liga europa

Muitos sonharam com outro desfecho, mas esses tantos sabiam do quão difícil seria concretizá-lo. A lei do mais forte imperou, e o mais provável acabou mesmo por acontecer: o Belenenses perdeu com a Fiorentina, e saiu da Liga Europa, sendo inútil a ajuda do Basileia, na Polónia, ao derrotar o Lech, pois seria, também, necessária a vitória dos azuis do Restelo na casa do actual vice-líder do campeonato italiano.

Porém, há muita coisa boa que Sá Pinto pode aproveitar deste jogo para mostrar aos seus jogadores na altura de os motivar, nomeadamente a forma como souberam consentir, sobretudo na primeira parte, o domínio do jogo viola, fechando espaços no último terço do terreno, impedindo situações de perigo provenientes de jogadas de bola corrida. Era um Belenenses bem organizado, sem medo da ocasião, do adversário ou do recinto.

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Essa tal organização obrigou os orientados por Paulo Sousa a procurar outras vias que não as convencionais para chegar às redes de Ventura, e recorreram à bomba, por Marcos Alonso, num disparo no meio da rua que passou a rasar o poste direito da baliza do guardião português, antes de sofrer um desvio “azul”. Na sequência do canto, Babacar, ao primeiro poste cabeceou à barra e fez tremer a formação portuguesa, por instantes, até se reorganizar outra vez, ao ponto destes terem sido os dois únicos lances de perigo da Fiorentina na primeira parte.

À entrada para o segundo tempo, a atitude do Belenenses não mudou muito, mas a Fiorentina sentiu-se incomodada com a ousadia do visitante, que lhe ia ocupando o espaço de que tanto gosta para jogar e causando problemas num jogo que nem sequer era a sua prioridade (Paulo Sousa montou a equipa claramente a pensar no confronto com a Juventus, no próximo fim-de-semana, deixando Ilicic, Kalini, Bernadeschi ou Vecino no banco). Começaram a surgir dúvidas num problema que não tinham equacionado, e isso não podia ser permitido no Artemio Franchi. Assim, os viola arregaçaram as mangas e foram para o campo com outra força, atirando uma bola à barra logo nos primeiros instantes da primeira parte e, na sequência da jogada, ainda conseguiram incomodar Ventura (primeiro Alonso, depois Babacar… outra vez).

Babacar festeja com Pasquale o único golo do encontro Fonte: Facebook Oficial da ACF Fiorentina
Babacar festeja com Pasquale o único golo do encontro
Fonte: Facebook Oficial da ACF Fiorentina

Os italianos entraram transfigurados, mas ainda não era suficiente para resolver a pedra no sapato que este Belenenses, inesperadamente, estava a ser, e Paulo Sousa teve mesmo de intervir, chamando Vecino e Bernadeschi ao jogo. A dinâmica da equipa mudou para melhor, o meio-campo tinha outra harmonia e a forma como se partia para o ataque tinha mais fluidez, surgindo assim o único golo da partida, numa saída rápida para o ataque, liderada por Verdu e finalizada por Babacar, explorando bem uma das poucas deficiências que o Belenenses teve durante a partida (transição ataque-defesa mal conseguida).

A esperança, que não era assim tanta à partida, pareceu desaparecer, por instantes, mas o orgulhou tomou as rédeas do encontro e o resultado foi um Belenenses a ganhar território à Fiorentina, circulando bem a bola no reduto italiano em busca de, pelo menos, um empate que lhe desse um ânimo extra…

… mas a verdade é que não foi preciso esse golo. A atitude demonstrada pelo Belenenses durante este jogo merece todas as palmas que os seus jogadores e equipa técnica receberão na chegada a Lisboa, e dá alento para os desafios domésticos que se avizinham.

A Figura:

Joan Verdú (ACF Fiorentina) – Foi o motor da equipa viola e o principal responsável da extraordinária dinâmica do meio-campo da sua equipa, comandando um autêntico carrossel em perfeita harmonia, sabendo como se comportar em todos os momentos do jogo, fazendo uso e abuso da sua capacidade de passe para tentar causar desequilíbrios (92 % de acerto, em 64 passes) e da sua inteligência táctica para travar todas as aspirações de criação de oportunidade de perigo por parte do Belenenses. Como se não bastasse, ainda assistiu Babacar para o único golo do encontro. Um senhor jogador!

O Fora-de-Jogo:

Kuca (CF “Os Belenenses”) – Custa destacar alguém do Belenenses para este “galardão”, pela atitude dos azuis do Restelo, mas Kuca está intimamente ligado ao golo da Fiorentina, encontrando-se mal posicionado no momento de saída do adversário, falhando a antecipação a Verdu, que aproveitou para oferecer a Babacar o único golo do jogo.

Foto de Capa: Facebook Oficial do CF “Os Belenenses”