A Liga Europa tem, nos últimos anos, aumentado a sua competitividade. Se, por um lado, a sua fase de grupos conta com equipas de pouca expressão, de vários pontos do continente europeu, as suas fases a eliminar, sobretudo devido à entrada de clubes vindos da Liga dos Campeões, tornaram-se em eventos desportivos de qualidade, e que contrariam a ideia desta prova da UEFA ser uma competição sem importância.

As meias-finais desta edição, que contam com os jogos Atlético Madrid – Arsenal e Marselha – RB Salzburgo, são das mais interessantes que a prova já teve. É um facto que grandes clubes, de nível Champions, já estiveram nas meias-finais, ou até final, da Liga Europa. Mas, se noutras alturas, uma grande equipa não estaria muito motivada para disputar a competição, o que se refletiria no seu desempenho, e na qualidade do seu jogo, agora, com a vitória na final a garantir a entrada direta na Champions, a determinação de jogadores e treinadores é muito maior. Para além disso, as realidades desportivas muito específicas de cada um dos quatro clubes envolvidos fazem com que esta eliminatória seja mais importante e decisiva do que a maioria das meias-finais de uma competição europeia.

O Atlético Madrid é a equipa favorita a conquistar a prova. Com um historial de sucesso na Liga Europa, para além de duas finais da Liga dos Campeões perdidas, o conjunto de Simeone quer, sobretudo, terminar a época com um título, algo que tem escapado aos Colchoneros nos últimos anos.

Griezmann é a grande figura do Atlético Madrid
Fonte: Atlético de Madrid FC

O Arsenal, por sua vez, é provalmente o clube que tem mais razões para conquistar a Liga Europa. Com os resultados dos londrinos a piorarem significativamente nas últimas temporadas, há muito que os Gunners deixaram de ser vistos como um grande, quer a nível interno, quer a nível europeu. O anúncio recente da saída do treinador Arsène Wenger, após 22 temporadas ao serviço do clube, reforça a urgência do Arsenal em conquistar algo. Atualmente em sexto lugar na Premier League, a Liga Europa é a única maneira do clube garantir a qualificação para a Liga dos Campeões, factor essencial para manter os principais jogadores do plantel, e conseguir contratar um treinador de renome, que leve os Gunners de volta ao topo do futebol inglês.

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Com derrotas na final da Taça UEFA em 2000, e na final da Liga dos Campeões em 2006, esta é a última oportunidade de Wenger ganhar um título europeu ao serviço do Arsenal.

O Marselha, que está, aos poucos, a regressar a um nível condizente com a sua grandeza, é a equipa mais inconstante das quatro que compõem as meias-finais. Na sua melhor forma, os franceses são uma equipa de grande nível, com muitos jogadores de qualidade. No entanto, é um conjunto que vale sobretudo pela valia técnica de alguns dos seus futebolistas, e não tanto pelo seu coletivo, o que faz com que tenham alguma dificuldade em ganhar jogos de forma consecutiva. Atualmente em quarto lugar na Ligue 1, mas a apenas um ponto do segundo classificado, o Mónaco, o Marselha tem, nesta Liga Europa, a hipótese de conquistar um troféu que marque definitivamente o regresso do clube francês aos grandes palcos europeus.

O RB Salzburgo é, aparentemente, a equipa mais fraca em competição. Com pouco historial e sem o prestígio dos restantes três clubes, o conjunto austríaco tem, porém, uma vantagem em relação aos adversários. Ao atuarem sem pressão, nem expetativas dos adeptos, têm mais facilidade em mostrar o seu melhor futebol. E, não havendo grandes dificuldades para ganhar o campeonato do seu país, a equipa austríaca pode concentrar-se exclusivamente nesta eliminatória europeia.

O facto dos dois principais candidatos à vitória na prova, Arsenal e Atlético Madrid, se defrontarem antes da final, realça o equilíbrio destas meias-finais, e aumenta o entusiasmo à volta dos jogos: se por um lado ingleses e espanhóis têm de estar no seu melhor para garantirem o acesso a Lyon, por outro, Marselha e Salzburgo olham para o encontro entre ambos como uma oportunidade para vencerem uma taça inédita nas suas histórias, que dificilmente teriam se os adversários fossem diferentes.

A presença de duas equipas habituadas a estar na Liga dos Campeões, e de outras duas muito motivadas a mostrar o seu valor, torna as meias-finais da Liga Europa num espetáculo único. Ainda que longe do mediatismo da Champions, o menor receio dos clubes em enfrentar adversários mais fortes faz com que os jogos sejam mais disputados e emotivos, onde o futebol ofensivo é privilegiado. Muitas vezes, as diferenças de nível dos plantéis são esbatidas dentro de campo, o que possibilita que esta fase da Liga Europa seja atrativa para qualquer adepto de futebol.

Foto de Capa: Arsenal FC