Não começou da melhor forma a aventura europeia do Nacional da Madeira no play-off da Liga Europa. Esta tarde, na Borisov Arena, na Bielorrússia, os comandados de Manuel Machado perderam por 2-0 frente ao Dínamo de Minsk e complicaram o apuramento para a fase de grupos da competição.

No onze inicial, o treinador da equipa madeirense optou por fazer três alterações na equipa que havia perdido no último domingo, na Choupana, frente ao Moreirense: saíram Rui Correia, Sebastián Ayala e Lucas João e entraram para os seus lugares Ezzat, João Aurélio e Suk. Depois da falta de eficácia evidenciada na primeira jornada do campeonato, as alterações produzidas por Machado eram expectáveis, mas ainda assim o efeito produzido não foi o melhor durante o primeiro tempo da partida. Com dois laterais muito ofensivos (Karpovich e Veretilo), que raramente se mantinham no meio-campo defensivo bielorusso, e apenas deixando três jogadores para o processo defensivo (Kontsevoi, Bangoura e Politevich), a equipa do Dínamo de Minsk cedo demonstrou que queria tomar conta da partida, fazendo desde os primeiros instantes uma forte pressão que a equipa portuguesa raramente conseguiu contrariar.

Nos primeiros quarenta e cinco minutos, os madeirenses nunca foram capazes de aproveitar o espaço que os bielorussos foram dando, fruto do adiantamento dos seus laterais e do forte pendor ofensivo que a equipa demonstrou nesta primeira mão da eliminatória. Do lado do Nacional, Ali Ghazal nunca foi capaz de parar o capitão Stasevich; enquanto Gomaa e João Aurélio não conseguiram transportar jogo ofensivo. Por isso, não foi de estranhar que Marco Matias e Rondón tivessem sido mais laterais do que extremos e que Suk não tenha tido bola durante o primeiro tempo. Mesmo sem criar grande perigo junto da baliza de Gottardi, o primeiro golo do Dínamo Minsk chegou com naturalidade à passagem do minuto 44, com Stasevich a cobrar com êxito uma grande penalidade que surgiu na sequência de uma falta do central Ezzat.

Saleh Gomaa não conseguiu fazer a diferença no meio-campo  Fonte: EPA
Saleh Gomaa não conseguiu fazer a diferença no meio-campo
Fonte: EPA

Ao contrário do que seria expectável, os primeiros minutos do segundo tempo não trouxeram qualquer alteração no figurino da partida: o Dínamo ia controlando o jogo como queria, enquanto o Nacional continuava com receio na partida, com constantes perdas de bola no meio-campo que iam inviabilizando qualquer ataque de perigo para a baliza dos bielorussos. A grande penalidade clara não assinalada a favor do Nacional da Madeira por Michalis Koukoulakis ao minuto 49, após mão de Nikolic dentro da grande área, foi um erro decisivo na partida, mas não pode funcionar como desculpa suficiente para uma exibição que, até àquele momento, havia sido tão pálida. Por isso, e depois do aviso de Bangoura aos 51 minutos, o Minsk acabou por fazer o 2-0 aos 55 minutos, num remate de Nikolic, fora da área, que foi ainda desviado por Miguel Rodrigues, traindo o guarda-redes Gottardi.

Apenas a desvantagem de dois golos fez acordar os madeirenses, que, com as entradas de Reginaldo e Lucas João para os lugares de Suk e Zinadine, só a partir dos 60 minutos mostraram alguma qualidade na Bielorússia. Aos 63 minutos, Lucas João rematou para defesa de Gutor e desperdiçou a única oportunidade dos madeirenses em toda a partida. Até ao final do jogo, o Dínamo optou por recuar as linhas e dar o controlo de jogo ao Nacional. Apesar do assalto final à baliza adversária, a equipa de Manuel Machado não conseguiu fazer um golo, que tão importante seria para a luta pelo apuramento. Na próxima quinta-feira só um Nacional completamente transfigurado poderá sonhar com a fase de grupos da Liga Europa. O Dínamo de Minsk mostrou qualidade mas este é um desafio que está longe de ser impossível para um Nacional da Madeira a alto nível. Basta ter uma atitude diferente.

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A Figura

Stasevich – O capitão do Dínamo de Minsk foi âncora da equipa bielorussa ao longo da partida. Sempre de cabeça levantada e tomando quase sempre boas decisões, o jogador bielorusso coroou a excelente exibição com o primeiro golo da partida, na transformação de uma grande penalidade.

O Fora-de-Jogo

Suk – É preciso ter muito boa vontade para conseguir escolher algum bom momento do coreano na partida. Completamente desligado do jogo, o ex-avançado do Marítimo nunca criou perigo e por isso não foi de estranhar a opção de Manuel Machado de retirá-lo do terreno de jogo aos 57 minutos.