Da semifinal da Liga dos Campeões para a zona de despromoção da Ligue 1. Do primeiro lugar para o 18º. Tudo isto no espaço de dois anos. Se o AS Monaco mostrou em 2016/2017 que era possível quebrar a hegemonia do PSG na liga francesa, em 2018/2019 está a mostrar o que acontece quando um plantel jovem é vítima da sua própria política de transferências.

Hoje, todas as notícias apontam para o despedimento iminente de Leonardo Jardim. O ex-treinador do Sporting CP, a cargo dos monegascos desde 2014, vê-se na pior situação desde que está no clube. O talento que o levou à conquista do título francês há duas épocas e a uma prestação respeitável na última campanha partiu em debandada. Enquanto alguns jogadores sempre pareceram destinados para outros palcos, houve atletas cujas vendas podiam – e deviam – ter sido evitadas. Começa-se a questionar a verdadeira influência que Leonardo Jardim tem sobre a equipa e as contratações que faz.

Um exemplo de uma venda danosa para o clube do principado foi a de Fabinho, neste verão, ao Liverpool FC. Atualmente confinado ao banco dos reds, o trinco brasileiro era uma peça crucial do AS Monaco na época passada. Um dínamo do meio campo que permitia equilibrar um plantel desfalcado. Mascarava o menor ímpeto ofensivo provocado pela saída de Kylian Mbappé e Bernardo Silva. A equipa marcava menos, como seria de esperar, mas Fabinho mantinha a organização defensiva, logo a falta de golos não era tão sentida. Agora, sem Fabinho, sem Mbappé, sem Bernardo e também sem Lemar, não há golos que valham nem coesão que disfarce a sua falta.

Fonte: Liverpool FC

O problema não se cinge apenas às saídas; também passa pelas entradas. Para o lugar no médio defensivo canarinho chegou Pelé, vindo do Rio Ave FC, a troco de 10 milhões. Um jogador que se conseguiu mostrar no Paços de Ferreira, mas que nunca entrou na equipa principal do SL Benfica. Com 26 anos, pouco levar a crer que uma recuperação do AS Monaco poderá passar pela sua inclusão regular no XI inicial.

O clube pretende continuar na sua senda de aposta nos jovens, e para isso trouxe Yuri Tielemans (ex-RSC Anderlecht), Benjamin Henrichs (ex-Bayer Leverkusen) e Yuri Golovin (ex-CSKA de Moscovo). Mas o AS Monaco não está a lançar jovens na primeira equipa. Está a atirá-los para o XI inicial. A falta de talento e as más prestações dos mais experientes, como Falcão, criaram esta situação. Enquanto Mbappé, Lemar e Bernardo tiveram tempo para se adaptar e entrar no sistema de Leonardo Jardim, estes jovens encontram-se perante uma equipa em transição, cujas exigências são maiores devido ao sucesso das últimas duas épocas. Isto não permite um desenvolvimento equilibrado dos jogadores nem uma mudança do estilo de jogo da equipa, com o treinador incapaz de se cingir a um único XI inicial ou sequer a uma única formação, continuando a saltitar entre o 4-3-3 e o 4-4-2.

Fonte: AS Monaco

Já é a segunda vez nesta época que o Bola na Rede aborda o mau início de época dos monegascos. No entanto, o otimismo mostrado no último texto parece agora inconcebível. Não houve melhoria dos resutados e a potencialização dos jovens não está a ocorrer. A natureza reservada do treinador não lhe está a fazer favores nenhuns e só dá a ideia de que já não é ele quem comanda os destinos do clube.

Agora, com Leonardo Jardim com um pé fora de Mónaco, e Thierry Henry e Arsene Wenger como favoritos para o sucederem, fica uma questão: será que o problema está no técnico? Ou será que é um caso de uma política de transferências com sérias lacunas que, mediante circunstâncias criadas pelo próprio clube, estão agora a ser expostas?

 

Foto de capa: AS Mónaco

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