A novela que tem como protagonistas Cristiano Ronaldo e Marcelo, retirou, aparentemente, a presença no onze ao já consagrado defesa. Sem problemas físicos aparentes (é convocado), o sub capitão é relegado por supostos problemas extra futebol. Marcelo parece mesmo estar com Turim no horizonte.

Curiosamente, é alguém que também passou por alguns problemas dessa índole. É normal, quer  para “interpretadores e veiculadores de acontecimento”, quer, consequentemente, para nós adeptos, atentar no “que aparenta ser”. Afinal, é na “quase quase” totalidade das vezes que descobrimos coisas acerca do dia a dia das realidades que amamos acompanhar, porém, não conhecemos nem temos maneira acessível de o fazer (e para o possibilitar teríamos de abdicar de muito do nosso tempo).

Pois bem, o “miúdo” que sofreu da azia de Sérgio Ramos num treino, episódio que abalava ainda mais o reinado de Lopetegui na capital espanhola, anda a dar nas vistas. Neste duplo embate frente ao arquirrival, o “novo” lateral esquerdo do Real, apesar de não ter feito frente a Semedo e Dembelé no lance do segundo golo, mostrou serviço.

Foi um jogo inglório para a sua equipa, visto que perder de tal forma no Bernabéu, frente ao eterno “inimigo”, apesar de não ser caso único, pesa sempre. O mesmo não conteve as lágrimas, demonstrando haver algo mais que o une às cores que veste.

Marcelo teve problemas físicos logo no arranque da temporada. Afinal, na antecedente, foi titular assíduo, numa época em que venceu a Liga dos Campeões (muito desgaste), e que ainda foi longe no Mundial da Rússia (ainda mais desgaste). A alta competição faz mossa… Claro que o que vem de retorno é bastante compensatório, mas o futebol não é só clubes e jogadores abastados.

Por mais exímio que seja um futebolista na sua atividade, como é Marcelo, o nível apresentado a alta intensidade está sempre dependente da sua forma física.

Regulón tem raça e sente o clube
Fonte: Realmadrid.com

Sergio Reguílon era o alternativo a Marcelo. No pós Lopetegui, o “canterano” ia surgindo no onze até que chega ao ponto em que joga os dois clássicos, mesmo com Marcelo disponível.

A direção do Real Madrid aponta claramente ao melhor possível no campeonato, dadas as circunstâncias atendidas (passadas e presentes). Isso é bem alcançável, e com uma eliminação “natural” da Copa do Rei, a Champions é, à imagem do que era para então, Lopetegui: mais que “una illusión”, uma meta incontornável para um clube como o gigante espanhol.

Não sei se é nesse prisma que assenta a presença do jovem no onze em detrimento do craque brasileiro: sendo um jogador chave, Marcelo no corredor com um Vinicius bem adaptado, com muita velocidade técnica (descambou N. Semedo e sentou Piqué, na Taça), seriam, à priori, um completo quebra cabeças para os oponentes da mesma faixa do terreno.

Reguilón jogou frente ao Ajax, na Holanda. Marcelo no banco. O “canterano” está a jogar bastante bem. Prova disso é o nível demonstrado independentemente da competição ou do adversário.

Embora Marcelo seja sempre Marcelo, as exibições do jovem têm estado acima do que seria esperado. Aliás, penso que a sua aparição, pelo menos desta maneira tão consistente, nem tenha sido perspetivada… Quando se fala de Real Madrid, é normal haver a ideologia dos “Zidanes e Pavones”: jogadores de topo mundial e jogadores a saír do ninho. Mas sendo um clube que desperta tanta atenção a nível de transferências, para a lateral esquerda não é fácil encontrar um que encha o olho. Enquanto que para o corredor direito, a escolha seja mais abrangente, dada a maior abundância de destros; para o lado esquerdo não é tarefa fácil preencher a vaga com qualidade assinalável.

Reguilón, treina numa das equipas mais bem sucedidas de sempre, e cumpre com personalidade. Julgo que esta época serve de “remodelação” da espinha do onze tipo. Reguilón é, como disse, cumpridor, e além disso, ainda sabe aparecer bem em terrenos perigosos para a baliza adversária.

Não sei se chega para as ambições efetivas do tricampeão europeu em título, mas, em ano de transição, de novelas de balneário, de “aparências”, Reguílon merece a titularidade que ostenta num clube “galático” por natureza.

Foto de capa: Real Madrid CF

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