Barcelona serve de casa mãe a um dos mais históricos emblemas do país vizinho. Sediado entre os municípios de Cornellà de Llobregat e El Prat de Llobregat, cuja fusão dá nome ao estádio onde atua, o Reial Club Deportiu Espanyol de Barcelona vai experimentando, por estes dias, o sentimento agridoce da glória na Europa e da desgraça no campeonato.

Fundado em 1900 pelos alunos da Universidade de Barcelona, o Espanhol carrega no símbolo a coroa do país e é tido pelos rivais da cidade como um apoiante da monarquia e anti-independentista, posição na qual os seus adeptos não se revêem.

Composto inicialmente apenas por jogadores de nacionalidade espanhola e, se possível, catalães, os piriquitos – que nos primórdios vestiam de amarelo em homenagem ao Almirante Rogério de Lauria, imortalizado em estátua numa das ruas de Barcelona e cujo brasão seria dessa cor – são um dos clubes fundadores da Liga Espanhola.

Nesta época, os adeptos do clube que tem em Raúl Tamudo o maior símbolo – ou não fosse este o jogador catalão com  mais golos marcados na Primeira Divisão de Espanha e o principal responsável pelo roubo do título ao Barcelona no distante ano de 2007 – têm assistido a uma campanha europeia de grande nível, em contraponto com uma prestação interna deplorável.

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À saída do par Rubi e Borja Iglesias para o Bétis – treinador e jogador mais influente na temporada transata – juntaram-se-lhe dois dos pilares da defesa que ajudou na conquista do sétimo posto em 17/18: Mario Hermoso, para o Atlético de Madrid, e Aarón Martín, para o Mainz.

Fonte: Espanyol

Para os seus lugares, chegaram o ex-Sevilha Pablo Machín – cuja experiência ao leme do clube andaluz não foi a melhor, tendo sido despedido a meio da época -, Matías Vargas (Vélez Sarsfield) e Fernando Calero (Valladolid). Lei Wu, internacional pela China que chegou em Janeiro deste ano a pedido do presidente, também ele chinês, parece ter tido mais efeito nas bancadas que no relvado, dada a elevada afluência dos seus conterrâneos ao RCDE Stadium.

Detentor da pior defesa e do pior ataque da La Liga, o Espanhol ocupa o 19.º lugar somando apenas nove pontos em 14 partidas, fruto de duas vitórias e três empates. Na próxima jornada os alviazuis recebem o tranquilo Osasuna para, na semana seguinte, visitarem o Santiago Barnabéu.

Se internamente o cenário é negro, na Europa os espanhóis têm sido donos e senhores do Grupo H da Liga Europa. Num percurso que nem começou da melhor forma, com um empate a uma bola frente aos húngaros do Ferencváros, a turma liderada por Machín tem sido rei nos últimos encontros, ao vencer as três partidas seguintes frente a CSKA de Moscovo e Ludogorets (equipa que goleou na última jornada por 6-0). Deste modo, o trono está apenas a uma vitória.

É nesta dicotomia da realidade que o futebol do Espanhol de Barcelona ancora o seu presente. Quanto ao futuro, a certeza de que este símbolo manter-se-á entre os grandes do futebol europeu.

Foto de Capa: Espanyol

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