O futebol vai-nos pregando partidas sobre alguns jogadores. Jogadores com maior ou menor idade podem surpreender os espetadores e a sua performance em campo pode despontar mais cedo ou mais tarde. Aos 29 anos, Daniel Wass já passou por vários momentos no futebol, especialmente quando era falado pela comunicação social. Atualmente, tudo se encontra mais estabilizado, em Valência, onde é uma das viáveis opções do treinador Marcelino Toral.

As fases da carreira de Wass foram sempre de boa imprensa. Depois de ganhar notoriedade no clube do seu país natal, o Brøndby IF da Dinamarca, e nas seleções jovens daquele país, como defesa lateral direito, foi rotulado de futura estrela do SL Benfica. Foi uma de muitas contratações da era Jorge Jesus, quando chegou ao clube da Luz em 2011. O defesa Nuno Coelho e o guarda-redes Artur Moraes foram também apresentados no mesmo dia da chegada do dinamarquês. Porém, dois meses após a contratação, Wass acaba por ser emprestado ao Evian Thonon Gaillard FC, hoje no segundo escalão do futebol francês.

Logo a seguir, em 2012, tornou-se um dos muitos “jogadores fetiche” de José Mourinho quando ainda orientava o Real Madrid CF, mas nada feito. O rendimento em França foi notável e mereceu uma chamada à seleção da Dinamarca no Euro 2012, equipa que estava curiosamente no mesmo grupo de Portugal, Alemanha e Holanda. Não somou qualquer minuto nos três jogos daquela fase de grupos.

A vontade de Wass jogar pelo Benfica era pública, mas tal nunca se sucedeu e acaba por ficar no Evian a título definitivo até 2015. Aí, o jogador continuou a ser uma peça fundamental da equipa, jogando do lado direito da defesa, ataque e a meio campo. No entanto, o clube de Thonon-les-Bains iria cair para a Ligue 2.

Uma ‘ninharia’ para o Celta de Vigo e agora em Valencia. Lesões colocam Wass na titularidade dos valencianos
Fonte: Valencia CF

O destino que se seguia era Vigo, a casa dos espanhóis do RC Celta de Vigo, a troco de três milhões de euros. Um clube que foi ganhando o seu espaço na La Liga com jogadores fiáveis. Por valores semelhantes, o Celta foi buscar Maxi Gomez, Lobotka, Pione Sisto e Beltrán e formou jogadores como Jonny Castro, Hugo Mallo, Diop, Santi Mina e Denis Suárez. Atenção também que por lá passaram Nolito, Fabián Orellana e Iago Aspas. 2015/2016, um sexto lugar no campeonato e uma qualificação europeia que embalou a equipa até às meias finais da Liga Europa. Nas últimas duas épocas, o número 13 tem sido o favorito para posicionar o Celta na classificação.

Esta temporada, apesar de não ter ido ao Mundial da Rússia, a fiabilidade de Daniel Wass foi para o outro lado de Espanha, em Valencia, clube que conseguiu um lugar na Liga dos Campeões. Havia interesse efetivo dos ingleses do Everton FC. O jogador ganhou ligeiramente mais valor (transferência de 6M€) e juntou-se ao lote de médios experientes da equipa “che” como Dani Parejo, Kondogbia e Coquelin. O dinamarquês é mais uma opção de polivalência para o técnico Marcelino Toral. Pode jogar no apoio ao ataque, mais recuado para ajudar na defesa, ou mais encostado à faixa direita. Com algumas lesões a afetar a equipa do Valência CF, Wass é a aposta cada vez mais aplaudida pelos adeptos do Valência por assumir o jogo interior da equipa com total clareza e equilíbrio, sem tomar demasiados riscos. É também um dos escolhidos para bater bolas paradas pois qualidade de passe sempre foi evidente.

Terá sido este jogador uma opção para o Benfica? Já passou muito tempo para essa reflexão, mas podemos assumir que naqueles tempos dos «encarnados» dificilmente tinha espaço. Mas por que razão era tão cobiçado? É certo que Daniel Wass parece ser um jogador da equipa (ou do treinador, daqueles que são peças chaves, na “sombra”) pois tem revelado ao longo da sua carreira uma polivalência que interessa a muitos clubes. Em Espanha ganhou o seu espaço por isso. Também verificamos que depois da passagem cinzenta por Portugal, o dinamarquês fez sempre mais de 30 jogos nas últimas épocas em todas as equipas que passou. Passar do Evian para o Celta de Vigo e chegar a Valência é um salto e uma prova de progressão, sobretudo estável, apesar do mau arranque da equipa de outros ex-benfiquistas como Rodrigo Moreno, Garay e Gonçalo Guedes.

Foto de Capa: Valencia CF

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