cab ligue 1 liga francesa

Quando falta ainda quase um mês para o fecho do mercado no Velho Continente, a Ligue 1 está de volta com muitas indefinições nos planteis dos principais favoritos mas com uma certeza: o Paris Saint-Germain volta a estar na pole-position. Algo recorrente desde que o clube foi comprado pela “Qatar Investment Authority”. Já são três campeonatos consecutivos, ganhos com maior ou menor dificuldade. Contudo convém referir que no primeiro ano do forte investimento vindo do Catar foi o modesto Montpellier a vencer o primeiro campeonato da sua história, conseguindo, assim, fazer frente ao novo-rico da capital. E é aqui que reside a magia do Championnat: não existem vencedores antecipados. Então, o que esperar do campeonato francês na época 2015/16? O tetra do PSG ou uma surpresa de um outsider?

O FAVORITO

O Paris Saint-Germain, actual tri-campeão, é o natural favorito para arrecadar o seu quarto título consecutivo. A grande dúvida, nesta altura, reside na sua principal figura, que é também a figura do campeonato, Zlatan Ibrahimovic. O sueco tem deixado pistas de que poderá deixar a capital gaulesa ainda antes do término do seu contracto que entra no último ano. Autor de 75 golos e 32 assistências em 91 partidas da Ligue 1, Ibrahimovic é a principal referência do ataque parisiense e a sua saída seria sempre difícil de colmatar. Independentemente do poderio financeiro do PSG. Também Thiago Motta está na iminência de abandonar os campeões franceses, juntando-se deste modo ao já transferido Cabaye. Estas duas saídas obrigam Laurent Blanc a ir ao mercado para reforçar o seu meio-campo mais defensivo, pois Stambouli, contratado neste mercado ao Tottenham, constitui mais dúvida do que certeza. Um nome sonante juntar-se-á a Verratti, Matuidi e Rabiot, isso é certo.

Do lado das entradas temos ainda os nomes de Aurier, lateral direito costa-marfinense que foi comprado ao Toulouse depois de uma época de empréstimo no clube; Trapp, guarda-redes alemão que promete dificultar muito a vida do titular Sirigu e… Di Maria. O astro argentino procura relançar a carreira depois de uma época menos positiva em Inglaterra e poderá encontrar, em Paris, o local ideal para recuperar toda a qualidade que demonstrou em Madrid e no Mundial de 2014. Mais uma estrela a juntar à constelação já existente na capital francesa, onde se destacam nomes como Thiago Silva, Cavani, Pastore ou os já citados Verratti e Matuidi.

Di María é o reforço mais importante do PSG e da Liga Francesa
Di María – o principal reforço da Ligue 1 
Fonte: AFP/Getty Images

E outra poderá estar a nascer: Jean-Kévin Augustin. O jovem de apenas 18 anos, oriundo das camadas jovens do PSG, brilhou a grande nível na pré-época, nomeadamente na International Champions Cup, que os parisienses venceram, e garantiu o seu bilhete para fazer parte do plantel nesta temporada que se inicia. Um nome a acompanhar. Portanto, com algumas duvidas mas muitas certezas, o PSG parte como o grande candidato na conquista do Championnat – algo que deixou bem claro logo no primeiro jogo oficial ao bater facilmente o Lyon na Supertaça, por dois golos sem resposta. Terá um teste muito interessante naquele que é o jogo de abertura do campeonato, deslocando-se ao terreno do Lille e podendo, assim, definir o tom desta Ligue 1.

OS OUTSIDERS

Lyon, Mónaco e Marselha são as equipas que prometem dificultar a vida aos tri-campeões franceses.

Em Lyon, casa dos vice-campeões, vivem-se tempos conturbados. A uma pré-época desastrosa (4 derrotas em 5 jogos, com destaque para a goleada sofrida ante o Arsenal por escandalosos 6-0) e à paupérrima exibição na supertaça francesa junta-se a certeza de que só um milagre conseguirá segurar Lacazette, melhor marcador do último campeonato com 27 golos. Além disso, Gourcuff já terminou contrato com o Olympique Lyonnais. Como do lado das entradas ainda não se registou nenhum nome sonante, tirando o do lateral brasileiro Rafael da Silva vindo do Manchester United, é com natural apreensão que os adeptos da equipa orientada por Fournier encaram a nova época. Continuam peças importantes como o português Anthony Lopes, dono e senhor das balizas do Lyon, Jallet, Malbranque, o fantástico Gonallons e a estrela emergente Nabil Fekir, uma das grandes revelações de 2015 (foi mesmo chamado à selecção francesa), mas muito trabalho ainda terá de ser feito dentro do clube até ao dia 31 de Agosto se quiserem ser considerados como reais candidatos ao trono.

