós contam aos netos; não para ficar sentadas no banco de suplentes ou para estar quatro meses sem marcar um golo. Imagino uma criança que veja o brilho nos olhos de alguém mais velho ao descrever aquele dia de junho de 2001, em Albacete, em que um miúdo de 17 anos, a quem chamavam El Niño, entrou para marcar o golo da vitória. Depois, a criança vê aquele tipo sentado no banco de suplentes e deve achar que há algum engano.

Seria bem mais fácil se os grandes jogadores se retirassem quando ainda estão no topo. Zidane, por exemplo, saiu quando tinha acabado de ser um dos melhores jogadores do Mundial 2006 e deixou-nos a todos a desejar que ainda continuasse por, pelo menos, mais um aninho. Se Torres e outros, como Casillas, se tivessem retirado há uns anos, hoje todos diríamos: “Que pena terem abandonado tão cedo!”. Assim, quando se reformarem, respirarei de alívio: finalmente poderei dizer ao meu filho que Torres era um avançado incrível e que Casillas defendia tudo, sem correr o risco de ele achar que estou maluco.

Foto de capa: Facebook Oficial de Fernando Torres

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