Cabeçalho Liga FrancesaMbappé, para minha surpresa, abandonou o Mónaco ainda nesta última janela de transferências. Sobre esse assunto, o que posso dizer, abertamente, é que, pouco antes desta mesma ação negocial se ter concretizado, admirava veemente a continuidade do jovem no clube do principado. O clube que escolhera, entre deles que provocavam muito mais entusiasmo e vontade de ingressar de imediato na sua escola de formação, foi o Mónaco, que não era, claramente, nada comparável ao sucesso e boa reputação de clubes na altura interessados nesse miúdo chamado Kylian.

Esperava que o agora adulto Kylian Mbappé fosse capaz de tomar a decisão que tinha tido outrora, e resistir ao assédio quase pornográfico realizado ao jogador, praticamente, durante todo o Verão. Assédio esse que não se prendia unicamente ao proveniente da capital francesa, mas por uma teia de indivíduos ligados ao desenlace da transferência em si. Sejam eles jogadores, amigos, e ainda os verdadeiros amigos. Reconheço que é muito difícil resistir e rejeitar qualquer uma das últimas propostas que o agente do muito promissor avançado recebeu, ainda mais na conjuntura atual a nível de mercado, em que inúmeros interesses pessoais/cooperativos se associam, de uma maneira ou de outra, a este processo negocial. Ter um miúdo de 18 anos, quase literalmente, nas suas mãos, reúne muita divergência, muita licitação, elevadas quantias.

A quantia, nesta cerimónia contratual, chegou aos 180 milhões de euros, mas toda a burocracia que impede a aristocracia abastada e ao mesmo tempo responsável pela direção dos clubes, onde injetam capital próprio no projeto do clube. Para o ano é que chegará. Por agora, no papel, fica carimbado com a situação a regime de empréstimo, não de aquisição. Mesmo assim, o sucesso desportivo, cobre o investimento efetuado, e ainda dá lucro. A venda de camisolas, por parte dos clubes, rende muito mais do que se imagina. Daí saírem novos modelos da camisola oficial do clube todos os anos, para não falar das alternativas, ou 3º kit, T-shirts oficiais personalizadas, e ainda as réplicas. E o dinheiro, bem, sai mais limpo…

Mbappé, com o 10 estampado na camisa do Mónaco, foi basicamente pré época… Fonte: Okdiario.com
Terá Mbappé um substituto à altura no Mónaco?
Fonte: Okdiario.com

Pese a minha preferência em Leonardo Jardim para continuar a trabalhar este diamante em bruto que, com a missão de “carregar a equipa às costas”, pelo menos ser nele depositada toda a esperança principalmente em circunstâncias de aperto. Uma equipa que iria trabalhar, incansavelmente, para que tivesse o espaço suficiente para fazer os seus malabarismos e, do nada, sacar uma valente cavalgada em direção à baliza, conseguindo ir ultrapassando os obstáculos, algumas vezes de uma forma um tanto atabalhoada, mas eficaz. Tantas bolas este homem entregava, na cara do guarda redes, ao colega em melhores condições; outras em que tinha a confiança no pico, e atirava ele mesmo. Um grande jogador e tão jovem. E agora com o 10, que lhe ficava tão bem naquelas cores, entendia-se esplendidamente com Falcao, formavam uma dupla temível. Que agora enfrentou o seu término. Volta a usar o “seu” 29, que a título de curiosidade, é um número negro para o futebol português.

Vai para o PSG com uma grande equipa à sua espera. E outra vedeta, também jovem, mas já com experiência. Embora a sua experiência não se compare à de Neymar, o francês já demonstrou que sabe lidar com a pressão. Desfará rapidamente qualquer dúvida que exista em relação à sua qualidade. Recorde-se, inclusivamente, a situação em que se deparou quando ainda nem sequer atuava na equipa principal do Mónaco. Tecnicamente, exigiu, por via do seu agente, mais minutos, a titularidade. O seu pai foi abordado pelos media a respeito do assunto em causa, e também não se acanhou na hora de prestar as declarações. Muita confiança este jovem Kylian. Sou um grande fã, e confesso que apenas não fico extasiado com esta aquisição devido ao teor tão “cheat”, parece batota quando alguns clubes se superam a outros por força financeira. Fora isso, que grande aquisição! O projeto parisiense vai além de Neymar. A título de empréstimo (era a única maneira de escapar ao “fairplay” financeiro impingido pela UEFA), chega ao PSG, uma potência a curto prazo. Se já não o é.

Com Cavani, Pastore, Draxler, Neymar elegíveis para a frente de ataque, creio que é claramente percetível que os três eleitos para as posições em questão, sempre que aptos, serão N, M e C. Serão elas as três letras constituintes da próxima grande sigla do futebol mundial? Tem tudo para ser. Não imagino sequer como poderá não o ser. Sou sincero.

Apesar da desilusão em ver Mbappé ir para o tubarão francês, não estou insatisfeito, mas sim em pulgas de ver estas equipas em ação. Tanto o descaradamente desfalcado, desarmado Mónaco; bem como este mais do que bem munido Paris, reúnem toda a minha atenção esta época. Destas lutas David Golias, à imagem do que o Bayern faz com o Dortmund, dá gosto de ver, o desfecho muitas vezes surpreende. Da equipa brilhante montada por Nasser Al Khelaifi, o detentor da Oryx Qatar Sports Investments, que para além deste cargo, tem ainda o privilégio de pertencer à família real do Qatar; à equipa do principado monegasco, que agora sem Germain, tem obrigatoriamente de evitar ou superar perdas de jogadores lá da frente, que com esta saída à última da hora se tornam ainda mais indesejáveis. Enquanto o trabalho de Unai Emery é um luxo; o de Leonardo Jardim é o oposto disso. No final de contas saberemos quem irá alcançar algo ainda mais importante do que luxúria. Algo imaterial, mas intemporal…

 

Foto de Capa: Paris Saint-Germain FC

Artigo revisto por: Beatriz Silva

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