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Cabeçalho Futebol InternacionalComecemos por um assunto chato que algum dia tinha de ser tema e hoje é o dia: ir ver futebol é algo que me aborrece imenso. Eu sei que isto parece estranho dito assim, mas eu explico. O que me chateia não é o ver futebol, é mesmo o ir. Quando, repetidamente, um trajeto de 10 minutos demora 50 e chegamos ao estádio com uma parte mais descontos gasta na viagem, torna-se cansativo. Dos acessos incapazes de escoar o trânsito à gritante escassez de lugar de estacionamentos, um belo exemplo das falhas urbanísticas do nosso Portugal.

Mas, feito o desabafo, rola a bola no Estádio Municipal de Braga e isso é o que mais importa. Cedo o Braga demonstrou que era a melhor equipa em campo, com um futebol muito superior aos búlgaros e que ia monopolizar as oportunidades desde o apito inicial. Foi tanto assim que logo aos 4 minutos Hassan atirou para fora no primeiro lance de perigo do jogo. Ricardo Ferreira não faria o mesmo pouco depois, mas estava fora-de-jogo e não valeu. As jogadas de perigo iam sucedendo-se para os de casa e os búlgaros apenas por uma vez se aproximaram da baliza à guarda de Matheus.

E, depois, veio o golo. Contra a corrente de todo jogo até então, num canto, Moti cabeceou e a bola entrou para colocar os búlgaros em vantagem. A surpresa tomou conta do estádio e o pequeno grupo de adeptos dos visitantes – ainda assim, uma multidão quando comparado com os que o Istambul Basaksehir havia trazido – permitiu fazer-se ouvir em gritos de apoio aos seus. Ainda atordoado, o Braga quase sofria o segundo no minuto seguinte, mas Matheus defendeu após um contra-ataque rápido do Ludogorets.

Moti gelou o estádio ao minuto 24 Fonte: PFC Ludogorets Razgrad
Moti gelou o estádio ao minuto 24
Fonte: PFC Ludogorets Razgrad

a algum anti-jogo, mas o máximo que conseguiu foi ver o guarda-redes Renan ter uma boa saída para evitar problemas de maiores num livre descaído para o lado esquerdo do ataque braguista. A primeira parte acabaria com assobios ao árbitro, que não deu nem um minutinho de compensação, quando esta mais que se justificava.

A segunda metade começou também com o Braga por cima, mas mais agressiva com amarelos a serem distribuídos para os dois lados. Os de vermelho bem tentaram, primeiro de livre, mas ninguém desviou e depois com dois remates de longe que acabaram também longe da baliza. E, como no futebol quem não marca sofre, foi o Ludogorets quem voltou a surpreender e a gelar o estádio. Erro de Goiano e Lukoki e a ficar isolado frente a Matheus, fintou o guardião e atirou para a baliza com a bola a bater no poste, mas Raul Silva, pressionado, acabaria por a colocar lá dentro ao tentar salvar a situação. A revolta e a frustação dos adeptos fez-se sentir e eu fiquei a assistir a uma cadeira arrancada ir descendo as escadas até parar mesmo ao meu lado.

Abel Ferreira respondeu prontamente e em poucos minutos esgotou as substituições para forçar o Ludogorets ainda mais à defesa. O problema é que os ataques arsenalistas careciam de uma maior organização e, mesmo tendo criado um trio de situações de perigo, a bola teimava em não entrar e os próprios búlgaros estiveram perto de chegar ao terceiro em mais um contra-ataque. Pelo meio, ainda deu para Abel Ferreira ser expulso por protestos a pedir pénalti numa jogada em que a bola terá batido no braço de Anicet.

Ludogorets sai de Braga com muitos motivos para celebrar Fonte: PFC Ludogorets Razgrad
Ludogorets sai de Braga com muitos motivos para celebrar
Fonte: PFC Ludogorets Razgrad

O jogo não terminaria sem mais uma polémica, quando, aos 87 minutos, os adeptos foram informados de que o árbitro ameaçava interromper o jogo se não cessassem os gritos racistas e xenófobos vindos das bancadas. Do que nos foi possível perceber, em questão terão estado insultos proferidos por alguns adeptos para com Lukoki quando este demorou demasiado tempo a abandonar as quatro linhas ao ser substituído.

No final, a vitória dos visitantes premiou a equipa mais eficaz. O Braga dominou durante todo o jogo, mas foi incapaz de converter as situações de golo que criou. Já o Ludogorets executou da melhor forma a sua estratégia baseada no fechar bem cá atrás e na saída rápida para o contra-ataque. Para o bem e para o mal, no futebol o que conta são os golos e, no dia em que o seu forte ataque não conseguiu afinar a pontaria, o SC Braga pagou caro os erros que a sua defesa continua a dar e complicou as contas do apuramento, em que os búlgaros são agora primeiros do grupo.

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