Apesar de ainda poder vencer o campeonato e a taça, o Barcelona está a realizar uma época decepcionante. Os catalães apresentaram um nível exibicional muito fraco durante quase toda a temporada e, nesta altura, já se percebeu que a contratação de Tata Martino foi um erro. Ainda assim, o argentino – que deve sair no final da época – não é o único culpado do fracasso. Messi, de quem se espera que carregue a equipa, não foi tão decisivo como habitualmente. O plantel tem algumas limitações (principalmente a nível defensivo) e foi bastante afectado por lesões, o que dificultou a tarefa ao treinador. Há vários jogadores na fase descendente da carreira e sem substitutos à altura. Neste sentido, não se percebe a venda de Thiago, sucessor natural de Xavi, ao Bayern de Munique. Um erro que pode custar caro e que atinge contornos mais graves se pensarmos que os catalães correm o risco de não poder contratar jogadores durante um ano (por irregularidades na inscrição de futebolistas menores).

Não há como negar. Apesar de ainda ser um jogador de grande qualidade, Xavi já não apresenta o mesmo rendimento de outrora. O médio tem vindo a perder influência no conjunto catalão (uma situação natural, tendo em conta que já tem 34 anos) e, neste momento, está longe de justificar a titularidade indiscutível. Se Thiago estivesse no plantel, poderia existir uma rotação saudável, que seria benéfica para ambos. Xavi estaria menos desgastado – e, provavelmente, a jogar a um nível superior – e o actual jogador do Bayern ia conquistando o seu espaço na equipa.

Thiago já não mora em Camp Nou e até já derrotou os catalães esta época Fonte: Getty Images
Thiago já não mora em Camp Nou e até já derrotou os catalães esta época
Fonte: Getty Images

Como Thiago, há poucos. O hispano-brasileiro, que pode actuar em qualquer posição do meio campo com a mesma qualidade, é um predestinado. Tem uma técnica assombrosa e uma bola que saia dos seus pés vai direitinha ao destino. Há bastante tempo que era apontado como o futuro patrão do Barça e, de facto, tinha todas as condições para assumir esse papel. No entanto, os catalães libertaram-no a troco de 25 milhões de euros. Para além de terem ficado sem um dos maiores talentos saídos da formação nos últimos anos, hipotecaram a renovação da equipa – sem perda de qualidade – no curto prazo.

Xavi é um enorme jogador, mas não dura para sempre. Olhando para o plantel à disposição de Tata Martino, não se consegue identificar um jogador que possa desempenhar as mesmas funções. Fàbregas, que poderia ser uma solução, é actualmente uma sombra daquilo que já foi (um dos melhores médios do mundo) e o seu rendimento é superior quando actua no último terço do terreno. Sergi Roberto é um jovem com imenso potencial, mas, para além de não parecer preparado para substituir Xavi, é um médio com características diferentes.

Será interessante perceber como o Barcelona vai ultrapassar as dificuldades que se adivinham na preparação da próxima época. Já sem Valdés (em princípio não vai renovar) e Puyol (termina a carreira no final da temporada), os catalães vão tentar manter o plantel actual e potenciar ao máximo os jovens da formação. É previsível que os catalães farão regressar Rafinha e Deulofeu, podendo promover as subidas de Denis Suárez, de Adama Traoré e, quem sabe, do marroquino Munir El-Haddadi (melhor jogador da UEFA Youth League) à equipa principal. Contudo, uma coisa é certa: Xavi, que não está a ficar mais novo, continuará sem um substituto à altura. Faltou paciência a Thiago – queria mais minutos – e inteligência aos dirigentes do Barcelona.

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