A Crónica: jogo de alta pressão e de pressão alta

Há novo líder no campeonato espanhol. O Real Madrid CF recebeu e venceu o grande rival FC Barcelona por 2-0, num “El Clássico” menos quente e espetacular do que o habitual. Pressionados para ganhar, os blancos provaram estarem habituados a estas andanças, não tremeram, foram melhores e venceram justa e ajustadamente o segundo clássico do campeonato. Além da liderança, os madrilenos garantem, assim, a vantagem no confronto direto frente aos blaugrana, após na partida em Camp Nou se ter mantido o nulo.

Primeira parte de controlo repartido, mas com melhores ocasiões de potencial golo para os visitantes. Courtois deu conta do recado, mesmo no frente a frente com Messi, e foi fundamental para que o Real Madrid levasse o nulo para a segunda parte. Aí, com uma crescente urgência de marcar – só a vitória catapultava os merengues para a liderança –, os comandados de Zidane sufocaram os grandes rivais em busca de um golo.

Um golo que surgiu aos 70 minutos. Concebido nos pés de Kroos, foi Vinícius Jr. quem lhe deu vida. Minutos antes, Quique Setién havia considerado ser uma boa ideia retirar do jogo Vidal e colocar no seu lugar – sim, na direita – Braithwaite. No primeiro momento em que foi pedido ao dinamarquês que defendesse, o mais recente reforço catalão comprometeu e permitiu que Kroos encontrasse espaço para servir Vinícius.

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O brasileiro ingressou na área adversária e rematou com sucesso graças ao transvio da bola no corpo de Piqué. De ora em diante, só deu Real Madrid. A equipa de Zidane soube gerir a partida e não permitiu absolutamente qualquer iniciativa a um Barcelona amorfo, inócuo, passivo e desprovido de criatividade, individual e coletiva. A vantagem merengue não foi colocada em causa de forma alguma, mas, ainda assim, Mariano Díaz, em estreia no campeonato, selou a vitória blanca nos descontos, na sua primeira ação na partida.

 

A FIGURA

Fonte: Real Madrid CF

Toni Kroos – Kroos a ser Kroos. Não muito vistoso, mas elegante. Explanou no relvado do Bernabéu a mais pura essência do seu jogo: com e sem bola, a construir e a desconstruir, próxima ou afastado da zona da bola demonstrou sempre uma leitura de jogo notável. Tem noção do seu posicionamento, do dos colegas e do dos adversários. É capaz de prever, antever, calcular as jogadas e agir da melhor forma para as anular, quando caso disso, ou para as fazer decorrer.

O primeiro e decisivo golo merengue nasce da sua cabeça e dos seus pés. O que faz, faz bem. O que não faz é residual e insignificante. Excelente exibição, melhor em campo a par de Vinícius, mas com uma classe extra que o coloca como Figura do encontro.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: FC Barcelona

Lionel Messi – Procurou ser o dínamo da equipa, mas não o conseguiu. Esteve pouco em jogo e, quando o esteve, não aportou qualidade ao futebol do FC Barcelona. Decidiu mal a maioria dos lances e não foi decisivo, numa partida em que os adeptos blaugrana esperam, com naturalidade, que o génio argentino o seja. Foi das piores exibições do “10” dos catalães em clássicos e, com alguma surpresa, assenta-lhe bem a “distinção” de fora de jogo.

Análise Tática – Real Madrid CF

Os merengues apostaram num 4-4-2 pouco declarado, por vezes – sobretudo, no momento ofensivo – mascarado num 4-5-1. O elemento móvel que tentava ser o elo de ligação entre Benzema e a restante equipa era Isco, que se aliava ao francês na pressão exercida sobre o Barcelona e que reforçava o meio-campo quando os catalães superavam essa pressão e no momento de construção e organização dos blancos.

Casemiro e Kroos asseguravam o miolo, enquanto Valverde caía sobre a direita e Vinícius sobre a esquerda. Marcelo e Carvajal apoiavam o ataque, com o brasileiro a procurar sobretudo explorar o seu corredor e com o espanhol a alternar entre a procura por terrenos interiores e pela profundidade do seu corredor, alcançada algumas vezes por tabelas com Valverde, que tendia para o centro.

ONZE INICIAIS E PONTUAÇÕES

Courtois (7)

Carvajal (6)

Varane (6)

Ramos (6)

Marcelo (6)

Casemiro (6)

Kroos (8)

Isco (6)

Valverde (7)

Vinícius (8)

Benzema (7)

SUPLENTES UTILIZADOS

Modric (5)

Vázquez (-)

Mariano Díaz (-)

 

Análise Tática – FC Barcelona

A turma catalã apresentou-se no Santiago Bernabéu num 4-4-2 bem mais declarado e muito próximo do clássico 4-4-2. Griezmann e Messi assumiram as despesas da frente, Busquets e Arthur asseguraram o eixo da linha intermédia, Vidal jogou pela direita e De Jong pela esquerda. Nos momentos em que a primeira pressão dos homens da frente complicava a vida aos defesas madrilenos, Arthur subia no terreno e auxiliava essa pressão, o que obrigou o Real Madrid a, por vezes, ter que se livrar do esférico sem coerência. No momento ofensivo e de mais demorada construção, Vidal apoiava o ataque catalão.

Messi percorria todo o corredor central, procurando ser o dínamo ofensivo da equipa de Setién. Alba e Semedo, sem fugir à sua génese, subiam sempre que possível, algo que se verificou muito mais na primeira parte do que na segunda – na qual o domínio blanco foi acentuado. Busquets fez de Busquets – foi seguro sem ser vistoso – e os restantes três médios encarregaram-se de fazer circular a bola.

 

ONZE INICIAIS E PONTUAÇÕES

Ter Stegen (7)

Semedo (7)

Piqué (6)

Umtiti (5)

Alba (5)

Busquets (6)

Arthur (6)

Vidal (6)

De Jong (6)

Griezmann (4)

Messi (4)

SUPLENTES UTILIZADOS

Braithwaite (5)

Fati (-)

Rakitic (-)

 

 

Foto de Capa: FC Barcelona

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O desporto bem praticado fascina-o, o jornalismo bem feito extasia-o. É apaixonado (ou doente, se quiserem, é quase igual – um apaixonado apenas comete mais loucuras) pelo SL Benfica e por tudo o que envolve o clube: modalidades, futebol de formação, futebol sénior. Por ser fascinado por desporto bem praticado, segue com especial atenção a NBA, a Premier League, os majors de Snooker, os Grand Slams de ténis, o campeonato espanhol de futsal e diversas competições europeias e mundiais de futebol e futsal. Quando está aborrecido, vê qualquer desporto. Quando está mesmo, mesmo aborrecido, pratica desporto. Sozinho. E perde.                                                                                                                                                 O Márcio escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.