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E eis que chegamos ao momento que decide um dos grandes objetivos da época, quer para o Vitória SC, quer para o SC Braga. Os arsenalistas entram primeiro em campo. Depois de uma vitória pela margem mínima (1-0) no Minho, o SC Braga viaja até à Rússia, onde os espera um jogo muito difícil, onde terão de jogar ao seu melhor nível para conseguir frustrar as tentativas do FK Spartak.

As escolhas de Sá Pinto denotavam uma estratégia mais “cautelosa”, digamos assim, apesar de na conferência de imprensa de antevisão, ter dito que vinha a Moscovo para marcar. O sistema é um 4-5-1, que na verdade, foi mais vezes 5-4-1, como foi anunciado no site da UEFA. Palhinha fazia muitas vezes de central (algo que não lhe é completamente estranho), numa linha de três, com laterais muito ofensivos – Esgaio e Sequeira –, e um meio-campo que até fazia adivinhar uma maior capacidade de infiltração nos espaços ofensivos, que propriamente de coesão defensiva. Tormena estreia-se a titular na Europa, devido à lesão de Pablo.

O jogo começou numa toada morna, com o SC Braga a demonstrar que pretendia ter bola e respirar com ela, esticando o jogo para o ataque assim que o FC Spartak abria espaços na defesa. Os russos, por sua vez, entraram muito agressivos, num 4-3-3 clássico, com vontade de deixar os bracarenses pouco tranquilos e imprimir velocidade nas alas. Durante os primeiros 20 minutos, o jogo teve longe das duas balizas, o que não era necessariamente mau para as aspirações portuguesas.

Aos 21 minutos, Dzhikya de meia-distancia deu o primeiro aviso a Matheus, mas a melhor oportunidade, nesta altura, surge para o SC Braga. Num contra-ataque rápido, André Horta de forma inteligente esperou a entrada de Novais, que proporcionou uma grande defesa a Maksimenko. Entretanto, o jogo terminava mais cedo para Wilson Eduardo, que sai lesionado para dar o seu lugar a Galeno. Contrariedade para Sá Pinto, que perde o seu capitão.

Aos 27 minutos, os moscovitas “acordaram” e Ponce, bem colocado, só não fez o golo porque atirou contra o corpo do central arsenalista que se atravessou à sua frente. Logo a seguir, num canto, atiraram ao lado da baliza do SC Braga. Estavam a começar a encostar o Guerreiros do Minho às cordas e isso notava-se na instabilidade emocional: muitas faltas e escaramuças desnecessárias com os jogadores do FK Spartak Moscovo. Os jogadores da casa iam “provocando”, precisamente com esse objetivo, respaldados pelo seu público a apupar continuamente. Ambiente difícil.

Adeptos da equipa da casa, que apoiaram desde o primeiro minuto de jogo
Fonte: FK Spartak Moscovo

Perto dos 40 minutos, Tormena foi a segunda contrariedade dos bracarenses, depois de sair lesionado. Mas, numa demonstração clara de combate à adversidade, a sorte dos portugueses mudou de um momento para o outro. Marcavam-se 41 minutos no cronómetro, a defesa dos russos descompensada, André passa para o irmão, Ricardo Horta, que de meia distância, atira para um verdadeiro “golão”, sem qualquer hipótese para o guarda-redes da equipa adversária.

Gelo nos ânimos da equipa da casa e já na compensação, aos 45+2, lance algo parecido ao do primeiro golo e, o mesmo protagonista, desta vez a contar com o desvio de um defesa, coloca a bola no fundo das redes com mais um remate de meia-distância. Espetáculo do mais velho dos “Horta” em campo. O intervalo chegou com (0-2) no marcador e o SC Braga, que estava a ter uma noite difícil, num lance de génio e noutro de ressalto, faz dois golos. Com isso, deu a tranquilidade necessária e arrefeceu o ímpeto russo: para passarem à fase de grupos, o FK Spartak teria de marcar quatro golos e não sofrer mais nenhum.

A segunda metade arrancou com uma oportunidade clara para Schurrle demonstrar porque foi o grande nome contratado pelo FK Spartak para esta época. Em boa posição na área, atirou muito por cima. Ele, que até tinha feito uma primeira parte bem conseguida, sempre envolvido nos lances de perigo da equipa da casa.

Para além deste lance, o segundo tempo aconteceu sem se dar muito por ele. O SC Braga, de forma muito tranquila em campo, a dar mais a bola ao adversário, que estava em baixo animicamente, procurando as transições rápidas. 45 minutos com muito pouca “ação” junto das balizas. Apesar disto, ainda deu tempo para Bakaev reduzir para o FK Spartak, aos 89 minutos, depois de uma jogada de insistência, convertendo quase que um “penalty em movimento”, no coração da área.

Apito final, 1-2 no marcador. Vitória justa dos arsenalistas, que souberam aproveitar melhor as oportunidades e depois controlar o jogo a seu belo prazer. Objetivo cumprido: fase de grupos da Liga Europa no horizonte e mais um clube português nesta fase do torneio.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

FK Spartak Moscovo: Maksimenko, Eschenko, Gigot, Dzhikya, Ayrton, Guliev, Schurrle, Zobnin (75m Umyarov), Bakaev, Ponce (62m Ajano) e Mirzov (46m S. Bakaev).

SC Braga: Matheus, Sequeira, Palhinha, Tormena (38m Lucas), Bruno Viana, Esgaio, Ricardo Horta, João Novais (75m Fransérgio), André Horta, Wilson Eduardo (23m Galeno) e Paulinho.

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