No principado do Mónaco, depois de uma grande época protagonizada pelos pupilos de Leonardo Jardim no seu ano de estreia, quando foi vítima de um forte desinvestimento, vive-se um clima de grande expectativa. Saíram algumas peças importantes como Kondogbia, Carrasco, Ocampos ou Berbatov mas os monegascos não se deixaram adormecer e reagiram rapidamente atacando o mercado com critério de modo a suprir as baixas. Contrataram Guido Carrillo, que será garantia de golos, apesar da forte concorrência, e conseguiram o empréstimo do estonteante El Shaarawy, que promete polvilhar os relvados franceses com o toque da sua magia e irreverência. Se juntarmos ainda Pasalic, Traoré, Cavaleiro ou Wallace aos habitués Subasic, Ricardo Carvalho, Moutinho e Bernardo Silva (em quem são depositadas grandes esperanças depois da época que protagonizou no ano passado e no Europeu Sub-21) poderemos ter na equipa do AS Monaco o principal rival do dominante PSG.

Depois das saídas e Ferreira-Carrasco e Ocampos, El Shaarawy promete impôr-se no Mónaco  Fonte: Facebook do AS Monaco
Depois das saídas e Ferreira-Carrasco e Ocampos, El Shaarawy promete impôr-se no Mónaco
Fonte: Facebook do AS Monaco

Finalmente, em Marselha, Bielsa vive uma época de tudo ou nada. Depois de uma época em que prometeu muito – chegou a liderar grande parte da prova, mas acabaria por nem sequer garantir uma vaga na Champions -, fica a certeza de que a margem de manobra será muito reduzida para o extravagante treinador argentino. Mas, à semelhança do outro Olympique, também o de Marselha viveu um mercado muito conturbado. Perdeu Payet, rei das assistências na ligue 1 transacta; Imbula, o motor do meio-campo marselhês; e como se isso não chegasse viu sair os seus dois goleadores principais: Ayew e Gignac, ambos em final de contracto. As entradas de Diaby, Diarra, Manquillo ou Ocampos parecem muito curtas para compensar saídas de tamanha importância e muitas das esperanças do Marselha residirão em Batshuayi e Barrada.

OS CANDIDATOS À EUROPA

Várias serão as equipas que procurarão alcançar a vaga sobrante que, à partida, os clubes supracitados deixarão em aberto. O Saint-Étienne, que foi o clube que conseguiu tal feito no ano passado, procura repetir essa brilhante temporada em que nunca abandonou os lugares cimeiros e até ameaçou a supremacia dos favoritos.

O Bordeaux ainda vive um período de indefinição no que ao mercado diz respeito, tendo visto algumas peças importantes saírem. Mas quem tem Willy Sagnol, um dos treinadores mais promissores da nova geração, pode sempre sonhar.

O Lille também perdeu vários elementos fundamentais na época passada, com Traoré e Kjaer à cabeça, mas contratou diversos nomes interessantes, como Obbadi, Guillaume ou Tallo perspectivando-se um ano muito forte dos homens de Renard Hervé.

Finalmente o Montpellier deverá ser o último candidato a um lugar na Europa. Roland Courbis terá a base principal da equipa que orientou no ano passado para atacar esta nova temporada e isso constitui sempre um elemento preponderante.

Depois do 6.º lugar no ano passado, Sagnol quer levar o Bordéus à Europa Fonte: Panoramic
Depois do 6.º lugar no ano passado, Sagnol quer levar o Bordéus à Europa
Fonte: Panoramic

A SEGUNDA METADE DA TABELA

Entre os que procuram fugir à despromoção e aqueles que anseiam por um campeonato mais tranquilo, também na parte de baixo da tabela se espera muita imprevisibilidade e animação. Troyes, Ajaccio e Angers são os novos primodivisionários e tudo farão para que a subida não se transforme numa efémera passagem de apenas um ano entre os grandes. Com o já citado Ajaccio e o já residente Bastia, teremos agora duas equipas da maravilhosa ilha da Córsega no principal escalão francês, o que constitui mais um motivo de interesse para este campeonato que se avizinha. Equipas como o Stade de Reims, Rennes ou Caen deverão procurar fugir aos três últimos lugares, enquanto que os conjuntos do Nantes, de Toulouse e do Nice (que compensou a saída do surpreendente Carlos Eduardo com o experiente Ben Arfa) e do Lorient, do português Raphaël Guerreiro, tudo farão para recuperar alguma da sua glória passada – já lutaram por lugares mais cimeiros – e quererão imiscuir-se na luta europeia, fugindo rapidamente à exasperante luta pela manutenção.

Resumindo, espera-nos mais uma emocionante Liga Francesa, onde em cada jogo há incerteza quanto ao resultado final e onde um favorito pode perder pontos em qualquer terreno, à imagem dos campeonatos recentes. Trata-se, sem dúvida alguma, de um dos campeonatos mais emocionantes e competitivos do Velho Continente, mesmo não tendo a notoriedade de outros, e fica a certeza de que nenhuma posição está garantida… independentemente do maior ou menor poderio financeiro.

Raphael Guerreiro é um dos muitos portugueses que actuam no Championnat Fonte: Panoramic
Raphael Guerreiro é um dos muitos portugueses que actuam no Championnat
Fonte: Panoramic

PREVISÕES 

Campeão: Paris Saint-Germain

Melhor Jogador: Di Maria (Paris Saint-Germain)

Melhor Marcador: Guido Carrillo (AS Monaco)

Melhor Assistente: Di Maria (Paris Saint-Germain)

Jogador Revelação: Jean-Kévin Augustin (Paris Saint-Germain)

Foto de Capa: Panoramic

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