A CRÓNICA: NEM UM DILÚVIO RETIROU QUALIDADE AO “EL CLÁSICO”

A meio da época ninguém podia prever que FC Barcelona e Real Madrid CF pudessem estar a lutar pelo título, mas a verdade é que à entrada jornada 30, estão. Quis o destino que o “El Clásico” se jogasse debaixo de um autêntico dilúvio, mas nem isso retirou qualidade a este jogo tão típico.

O jogo estava interessante do ponto de vista tático, com uma óbvia marcação homem a homem estendida a todo o campo por parte do Real Madrid CF. Ambas as equipas estudaram os pontos fortes do adversário e procuravam precaver-se para essas situações. O encontro foi desbloqueado através de uma jogada – ao nível da qualidade deste clássico – de deixar água na boca. Toque habilidoso de Benzema, que encosta a bola para dentro da baliza depois de uma bela combinação entre Fede Valverde e Lucas Vázquez. Antes do minuto 30 os “blancos” alargaram a vantagem. Desta feita, de livre, pelos pés do mágico, Toni Kroos.

A receita repetia-se, vezes e vezes sem conta. Quando o Real Madrid parecia encostado às cordas, saía no contra-ataque e desgastava a defesa do Barcelona, incapaz de responder com qualidade suficiente. Não houve mais golos, por sorte.

Na segunda parte Ronald Koeman mexeu e aproximou-se do 4-3-3, ainda que não totalmente. O jogo parecia não mudar de cara e já estávamos quase no minuto 60. A chuva caía com mais intensidade e como se costuma dizer, “depois da tempestade, vem a bonança”. E a bonança blaugrana chegou mesmo por intermédio de Mingueza, que encostou de forma fácil e reduziu a diferença no marcador.

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Até fim, houve tempo para muito sofrimento e oportunidades de parte a parte. O Real Madrid CF acabou mesmo por levar de vencido o FC Barcelona e salta assim para a liderança do campeonato, ainda que de forma provisória.

 

A FIGURA

Contra-ataque do Real Madrid CF – O Real Madrid CF entrou para campo com a lição bem estudada. Sabia de onde podia nascer o perigo catalão e procurou contrariar essas iniciativas ao baixar as linhas e tornando a equipa muito compacta no momento defensivo. Quando ganhava a bola saía disparado para o ataque e os três homens da frente não desperdiçaram as oportunidades que tiveram. Rápidos, verticais, com boas decisões no momento de entregar a bola. A qualidade dos médios do Real Madrid e a velocidade dos seus avançados foi determinante para que levasse os três pontos do clássico.

 

O FORA DE JOGO

Organização defensiva do FC Barcelona – O jogo foi bastante duro para o guardião alemão, Marc-André Ter Stegen, que teve várias oportunidades para brilhar, o que costuma ser mau sinal. A defesa do Barcelona foi na maior parte das vezes demasiado permeável e permitiu que o ataque merengue fizesse o que quisesse, por demasiadas ocasiões. Os golos surgiram e fica a ideia de que podia ter sido ainda pior, não fosse o guarda-redes… e os postes

 

ANÁLISE TÁTICA – REAL MADRID CF

 

O Real Madrid CF de Zidane não costuma apresentar alterações no seu esquema de base 4-3-3, e hoje não foi exceção.

Os “blancos” foram bastante eficazes na finalização e até pareciam estar confortáveis sem bola na maior parte do tempo. No momento defensivo recuavam os médios e fechavam as linhas, diminuindo o raio de ação de Lionel Messi e Ousmane Dembélé.

O grande trunfo de Zidane foi, sem dúvida alguma, a transição ofensiva. Que aula de como contra-atacar! Vinícius Júnior, Fede Valverde e Benzema apareciam recorrentemente em zona de ataque em igualdade numérica. Destaque para a verticalidade de Valverde, sempre muito possante e com boa tomada de decisão, e também para Vinícius Júnior, mais rápido e bastante dotado tecnicamente.

A ausência dos dois habituais centrais, Sergio Ramos e Varane, nem se fez sentir. Éder Militão e Nacho estiveram sempre acompanhados de perto por Casemiro, Modric e Kroos, formando um bloco mais compacto em zonas mais recuadas.

Era também bastante interessante de observar que Fede Valverde estava algo próximo de Lucas Vázquez, com o intuito de para tapar as incursões de Jordi Alba por essa mesma ala.

Com a vantagem a manter-se e o jogo a começar a ficar cada vez mais inclinado para o Barcelona, Zidane acabou por apostar num esquema de três centrais para conter o adversário. Ferland Mendy para o meio da defesa e Marcelo entrou para a lateral esquerda. A frente foi refrescada, mas perdeu toda a qualidade que tinha com os três elementos que iniciaram a partida.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Thibaut Courtois (6)

Ferland Mendy (6)

Nacho Fernández (6)

Éder Militão (7)

Lucas Vázquez (6)

Toni Kroos (8)

Casemiro (5)

Luka Modric (6)

Vinícius Júnior (8)

Federico Valverde (7)

Karim Benzema (8)

SUBS UTILIZADOS

Álvaro Odriozola (6)

Marco Asensio (5)

Mariano Díaz (-)

Isco (-)

Marcelo (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC BARCELONA

Ronald Koeman voltou a apostar num esquema de três centrais – tal como nas últimas partidas, dispondo a sua equipa em 3-5-2.

As novidades vieram mesmo das peças escolhidas pelo técnico holandês. Frenkie De Jong jogou solto no meio campo, ao contrário de outros jogos, ao lado de Pedri. Sergio Busquets foi a referência atrás destes dois. Antoine Griezmann foi relegado para o banco, em detrimento do francês Ousmane Dembélé, e do inevitável, Lionel Messi. O meio foi preenchido com vários jogadores e o raio de ação destes dois avançados ficou bastante reduzido.

Jordi Alba (esquerda) e Sergino Dest (direita) eram assim a esperança dos catalães. Esperava-se que o posicionamento dos dois alas fosse subido no terreno, e assim foi. Mas o problema, era novamente o mesmo. Havia sobrecarga de jogadores vestidos de branco da outra parte. Os extremos contrários juntavam-se aos laterais e bloqueavam o caminho aos alas “blaugrana”.

Mas se o ataque do Barcelona foi completamente bloqueado, a defesa foi dizimada. Os três centrais, Ronald Araújo, Oscar Mingueza e Clément Lenglet, não tinham mãos a medir com os contra-ataques do Real Madrid. Não conseguiam dar resposta às incursões contrárias e só não foi pior porque os postes o evitaram.

Na segunda parte, Ronald Koeman mexeu e tentou libertar Ousmane Dembélé na direita, e mais tarde Francisco Trinção. Mingueza flutuava entre a posição de defesa-central e uma espécie de ala improvisado, com subidas pelo corredor, que até lhe valeram um golo na partida. Messi acabou por se tornar o motor de criação da maior parte de jogadas de perigo do Barcelona. Descia da zona sobrepovoado e aparecia para, literalmente, criar perigo. É exatamente assim que nasce o golo.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marc-André Ter Stegen (5)

Óscar Mingueza (8)

Ronald Araújo (4)

Clément Lenglet (5)

Sergino Dest (4)

Sergio Busquets (5)

Frenkie de Jong (6)

Jordi Alba (6)

Pedri (7)

Lionel Messi (7)

Ousmane Dembélé (5)

SUBS UTILIZADOS

Antoine Griezmann (6)

Sergi Roberto (5)

Ilaix Moriba (6)

Francisco Trincão (-)

Martin Braithwaite (-)