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Zidane, elegância e fato-macaco

Eduardo Botelho · 2 min

Zidane, elegância e fato-macaco
Foto: Real Madrid

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cab la liga espanha

“Num jogo assim, havia que fazer mais. Correr mais, meter mais a perna”. Foi assim que o treinador do Real Madrid, Zinedine Zidane, explicou a derrota frente ao rival da cidade na conferência de imprensa, após o dérbi da semana passada. E estava certo, pelo menos em parte.

Apesar de o Atlético de Madrid ter jogado para a Liga dos Campeões apenas três dias antes, os seus jogadores correram um total de 119 km durante o jogo, bastante mais do que os 108 km percorridos pelos comandados de Zidane. Haverá outros problemas a resolver na equipa, mas correr mais não faria mal nenhum ao Real, de certeza.

Curiosamente, o jogo frente ao Levante, apenas quatro dias depois, foi aquele em que os blancos mais correram no campeonato: 116 km, o que deixa claro que, se o Real não fez mais contra o Atlético, não foi apenas por uma questão física, mas também de atitude. De resto, o golo sofrido mostrou bem a apatia de Danilo, Kroos, Isco e James na hora de correrem para trás.

Jogadores do Real a fazerem algo de que não gostam: correr Fonte: Real Madrid
Jogadores do Real a fazerem algo de que não gostam: correr
Fonte: Real Madrid

Antes do jogo, Guti disse numa entrevista que nenhum jogador do Atlético tinha lugar no Real Madrid. O antigo jogador é uma figura bastante querida no Bernabéu, onde o seu nome ainda hoje é entoado de vez em quando, e muitos madridistas partilham do sentimento de superioridade que as suas declarações expressaram. Ora, é essa arrogância que pesa nas pernas dos jogadores na hora de correr para a defesa.

Zidane tem a difícil tarefa de convencer os seus craques a serem-no também quando não têm a bola. E isso não parece tarefa fácil. Não o seria para nenhum treinador, desde logo devido à cultura do clube, mas também tenho dúvidas se o perfil de Zidane será o indicado para tal missão. Por exemplo, olhe-se para Simeone: todo ele transpira garra e esforço. Era assim enquanto jogador e é essa a imagem que transmite enquanto treinador.

Todos os jogadores têm vontade de correr tendo o argentino aos gritos no banco. Aliás, o próprio Simeone deve fazer vários quilómetros por jogo só dentro da área técnica. É o que se chama liderar pelo exemplo.

Mas, quando se pensa em Zidane, a imagem que nos vem à cabeça é completamente diferente. Zidane era classe e elegância dentro de campo e, cá fora, já deu para ver que conserva, pelo menos, a elegância. O desafio, agora, é convencer os seus jogadores de que a elegância requer, muitas vezes, trocar o fato de gala pelo fato-macaco.

Eduardo Botelho

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