Real Madrid CF 0-4 FC Barcelona: Terror no Bernabéu

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É difícil ou mesmo impossível encontrar um jogo com mais mediatismo do que um confronto entre Real Madrid e Barcelona. Assim, justificava-se o dispositivo de segurança montado em redor do Santiago Bernabeu, o maior de sempre para um evento desportivo.

Porém, essa segurança toda não foi capaz de acalmar a ânsia dos jogadores do Real Madrid, muito menos de travar as intenções de 11 homens, vestidos de azul-grená, de aterrorizar parte dos 81 mil espectadores que se deslocaram à Avenida de Concha Espina, em Madrid.

Cedo se começou a notar o poderio do Barcelona, que, mesmo sem Messi, contou com um Sergi Roberto inspirado, sendo ele o responsável maior do golo inaugural da partida, “rasgando” o meio-campo merengue da esquerda para o meio, para oferecer o golo a Suárez. Estavam decorridos 10 minutos.

O Real não conseguia reagir; o primeiro golo teve enorme impacto emocional, foi um autêntico golpe nas ambições merengues, que deixaram o medo levar a melhor. O medo de perder por mais, o medo de partir para cima do adversário e mudar a história do jogo. Do outro lado, os tais 11 homens vestidos de azul-grená posicionavam-se irrepreensivelmente e mantinham-se fiéis ao papel táctico que o seu líder lhes designara, estando mais perto do 0-2 que o Real do empate… e assim aconteceu. Sergio Ramos e Varane fizeram jus àquilo que foi o seu (des)entendimento durante o encontro e deixaram Neymar fugir e aproveitar o passe de Iniesta para aumentar a vantagem, que sentenciou o resultado da primeira parte.

Andrés Iniesta, o protagonista da goleada  Fonte: FC Barcelona
Andrés Iniesta, o protagonista da goleada
Fonte: FC Barcelona

Na segunda metade, o Real pareceu, por breves momentos, apostado em reagir ao terror do primeiro tempo e até conseguiu criar duas ocasiões de perigo, por Marcelo e James; porém, estava a lidar com uma força superior, e isso ficou provado com o excelente entendimento colectivo que deu origem ao terceiro golo forasteiro, finalizado por Iniesta.

Estava decorrida uma hora de jogo, e o vencedor praticamente determinado, com justa causa. O Real ainda conseguira dar um ar da sua graça e obrigar Bravo a aplicar-se um par de vezes até ao apito final (primeiro defendeu com a cara um remate de Ronaldo, isolado, e depois defendeu um cabeceamento de Benzema com uma estirada fantástica), mesmo que pelo meio tenha sofrido mais um ataque impiedoso dos 11 homens vestidos de grená. Desta vez, o cabecilha do grupo já estava no campo de batalha e ajudou a encerrar as contas, participando na jogada do 0-4, autoria de Luís Suarez, assistido por Jordi Alba.

O Real volta a ficar em branco num clássico, quatro anos depois da eliminação das meias-finais da Champions, volvidos 18 jogos com o arqui-rival, e permite que se amplie a desvantagem para o primeiro lugar (agora de seis pontos).

Algo vai mal na casa blanca (os adeptos apontam o dedo ao treinador), e nem o maior dispositivo de segurança parece preparado para lidar com este tipo de terror.

A Figura:

Iniesta – A presença do 8 revelou-se fundamental para a vitória histórica do Barcelona no Bernabéu. Foi ele o principal coordenador da equipa nos momentos de transição ofensiva e defensiva e o fiel da balança que garantiu o equilíbrio da equipa após os golos marcados e segurou a tentativa de reacção adversária.

Ainda marcou um golo, teve toques de génio… e saiu aplaudido.

O Fora-de-jogo:

Sérgio Ramos – Esteve directamente ligado aos dois primeiros golos do Barcelona, revelando-se incrivelmente apático perante a energia dos seus opositores. Primeiro não acompanhou, como devia, Luís Suarez, e depois, juntamente com Varane, abriu um corredor para Neymar ampliar a vantagem.

Até ao final, teve um boa intervenção – atraso milagroso que evitaria, na altura, o 0-4 – mas isso não foi suficiente para se livrar do título de “fora-de-jogo”.

Foto de capa: Real Madrid CF

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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