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O número três tem, desde o início da História, uma importância vital na Humanidade. Passando pela religião –  Trindade Católica e Hindu – até às formas geométricas  – o triângulo é a primeira figura que se consegue fazer –, muito do que se passa no Mundo tem por base este mágico número. Ainda assim, e para os adeptos do Liverpool, este três passará a ser um número malogrado e a evitar.

Antes do início do jogo já o referido três seria o alvo a abater por parte da equipa de Liverpool. Os reds queriam evitar que o Sevilha vencesse a sua terceira final consecutiva após as vitórias do clube andaluz frente ao SL Benfica e ao FC Dnipro Dnipropetrovsk nas últimas duas edições.

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A equipa de Jurgen Klopp comandou as acções durante toda a primeira parte, banalizando uma equipa sevilhana amorfa e sem qualquer argumento para assustar Mignolet. À passagem dos primeiros dez minutos valeu Carriço à equipa espanhola, evitando o golo inaugural de Sturridge.

Galvanizados pelo momento, os ingleses continuaram a pressionar, e pouco depois surgiu o primeiro – de três – momentos polémicos na área de David Soria. Roberto Firmino ultrapassa Carriço, que coloca o braço na direcção da bola. O árbitro da partida e o árbitro auxiliar nada viram, e o jogo seguiu com o internacional brasileiro a contestar veementemente a decisão do juiz da partida.

Perto da meia-hora de jogo Rami toca com a mão na bola de forma subtil, dando motivo aos reds para voltarem a pedir grande penalidade. De novo, Jonas Eriksson nada viu e mandou seguir a partida.

Cinco minutos depois, e num portentoso remate de trivela, Sturridge acaba mesmo por marcar e dar justiça ao marcador no Estádio St. Jakob-Park, em Basileia. As bancadas, completamente preenchidas de vermelho, entraram em erupção e Klopp parecia destinado a acabar em beleza a sua primeira época em Liverpool.

Mas, e como não há duas sem três, a polémica voltou a aparecer dentro da área do Sevilha com a equipa inglesa a reclamar – e com razão – uma mão na bola. De novo, Firmino na jogada, desta vez a tentar a assistência para golo, mas com Krychowiak a cortar com a sua mão esquerda. Nova grande penalidade por assinalar, novos protestos junto de Jonas Eriksson. O prenúncio do número três estava a chegar, e para fazer danos avassaladores.

Coke foi o herói improvável desta final em Basileia Fonte: UEFA
Coke foi o herói improvável desta final em Basileia
Fonte: UEFA

Ainda o apito do árbitro sueco para o início da segunda parte ecoava nas bancadas e já os adeptos do Sevilha festejavam o golo do empate espanhol, apontado por Gameiro. O internacional francês apanhou a defesa red adormecida e restabeleceu a igualdade na partida. Um golpe profundo para a formação inglesa, que acusou em demasia o golo sofrido e não mais se encontrou em campo.

O segundo golo sevilhano veio dar ainda mais ênfase à “fúria” espanhola, numa jogada em que Vitolo foi o maestro que permitiu o golo do capitão Coke. O mesmo Coke viria a completar o círculo – ou o triângulo –do número três, ao bisar na partida e aumentar para 3-1 o resultado na partida. Curiosamente, o último jogador espanhol a bisar numa final europeia tinha sido Javi Moreno, jogador do Deportivo Alavés, frente ao mesmo Liverpool FC.

Unai Emery tem que ser valorizado por ter percebido onde falhou a equipa durante o primeiro tempo, sendo perfeitamente recompensado por isso no segundo. A equipa sevilhana foi buscar forças onde não parecia tê-las e acabou por fazer uma remontada histórica. Já Klopp acaba por perder a segunda final europeia da sua carreira, naquilo que parecia ser o seu (quase destinado) primeiro grande momento à frente do histórico clube inglês.

O Sevilha é o verdadeiro dono e senhor desta Liga Europa.
Figura:

Adeptos do Liverpool – É incrível pensar que, em 45 minutos, todo um sonho desmorona, tudo cai por terra e que, ainda assim, houve força e vontade de cantar que o Liverpool will never walk alone. Há magia onde se encontrem os adeptos reds, seja no “The Kop” ou em qualquer outro lugar. Liverpool é e será sempre um clube diferente, independentemente de quantos três lhe aparecerem pela frente.

 

Fora de Jogo:

Jonas Eriksson – Mau demais para uma grande final europeia. Nunca soube serenar os ânimos e durante a primeira parte pareceu mais nervoso do que alguns dos jogadores em campo. Errar três grandes penalidades com seis árbitros em campo é demasiado mau para ser verdade.

 

Foto de Capa: UEFA

Artigo revisto por: Mafalda Carraxis