O FC Barcelona é, indiscutivelmente, um dos maiores clubes do mundo fundamentalmente devido à sua história recheada de imensos títulos, não só nacionais como internacionais. Conta, desde 1899, (ano de fundação) com 26 campeonatos conquistados, cinco Ligas dos Campeões e três Campeonatos de Mundo de Clubes, além de outros tantos troféus que arrecadaram ao longo destes 120 anos de história.

São os atuais campeões espanhóis, estão no segundo lugar da La Liga e vão disputar os oitavos de final da principal prova europeia, mas o clube da Catalunha já de há uns anos para cá que não é o mesmo. Pelo menos aquele que conhecemos nos seus tempos áureos, quando treinado por Pép Guardiola, que comandou a equipa que é considerada, por muitos, como a melhor de toda a história do futebol.

Um bom exemplo disso foi a passada temporada onde o Barcelona, apesar de ter conseguido ser campeão nacional, foi vítima de uma das mais incríveis reviravoltas da história da Liga dos Campeões, quando foi a Anfield sofrer quatro golos sem resposta que ditaram o seu afastamento da competição.

Ernesto Valverde ainda se manteve no comando técnico da equipa por mais de meia época, mas no passado dia 13 chegou a acordo com a direção para o seu afastamento do cargo, algo que já há muito havia sido pedido pelos adeptos. O seu sucessor foi Quiqué Setién, antigo treinador do Las Palmas e do Bétis de Sevilha, que tem já um vasto conhecimento do futebol espanhol.

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Quique Sétien vai para a sua oitava experiência enquanto treinador
Fonte: FC Barcelona

O técnico assumiu o cargo depois da derrota contra o Atlético Madrid para a Supertaça e cumpriu o seu primeiro jogo frente ao Granada. Podemos dizer que aplicou os “mínimos olímpicos” uma vez que bateu a equipa da Andaluzia por apenas 1-0. O teste que se seguiu não poderia ser revelador de grandes coisas, pelo menos para a positiva, uma vez que o adversário era da terceira divisão do futebol espanhol. Foi com muitas alterações no 11 inicial que o Barcelona encarou o Ibiza, que quase fazia uma gracinha, não fosse o bis de Griezmann numa fase já avançada do encontro. Ainda assim é de notar o 3-5-2 promovido por Setién que contrariou aquele que vem sendo o ADN catalão dos últimos anos.

A derradeira prova seria no jogo seguinte, onde o Barcelona iria visitar o Mestalla para defrontar o Valência, equipa para a qual havia perdido a Taça do Rei na época passada. O jogo começou e rapidamente percebemos que o 3-5-2 se manteve, surpreendendo todos aqueles que achavam que tinha sido apenas uma experiência contra uma equipa menos competitiva. Os quatro defesas continuavam lá, apenas estavam predispostos de uma maneira diferente. Sergi Roberto, Piqué e Umtiti constituíram a linha defensiva, fazendo com que Jordi Alba fizesse todo o corredor esquerdo, aparecendo assim mais à frente nos momentos ofensivos.

O Barcelona começou bem e rapidamente impôs o seu jogo de muita posse e domínio. No entanto, faltava criar situações de perigo, o que foi tranquilizando a equipa da casa que acabou mesmo por marcar primeiro, já depois de ter falhado uma grande penalidade. O registo manteve-se quase igual ao longo de toda a partida e o Valência foi continuando a tentar a sua sorte em contra-ataques muito bem conduzidos, fazendo assim o segundo golo logo a abrir a segunda parte. Os catalães, com 74% de posse de bola, não tiveram a ajuda do mago argentino que estava pouco inspirado, e acabaram mesmo por perder o jogo, deixando os adeptos a perguntarem-se se esta terá sido a escolha certa para ocupar o lugar de Valverde.

É certo que estavam apenas decorridas duas semanas de trabalho e que ainda há muito para aperfeiçoar, principalmente se a ideia for mesmo implementar esta nova tática, mas pedia-se muito mais a uma equipa com tantos recursos como os que o Barcelona tem.

É altura de voltar a haver uma equipa dominadora em todos os jogos, que mete medo aos adversários só pelo símbolo que leva na camisola. Essa equipa que, apesar de ter o melhor jogador do mundo, via no coletivo a sua arma mais forte e que tinha na palavra “tiki-taka” a melhor descrição para aquilo que fazia dentro de campo. Esse passado não é assim tão longínquo e as condições são mais do que suficientes para que um magnífico início de década se volte a repetir.

Os dados estão lançados e as primeiras impressões foram evidentemente negativas. Se foi realmente uma boa decisão, é algo que só o tempo e o futebol praticado em Camp Nou dirão. Nós, enquanto adeptos, ansiamos ver o Barcelona ser aquilo que já foi em outros tempos, quando a sua magia nos fazia ficar colados ao ecrã, sempre com a sensação de que iríamos ver mais, e sobretudo melhor.

Foto de Capa: FC Barcelona

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão