Valencia CF 1-4 Real Madrid CF: Madrilenos goleiam mas não convencem

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Há jogos em que o marcador está longe de refletir aquilo que se passou dentro das quatro linhas. O jogo de hoje, 27 de janeiro de 2018, entre o Valência FC e o Real Madrid foi o exemplo claro disso mesmo. Os forasteiros golearam os da casa por quatro bolas a uma, mas isso não traduz a supremacia do Real Madrid.

Ao minuto 15 surge um dos momentos capitais do jogo: falta na grande área do Valência sobre Cristiano Ronaldo, que o mesmo cobra numa execução onde o chavão “guarda-redes para um lado e bola para o outro” se aplica na totalidade. Mas esse golo não baixou a guarda da equipa “che”, que ia dando ares da sua graça na grande área madrilena: ao minuto 25, remate do médio valenciano Geoffrey Kondogbia de fora da área, tendo o guardião Navas que se aplicar para defender o disparo do jogador francês.

O jogo continuava a bom ritmo e mostrava um Real Madrid inseguro, pouco tranquilo em campo, com muitas falhas de passes, ainda ressacado, certamente, da eliminação da Taça do Rei. Não restam dúvidas de que os seus jogadores são do que de melhor há no futebol mundial, mas a falta de confiança desta equipa torna isso um recurso reduzido ante a desmotivação que se viu hoje em campo e que o resultado não espelhou. O Real foi no Mestalla uma equipa ausente, alheada de si, daquilo que verdadeiramente vale e pode fazer. E o Valência esteve sempre muito bem estruturado em campo, ia aproveitando aqui e ali as desconcentrações da equipa de Zidane.

O Real Madrid tem de apresentar muito mais Fonte: Real Madrid CF
O Real Madrid tem de apresentar muito mais
Fonte: Real Madrid CF

Mas, por vezes, os deuses estão com aqueles que menos merecem. Eis que chega o minuto 37 e, novamente o lateral do Valência, Martín Montoya, que já havia feito a falta para o primeiro penálti do jogo, faz novamente o mesmo dentro da área, desta vez sobre o francês do Real Madrid, Karim Benzema. Ronaldo aproxima-se do esférico e faz o dois a zero para os merengues no Mestalla. Tudo corria bem à equipa de Zidade. Os penáltis escondiam a exibição extremamente desinspirada do Real Madrid.

Mas o Valência afirmava-se como uma equipa destemida em campo, sempre muito esclarecida quer nos momentos defensivos quer ofensivos. Ia sistematicamente chegando com bastante critério à baliza do Real Madrid, contando com as movimentações do box-to-box desta equipa, Geoffrey Kondogbia.

O segundo tempo continuou com as mesmas formações em campo, à exceção da equipa da casa que contou com a entrada de Soler e a saída do português Gonçalo Guedes. Guedes que até nem esteve muito mal no duelo com o astro merengue Marcelo, ficou de fora na segunda parte, provavelmente por queixas físicas.

Por seu lado, o Real Madrid entrou em campo mais calmo, gerindo a vantagem de dois golos que lhe permitia sair um pouco da depressão em que se encontra, devido a uma época claramente aquém daquilo que todos esperariam. Mas o Valência em momento algum baixou a fasquia, procurou sempre a baliza adversária, seja pelas alas, seja pelo miolo do seu eixo ofensivo.

E de tantas vezes o cântaro vai à fonte que… Ao minuto 59 surge o golo da equipa da casa. Após um canto cobrado na direita do ataque valenciano, o central madrileno Nacho deixa-se antecipar pelo avançado Santi Mina que, cabeceando, deixa sem hipóteses de defesa o guardião Navas.

A avalanche ofensiva da equipa do Valência continuava, jogando um futebol de ataque, com as suas linhas a ganharem maior fluidez ofensiva. É justo dizer que, por vários momentos, encostou a equipa de Zidane às cordas.

Em suma, pode dizer-se, em poucas linhas, que este Real ganhou o jogo frente ao Valência ou, melhor, goleou. Mas não passou. Não passou porque ainda não teve positiva no teste de confiança que os adeptos merengues exigem para a sua equipa. E uma equipa sem a confiança dos adeptos é um conjunto de homens que andam atrás de uma bola na tentativa de a colocar num retângulo com uma rede.

Simão Mata
Simão Matahttp://www.bolanarede.pt
O Simão é psicólogo de profissão mas isso para aqui não importa nada. O que interessa é que vibra com as vitórias do Sporting Clube de Portugal e sofre perante as derrotas do seu clube. É um Sportinguista do Norte, mais concretamente da Maia, terra que o viu nascer e na qual habita. Considera que os clubes desportivos não estão nos estádios nem nos pavilhões, mas no palpitar frenético do coração dos adeptos e sócios.                                                                                                                                                 O Simão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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