A FIFA castigou o Barcelona com uma multa de 370.000 euros e a punição de estar impedido de aceder ao mercado de transferências nas duas próximas temporadas. Todo este imbróglio surge do incumprimento, em 10 ocasiões entre 2009 e 2013, do artigo 19.º do regulamento sobre o estatuto e a transferência de jogadores. Foi dado ao clube um período de 90 dias para regularizar a situação de todos os menores afectados.

Devo dizer de antemão que a sanção me parece exagerada, diria até despropositada, e que a revisão de dito artigo deveria ser um tema a discutir, sobretudo porque penaliza categoricamente os clubes que apostam na formação – neste caso o Barcelona, que tão bem trata os meninos de “La Masia”, onde cresceram alguns dos melhores talentos do mundo, e onde seguramente muitos continuarão a crescer quer socialmente, quer desportivamente.

O Barcelona tem a melhor escola de futebol do mundo e o modelo deve ser para continuar a seguir. Até aqui estamos todos de acordo. Contudo, também deveríamos concordar que as regras são para todos, mesmo que nos pareçam de uma injustiça vil ou estupidez mundana. Não se pode vir pregar aos sete ventos, e muito menos fazê-lo de forma pública, a isenção da norma só para o FC Barcelona.

 La Masia , o centro de formação da equipa catalã Fonte: Getty Images
La Masia , o centro de formação da equipa catalã
Fonte: Getty Images

A prepotência permitiu ao clube cair no rídiculo de dizer frases como esta: “Estamos de acordo com a lei de proteção de menores, mas pedimos que se reconheça La Masia como uma excepção do artigo”. Mas que legitimidade tem o clube? Ter a melhor escola do mundo do futebol não significa que é a única que é trabalhada. Há tantos e tantos clubes que trabalham afincada e diariamente na formação dos jovens do futuro que também gostariam de poder contar nas suas escolas com jovens estrangeiros… E não o fazem porque sabem que é ilegal.

Este é um clube que cresceu na base do trabalho está, hoje em dia, sem a menor noção de autocrítica. Não é capaz de assumir os erros, rematando tudo e qualquer coisa com uma vitimização que chega a ser deprimente, desde o caso Neymar até a esta sanção imposta pela FIFA.

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De um ponto de vista prático, parece óbvio que é uma pena pesada para aquele que vem sendo nos últimos anos o grande colosso europeu a abater, realidade que tem vindo a perdurar nos anos desde o futebol total de Guardiola.

Por outro lado, surge outra questão. Sabendo que La Masia é uma escola de verdadeiros talentos, talvez esteja aqui uma oportunidade de ouro para muitos dos jovens que nela militam de dar o salto com maior facilidade e poder demonstrar a sua grande qualidade. Esta sanção poderá querer dizer que muitos dos jovens que outrora acabavam por partir para ter uma oportunidade mais cedo – como aconteceu com Cesc, ou mais recentemente com Deulofeu, ou Rafinha (irmão de Thiago Alcântara), ou até de Sergi Samper e Denis Suarez – vão ter a possibilidade de registar um crescimento, quiçá meteórico, ao lado de astros como Messi, Iniesta ou Xavi.

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