A vida do Valência CF já teve melhores momentos. Vive-se um clima de guerra e tensão no Mestalla, que terá um desfecho previsível: uma época desportiva muito longe do nível e qualidade da equipa.

Depois de um verão atribulado, que já fazia antever o que está a acontecer, o clima de hostilidade entre o dono do clube, Peter Lim, e o grupo de trabalho, desde treinador, a diretor e jogadores, parecia estar sanado. No entanto, Marcelino Toral foi despedido durante esta semana do comando técnico do clube, originando uma onda de desagrado contra Peter Lim, que afetará em muito o bom funcionamento da equipa.

Depois de um 4.º lugar, que deu acesso direto à Liga dos Campeões, e de uma conquista da Copa do Rey em 18-19, os Che partiram com confiança para a época 19-20 e com a ambição e confiança redobradas. Marcelino Toral, que trouxe novamente o clube para a ribalta nacional e internacional, conquistou os exigentes adeptos do Valência CF, devolvendo o orgulho Che.

O impacto de Toral foi tão grande no clube, que este despedimento significou um grande tiro no pé do próprio dono, Peter Lim. Os adeptos querem que Lim saia do comando dos valencianos e os jogadores mostram o seu descontentamento pelo despedimento de Toral, com quem tinham uma afinidade muito grande (Garay foi o mais contundente na forma de demonstração do seu apoio ao ex-técnico).

Valencia CF não conquistava um título desde 2008, pondo fim à seca em 2019
Fonte: Valencia CF
Rei morto, rei posto. Peter Lim, que não goza de grande popularidade atualmente, decidiu apostar numa antiga estrela do futebol espanhol, associado ao bom futebol, e com passagens por clubes como FC Barcelona e Real Madrid CF, Albert Celades.

O ex-internacional espanhol nunca foi treinador principal de uma equipa sénior, mas trabalhou vários anos na Federação Espanhola, com muitos craques atuais e do futuro do país a passarem-lhe pelas mãos, e no Real Madrid CF.

Em teoria, a nível de perfil, Celades encaixa-se num clube ambicioso como o Valência, mesmo assim, não deixa de ser uma aposta arrojada de Lim e da direção do clube. O timing também parece arriscado. Lim despediu Toral e contratou Celades já no término da interrupção para os compromissos de seleção (a semana e meia de pausa poderia dar muito jeito ao novo timoneiro) e, além disso, os próximos dois jogos da equipa não poderiam ser mais difíceis: vão a Camp Nou e a Stamford Brigde. Para já, a equipa iniciou a temporada de forma titubeante, com um empate, uma derrota e uma vitória.

A equipa de Rodrigo Moreno, Gonçalo Guedes, Denys Cheryshev, Jasper Cillessen, entre outras estrelas, com Thierry Correia acabado de chegar do Sporting CP, enfrentam agora uma altura atribulada na estrutura do clube e na relação com os adeptos, mas, uma coisa é certa, os adeptos Che não vão permitir que o foco não esteja na vitória e Celades aceitou um desafio numa conjuntura muito difícil.

A margem de erro é curta e a cobrança dos adeptos será imensa.

 

Foto de Capa: Valencia CF

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