O Olympique de Lyon não foi suficiente para os russos do CSKA. Apesar de ter vencido fora, foi derrotado em casa. Foi derrotado no lugar onde poderia decidir, eventualmente, o derradeiro desfecho da prova. O fator que poderia contar na definição do vencedor teve o efeito contrário.

Fatores como jogar fora, enfrentar um adversário que exija respeito e uma concentração elevada, maior visibilidade/mediatismo do encontro são as verdadeiras e mais plausíveis explicações do histórico de forma da equipa francesa: venceram recentemente, em casa, o PSG e foram ao Velodróme encurtar a distância para o último lugar do pódio, logo após esse afastamento caseiro. Foi, sem dúvida, a melhor forma de camuflar a mancha deixada pelos russos do CSKA de Moscovo.

Como explicar esta irregularidade a nível de resultados? Identifico de imediato vários detalhes que o justificam: vários elementos da equipa sem grande experiência nas provas da UEFA (saída de Lacazette também tem algum peso); equipa montada sem objetivos cdefinidos, isto é, sem um grau de elevada consistência vitoriosa procurada pela direção do clube (embora não se entre em jogo para não ganhar); e, principalmente estas duas condicionantes: poucas rotinas inter-setores/ inter-jogadores e uma certa irreverência nos seus jogadores mais influentes.

Das duas principais discrepâncias em torno da inconsistência do Lyon esta época, como acima enunciado, pode-se explicar pelo facto da equipa ser renovada ano após ano. Algo característico em qualquer equipa no futebol atual, óbvio, mas o Lyon não atravessa tempos áureos, e quando assim é, mais difícil se torna estar numa luta constante por objetivos. Por outro lado, jogadores como Depay ou Mariano Díaz, são detentores de um certo génio, mas não têm aquela chama que os mantenha no topo de forma. Em largas ocasiões, não conferem à equipa o contributo que deles se espera…

Depay ganhou uma nova “vida” no Lyon
Fonte: Olympique Lyon

O Lyon entrou no Championnat com duas vitórias. Até conseguirem, pelo menos, duas vitórias consecutivas na liga, tiveram de empatar seis vezes e perder outra, tendo pelo meio vencido apenas uma vez. Dentro desse lote, duas partidas foram correspondentes à fase de grupos da Liga Europa, tendo empatado nas duas ocasiões (frente ao Apollon e Atalanta). Superaram e compensaram, se assim o posso dizer, essa série negativa com seis vitórias seguidas, duas delas contra um Everton, na altura, também muito aquém.

Desde então, acumulou mais pontos do que perdeu, séries de duas vitórias consecutivas foram obtidas entre algumas derrotas e empates, algo aceitável, caso o Lyon se proponha ao pódio francês, apenas. Penso que neste momento não reúnem condições para sonhar com um eventual 2.º posto, visto haver um Mónaco mais consistente (nove pontos de diferença). Caso a irreverência não dê lugar a um maior índice de maturidade e compromisso da parte dos seus mais habilidosos executantes, nem o Marselha conseguirão derrubar. Requisitar uma visibilidade maior, que seria atingida na Champions,  despertaria, decerto, pujança e vontade, argumentos algumas vezes pouco convincentes na “arte de se expressar”, em craques como Díaz ou Depay.

Foto de Capa: Olympique Lyon

Artigo revisto por: Jorge Neves

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