De costas voltadas para o Mar das Baleares, mira-nos nos olhos e clama pela independência da Catalunha. Cidade de monumentos inacabados e nome do último álbum de estúdio de Freddie Mercury na sua carreira a solo, em Barcelona pontifica “més que un club”: o Fútbol Club Barcelona.

Embalados pela conquista do último campeonato, e sustentado nos pés de veludo das aquisições, o emblema catalão que parte para a 81.ª participação na primeira divisão de Espanha perfilava-se como o clube mais bem posicionado, entre os três crónicos candidatos, para a conquista desta edição da La Liga.

À parte a novela Neymar, cujos capítulos se arrastam, o mercado da formação orientada por Ernesto Valverde foi, ao invés do que vem sendo regra, cirúrgico. Josep Maria Bartomeu vestiu a bata blaugrana e, na mesa de operações, foi direto ao coração da equipa.

Frenkie de Jong, ventrículo do meio-campo do Ajax que encantou o mundo do futebol na última temporada, assinou pelo clube que lhe estava destinado à nascença. Já Antoine Griezmann, o neto mais conhecido de Paços de Ferreira, viu finalmente consumadas as suas pretensões de rumar ao clube quatro vezes vencedor da Liga dos Campões. A estes juntaram-se Neto, Júnior Firpo e Marc Cucurella, todos eles com provas dadas no exigente campeonato espanhol.

Fonte: FC Barcelona

Ao reforço do plantel, a crise no Real Madrid e as inúmeras alterações no paradigma Simeone faziam antever uma temporada otimista internamente e na Liga dos Campeões. Eis senão quando, qual plot twist cinematográfico, outra comunidade autónoma resolve contrariar o destino traçado por Johan Cruijff, Rivaldo e tantos outros deuses de Camp Nou, e inflige uma profunda machadada nas aspirações da equipa que vem sendo carregada às costas pelo astro mais pequeno do mundo.

Em Bilbao, o Athletic Club vergou o clube de Messi, Suárez e Busquets, com uma obra de arte digna de Gaudí, assinada pelo basco mais mortífero de San Mamés: Aritz Aduriz.

O golo solitário em moinho do avançado, que anunciou poucos dias antes a retirada no final desta época, devolveu os adeptos blaugrana à letargia de um passado recente e trouxe a terreiro algumas reflexões importantes, nomeadamente o sistema de jogo adequado e que consiga conciliar tamanha qualidade em campo, onde só podem jogar onze de cada vez.

Domingo, frente ao Villarreal Club de Fútbol, Semedo e companhia terão oportunidade de emendar a mão e provar que o resultado da semana anterior não passou de um percalço; para isso, bastará seguir o rastilho da estrela cadente argentina que não pôde iluminar o caminho do golo frente ao Athletic, mas que, provavelmente, embaterá com estrondo no Submarino Amarelo.

The Beatles e Freddie Mercury, Lionel Messi e golo, futebol e música: Barcelona, mais que clube, uma forma de estar.

Foto de Capa: FC Barcelona

artigo revisto por: Ana Ferreira

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